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Orientação básica para a aquisição lingüística

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Algumas considerações preliminares ao entrarmos no desenvolvimento de uma orientação básica para a aquisição lingüística.

O método é importante mas não determinante

Alguns que aprendem bem uma segunda ou terceira língua, bem como aqueles que se frustram na tentativa, costumam atribuir tal resultado ao método. Observo, porém, que o método (a técnica mais amiúde) é menos importante do que julgamos. Isto por que todos nós nascemos com a capacidade de aprendizado de língua, a qual foi aplicada para nos dar fluência em nossa própria língua materna.

Desta forma freqüentemente encontramos pessoas que jamais estudaram ou aplicaram um método específico aprendendo bem uma segunda ou terceira língua, apenas com orientações gerais. Não me refiro aqui à análise de uma língua (ato mais técnico) mas sim ao aprendizado de fala e compreensão de uma língua (ato mais intuitivo). O método é importante, porém não determinante neste processo.

Lembre-se que o aprendizado de uma nova língua não é uma atividade puramente lingüística mas também culturali]. Assim, devemos ter em mente que o maior valor no processo de aprendizado está com o povo (que detém o conhecimento da própria língua) e não na metodologia de estudo da mesma.

Invista no método escolhido

O método tem a capacidade de lhe direcionar e não permitir que você perca o foco. O método escolhido (seja um método aprendido ou desenvolvido por você) deve ser claro, simples, objetivo e aplicável. Pense nestas quatro características.

Você deve ser capaz de explicá-lo de maneira objetiva, clara e prática a outra pessoa. Se tiver duvidas, simplifique o processo. Se você parte da coleta de termos, composição de idéias e prática de fluência, por exemplo, invista nisto durante um bom tempo. Se você utiliza a análise interativa como método, não deixe para trás na primeira dificuldade.

Nenhum método deve ser visto como uma idéia hermética, fechada, inalterável. Cada pessoa tem um perfil próprio. Adapte o método a você e não o contrário.

É mais fácil não aprender a língua

Após alguns meses de ânimo no estudo da nova língua é possível que você seja tentado a perder o foco. Se isto acontecer tudo ao seu redor lhe parecerá mais urgente do que o aprendizado da língua. Pelo fato do aprendizado ser algo contínuo (e de médio ou longo prazo) será sempre mais fácil desistir exceto em situações em que o aprendizado da língua seja uma questão de sobrevivência, como é o caso de nossa língua materna.

É certo que há alguns apaixonados pelo aprendizado de línguas, mas para a maioria será necessário uma boa dose de disciplina. Após chegar ao nível 1, o mais confortável será jamais sair deste nível. Percebo que a maior parte dos estudantes de uma nova língua atinge e permanece no nível pouco acima do 1 (normalmente 1.2). Neste caso eles já conhecem as saudações, os termos chaves, interagem um pouco e não estão mais perdidos no meio de uma conversa, entendendo o assunto geral. Mais de 80% dos que se propõe a aprender uma língua não chegam ao nível 3 (de 1 a 5) que é de fluência relativa, transmissão e interpretação de idéias. Isto os privará de uma conversação mais profunda, uma melhor compreensão do universo da língua falada bem como gerará uma clara limitação na apresentação de idéias, emoções, mensagens, projetos e argumentos.

Tenha um claro alvo em mente. Talvez seu alvo seja aprender uma língua no nível 1 apenas. Mas, caso seja no nível 3, ou outro acima, mantenha este alvo claro, de forma constante, em sua mente e coração. De toda forma, seja qual for seu alvo, não desista! Não há alegria maior para um estudante de uma nova língua do que compreender e ser compreendido ao ponto de comunicar, interagir e fazer diferença no ambiente em que está inserido.

Alguns métodos de referência

O aprendizado de língua é um processo que se dá a partir do desejo de se comunicar com o outro que coexiste em um ambiente lingüístico e cultural distinto. Para tal é necessário haver iniciativa, motivação, técnica e perseverança.

Há diversos métodos de aprendizagem de línguas como de Larsonii], Stone, Allison, Marshall[iii], Thompson e outros. Alguns visam a fluência, outros a fluência e análise lingüística.

Durante anos a WEC International utilizou na África o L.A.M.P[iv] com o silogismo baseado em GLUE, que em Inglês significa cola.

Get what you need (obtenha o que precisa)
Learn what you get (aprenda o que você obteve)
Use what you learn (use o que você aprendeu)
Evaluate what you use (avalie o que você usou)

Boa parte dos missionários da WEC e SIM aprenderam as línguas africanas utilizando este silogismo e há vasto material explicativo sobre o assunto passo a passov]. Um dos valores do GLUE é justamente levar o estudante a mentalizar um processo que pode ser aplicado diariamente.

Outros métodos possuem diferentes variantes mas quase todos passam por mecanismos semelhantes que são a coleta, o estudo e a prática.

Nesta nossa orientação básica enfatizarem os elementos que julgo essenciais para o estudo e aprendizado de uma língua. São eles: 1) Coleta e organização; 2) Estudo e análise; 3) Prática e convívio; 4) O informante e a preparação das sessões; 5) O estudo individual.

Coleta e organização

A idéia é de você observar o que precisa, ao seu redor, para sobreviver e interagir.

As pessoas de sua localidade, por exemplo, talvez utilizem o rio para pesca, banho e transporte. Quem sabe a vida gira em torno da aldeia e a floresta é fonte de subsistência.

Portanto aí estão alguns dos elementos que procura. Você precisa saber articular expressões e conceitos como rio, igarapé, água, peixe, isca, anzol, canoa, remo, casa, aldeia, mata, caça, comida, fruta... .

Se o ambiente onde você se encontra é uma cidadezinha interiorana da África perceberá que as pessoas ao seu redor circulam diariamente pelo mercado central. As crianças vão à escola e brincam nos campos das circunvizinhanças. O comércio de animais é central para a subsistência e todos se reúnem nas mesquitas. Aí estão alguns elementos que você procura. Precisaria saber compreender o conceito e articular mercado, rua, compra de animais, campos, escola, mesquita, professores....

Escreva em seu caderno, ao andar pela aldeia ou cidade, o que você (através da observação) percebe que precisa obter. Use a comunidade (mais que o informante lingüístico) para obter o que você precisa. Neste caso a coleta será um ato mais informal, diário e relacional.

No processo de coleta você deve usar algumas ferramentas. A mais importante é a observação seletiva, a fim de identificar aquilo que lhe será útil. Também caminhe provido de um caderninho de coleta (rascunho) e um lápis, que servirão para anotações durante as caminhadas pela comunidade. Tenha em casa um arquivo (em computador) ou um caderno fixo para onde passará todas as informações colhidas, de forma mais organizada. Sugerimos que tenha também um gravador (se digital, preferível que tenha conexão USB com o computador) para registro em áudio de termos e pequenas partes de conversações.

Há diferentes formas de você organizar o material colhido. Minha sugestão é que você tenha, inicialmente, três arquivos ou cadernos principais.

No primeiro caderno (ou arquivo) você trabalhará com o material coletado. No segundo caderno (ou arquivo) você trabalhará com a análise da língua, se for o caso. No terceiro
caderno (ou arquivo) você desenvolverá um dicionário básico.

O primeiro caderno.

Ele deve ser dividido em três partes. A primeira será dedicada aos substantivos e partículas afins. A segunda será dedicada aos verbos e partículas afins. Na terceira você registrará as pequenas frases. Em todos os termos colhidos (nas três partes) você deverá preferencialmente fazer também o registro fonético de cada termo. Caso consiga registrá-lo também em áudio anote em que arquivo (ou fita) de áudio aquela lista se encontra.

O segundo caderno.

Este é dedicado à análise lingüística e aqui devemos compreender a grande diferença entre línguas já analisadas e outras que estão em fase de análise, ou ainda as totalmente ágrafas. Este caderno terá maior valor para as em fase ou não analisadas. Há diferentes roteiros para tal e se você fez um curso lingüístico possivelmente já terá uma ótima orientação. De forma resumida podemos afirmar que analisar uma língua é descrever sua estrutura e explicar a relação entre som e significado. Divida este caderno também em três partes. Em uma abordagem mais estruturalista podemos denominar tais partes como lexical, sintática e fonológica.

Neste segundo caderno, destinado à análise lingüística, você pode inicialmente estudar três categorias gramaticais: substantivos, verbos e partículas. Separe uma área para listar os substantivos. Observe os marcadores ou partículas que determinam o gênero (masculino ou feminino) e o número (singular ou plural). Prepare exercícios que lhe ajudem a utilizar os substantivos de forma apropriada. Separe uma área para listar os verbos. Observe os marcadores de tempo e devidas conjugações. Faça exercícios que o leve a praticar as conjugações verbais. Utilize um plano inicial mais simples (passado, presente e futuro). Separe uma área para listar as partículas, preposicoes e conjunções. Crie exercícios que lhe ajudem a utilizá-las em seu determinado contexto.

Terceiro caderno

Este caderno (ou arquivo) será dedicado à um dicionário inicial, por ordem alfabética. Separe o caderno (ou arquivo) em partes, de acordo com o alfabeto da língua estudada deixando espaço para pelo menos 300 termos em cada letra. Este será seu dicionário de referencia. Deixe espaço para, após cada nova palavra, escrevê-la também foneticamente além de, entre parênteses, poder registrar alguma explicação rápida sobre a mesma (uma linha no máximo).

Os registros em áudio devem ser também organizados por sessão (quando uma sessão formal com o informante lingüístico), por assunto (quando através de coleta livre na comunidade) ou por área de estudo (no caso de registro de listas, vocabulário etc). Tenha também um arquivo específico para registro de a) frases; b) pequenas histórias; c)
exercícios.

Estudo e análise

Estude e aprenda o que você colheu, seja com o informante lingüístico ou com a comunidade. Separe os verbos, os substantivos, liste um vocabulário crescente, estude o sistema lingüístico básico daquilo que você colheu. Para isto você utilizará os três cadernos. Ouça tudo o que gravou várias e várias vezes, em diferentes horários. Neste caso 20 minutos, três vezes ao dia, lhe renderá bem mais do que uma hora corrida. Seu cérebro absorverá mais, e com menos cansaço, as informações.

Avalie o caminho de seus estudos. Tanto a sua eficácia quanto sua facilidade. Use métodos simples e claros para você. Se necessário simplifique o processo. Avalie os termos aprendidos, a compreensão gramatical e também a prática. Estas áreas precisam estar em equilíbrio.

Cada um poderá utilizar o tempo que lhe for necessário para o estudo e análise. De forma geral creio que, para um estudo lingüístico intencional e prioritário, o ideal seria não menos do que 3 horas por dia, de segunda a sexta, somando 15 horas semanais e aproximadamente 60 horas mensais. Não incluímos aqui o tempo para prática e uso da língua no trânsito da comunidade mas sim para estudo mais formal, de análise, compreensão, sessões com informantes, exercícios e organização do material.

Sugiro que você considere adquirir o LinguaLinks Library 5.0 da SIL[vi] que contém centenas de textos e livros digitalizados acerca da análise lingüística bem como do aprendizado de línguas.

Prática e convívio

Para tal é necessário sair e estar com o povo. Use de forma intencional e também não intencional, informal, aquilo que você está estudando. Pratique com as crianças e não somente com adultos. Crianças são, neste estágio inicial, ótimos interlocutores. Teste o quanto eles compreendem de suas expressões. Peça para que lhe corrijam. Transite em meio à comunidade e, estando lá, evite utilizar sua própria língua.

Tenha algumas frases facilitadoras que lhe ajudem como: fale mais devagar por favor, ou pode repetir por favor ?, ou ainda como isto se chama ?, e assim você poderá colher e corrigir seu material de estudo.

Procure selecionar os ambientes melhores ambientes de aprendizado. Se naquele dia os termos que você deseja estudar são mandioca, farinha, beiju, forno e comida, transite pela casa de farinha ou cozinha das famílias mais próximas, se possível, e use seu vocabulário. Neste momento o importante não é o quanto você analisa (sabe explicar) mas sim o quanto você comunica.

Tomaremos como sugestão geral 15 horas semanais pois esta talvez seja a realidade da maioria que se organiza entre outras tarefas para aprender uma nova língua.

Assim o formato seriam 3 horas diárias, de segunda a sexta, perfazendo as 15 horas semanais. Diariamente seriam distribuídas da seguinte forma: uma hora com o informante, uma hora de estudo individual com os dados colhidos, uma hora de prática. Ao longo de 1 ano (com 10 meses de estudo) você terá estudado (e praticado) 600 horas na língua alvo, o que é algo relevante.

Escolha o melhor horário para sua hora com o informante, especialmente pensando no informante em si. Inicialmente o casal pode compartilhar este momento, porém é possível que o desenvolvimento de um seja mais rápido que do outro e assim o tempo seja, em um segundo momento, melhor aproveitado separadamente. Ser houver dificuldade de manter o informante atento ou assíduo compartilhem estes momentos (casais ou amigos) para aproveitarem melhor cada oportunidade.

Escolha o melhor horário para seu estudo individual. Preferencialmente um momento tranqüilo em um ambiente no qual você possa ouvir o que gravou, ler em voz alta o que escreveu e praticar sem problemas.

Escolha o melhor horário com o povo, para praticar. Dê preferência ao momento em que estão mais tranqüilos mas também os acompanhe em suas atividades diárias. Se você puder ajudá-los em algumas de suas tarefas diárias poderá também utilizar este momento para sua prática do dia.

Pensemos no uso do tempo na prática da língua.

Gaste a primeira meia hora praticando aquilo que você estudou e aprendeu. Gaste a outra meia hora inovando, testando novas formas, ouvindo e percebendo as nuances da língua.

Apesar de você separar apenas 1 hora diária para tal prática deverá aproveitar as oportunidades para se expor ao contexto em que a língua é falada de maneira informal.

Exposição contínua a uma língua é um ato dos mais benéficos para o seu aprendizado. Se puder aumente para 2 ou 3 horas este tempo de exposição e prática e o ganho será maior.

Tenha amigos preferenciais. São aqueles que gostam de lhe ouvir, lhe corrigir ou simplesmente interagir com você. Transite entre eles durante sua prática diária.

Tenha cuidado de não se aproximar demasiadamente, nesta altura, de pessoas que não utilizam o dialeto que você estuda, em caso de distinção dialetal.

Volte de sua prática tendo em mente (e escrevendo) aquilo no qual você progrediu, se comunicou bem, e aquilo que precisa de investimento, seja na fonética ou na gramática.

O informante e a preparação das sessões

Para receber seu informante durante uma sessão de aprendizado prepare-se com um gravador (alguns preferem o digital com entrada de USB, para o notebook), caderno de anotações e um ambiente tranqüilo, se possível.

Prepare as sessões com antecedência. Se puder, prepare-as com o informante ou pelo menos mencione os assuntos para que ele tenha tempo de pensar em como melhor explicá-los.

Seja flexível. Se o informante não aparecer, ou estiver muito indisposto naquele dia, utilize o material que você dispõe para o estudo e prática. Se a pontualidade e disposição do informante forem problemas em seu contexto, pense em contratar 2 ou mais informantes.

Deixe que o informante sugira o dia e hora de estudo. É importante que ele se sinta a vontade e motivado. Planeje (e deixe claro em acordo verbal, ao menos) o pagamento que ele receberá. Anote em um caderninho as horas estudadas com ele e o pagamento a receber ou recebido, sempre anotando perante ele para que tenha oportunidade de tirar alguma dúvida ou fazer sugestões sobre o pagamento.

Normalmente o pagamento poderá ser feito por horas de estudo ou por sessões, sempre com um valor fixo de preferência.

Confira os dados fornecidos pelo informante com o povo local a fim de avaliar se são acurados.

Grave toda a lição. Depois você poderá retirar o que lhe for mais útil e separar em um arquivo específico.

Escreva os dados obtidos. Seja em um notebook ou um caderno de estudos, trabalhe fazendo um rascunho que depois poderá ser melhorado. Não gaste tempo demais, com o informante, organizando seu material. Você pode fazer isto mais tarde.

Tenha momentos de revisão de todo o material pelo menos a cada 15 dias, com o informante. Seria uma revisão geral a cada duas semanas com o objetivo de recapitular com ele os dados colhidos e como estão sendo utilizados.

Ao preparar uma sessão (não mais do que 1 hora e meia por dia, a não ser em caso de um informante muito qualificado ou disponível) pense em um tema colhido da vida diária, especialmente se você estiver no nível 1 ou 2. Por exemplo, o beiju. A sessão, assim, deve circular entre os elementos (roça, mandioca, colheita, ralo, farinha, tipiti, massa, forno, beiju etc), e as atividades (roçar, plantar, colher, escolher, descascar, ralar, torrar, fazer, comer etc). Nos níveis 3 em diante acrescente também os valores (dignidade, saciedade, segurança alimentar etc). Desta forma você poderá focar bem no que deseja aprender naquela sessão e explorar ao máximo a coleta e estudo das informações.

Numa sessão você pode ter perguntas objetivas (leve um vocabulário a aprender), uma atividade a ser feita com ele para colher informações não planejadas (desenhos, figuras, representações etc) e prática pontual (normalmente fonética) além de construção gramatical (discussão para compreensão da estrutura da língua). Sessões bem preparadas
são um grande impulso para o aprendizado.

Um exemplo de preparação de sessão.

Suponhamos que você deseja estudar, no dia seguinte, a mata e seus elementos correlativos. Inicialmente faça uma lista de substantivos bem como verbos associados à mata.

Você certamente listará termos como árvore, casca, galho, frutos, semente, terra, igapó, igarapé, peixes, animais..., bem como caçar, pescar, derrubar, colher.... e assim por diante. Esta lista será usada para desenvolver o assunto com seu informante lingüístico durante a sessão.

Colha também alguns elementos ligados à mata para que possa ser visualizado durante a sessão. Assim você poderá ter sobre a mesa algumas frutas, sementes, folhas e assim por diante.

Tenha sempre em mão papel e lápis de cor (ou canetinhas coloridas) se seu informante lingüístico gostar de desenhar e pintar, o que é sempre positivo.

Tenha um alvo claro para cada sessão. Neste caso seria a coleta de vocabulário sobre a mata. Poderia ser uma prática de exercícios para correção fonética e assim por diante.

Com o alvo claro em mente a sessão caminhará de forma bem objetiva.

Na condução da sessão com seu informante, tente manter o ambiente o mais calmo possível. Tenha um local de trabalho padrão. Seria aconselhável uma mesa com duas ou três cadeiras. Traga para a sessão apenas aquilo que você irá usar. Abundância de papéis, escritos e cadernos poderá desviar a atenção de seu informante lingüístico. Explique claramente o objetivo daquela sessão, logo no início, e mostre o material com o qual trabalharão.

No caso de coleta de vocabulário e compreensão do ambiente da mata, inicie com o que for visual, como as sementes e frutos que estão sobre a mesa, e desenvolva uma conversa sobre o assunto. Permita que o informante também traga descrições da mata e não apenas responda suas perguntas. Por fim, de forma mais objetiva, utilize a lista para colher os dados dos quais precisa.

Se estiver gravando a sessão, o que é sempre recomendável, separe uma fita (ou arquivo digital) do gravador apenas para o vocabulário. Ou seja, nesta fita (ou arquivo digital) você estará já gravando o vocabulário colhido, de forma organizada (peça que o informante fale cada termo 2 vezes) e seguindo uma lista preestabelecida. Estas fitas (ou arquivos) de vocabulário, portanto, já estarão prontas para exercício de audição, pronúncia e memorização.

O estudo individual

Neste momento você deve ter em mãos os três cadernos, se estiver utilizando esta forma de organização. Alguns, ao longo do tempo, percebem que os cadernos (ou arquivos) conterão um material vasto demais e irão preferir concentrar em algumas áreas práticas para o momento do estudo individual. Neste caso, especialmente nos níveis 1 e 2, você pode ter um caderno para o estudo individual onde você concentrará as seguintes categorias:

Entradas gerais – termos coletados

Frases simples e complexas

Verbos e aplicações em frases simples e complexas

Gramática geral

Sessões com o informante

Sugiro que inicie o estudo individual organizando rapidamente seu material e repassando a lição aprendida na sessão do dia. Ouça os termos principais gravados, repasse e memorize o significado, junte o que foi aprendido das sessões anteriores.

Retire um momento (normalmente não menos do que 30 minutos por dia) para estudo e compreensão gramatical.

É importante saber que, em relação a uma língua, a quantidade de material colhido não é determinante para a fluência mas sim o domínio que você tem do material estudado.

Assim não se preocupe em cobrir muitas áreas, termos, expressões. Preocupe-se em dominar aquelas que você estuda. Isto obviamente não se aplica a quem tem acesso limitado à comunidade falante da língua alvo. Neste caso talvez seja necessário você gastar (quando entre eles) 60% do seu tempo na coleta e 40% na prática dedicando-se à análise quando ali não puder efetivamente estar.

Separe os termos ou frases nos quais você tem dificuldade fonética. Divida-os em partes menores e faça exercícios de prática fonética. Você pode fazer listas com termos que contém sons difíceis de articular (5 a 10 termos com o mesmo som). Pode também fazer listas duplas com termos semelhantes e que se distinguem apenas pelo tom. Pode fazer uma lista de termos laringalizados com os quais você tem dificuldade de expressão e assim por diante.

Separe os termos ou frases nos quais você tem dificuldade de compreensão gramatical. Estude-os posteriormente e separadamente.


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[i] Leia o texto de Hesselgrave – Comunicação verbal e não verbal http://www.antropos.com.br
[ii] Larson 1984: Guidelines for barefoot language learning
[iii] Marshall 1989: The whole world guide to language learning
[iv] Brewster and Brewster 1976: Language acquisition made practical (LAMP): Field methods for language learners
[v] http://www.mk2mk.org/Language
[vi] http://www.ethnologue.com/LL_docs/contents.asp

Última atualização em Seg, 06 de Abril de 2009 01:57

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