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O Uso de Imagens em Aprendizagem de Compreensão de Línguas

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tradução pela




 

CLM









The Use of a Book of Photos in Initial Comprehension Learning

 

por

© Greg Thomson

1989

 

 

Sumário

 

1. Organização do álbum de imagens passo à passo

2. Substantivos, sujeitos transitivos e objetos

3. Outros tipos básicos de orações, locativos e instrumentos

4. Resumo da primeira semana

5. Estruturas mais complexas

6. Não é possível aprender tudo usando apenas um método!

7. Uso menos estruturado

8. Uso monolíngüe

9. Uso posterior e um planejamento melhor do álbum de imagens

Conclusão

Referências bibliográficas

 

Apresentação

 

O presente trabalho de Greg Thomson mostra como organizar e usar um álbum de imagens para a compreensão na aprendizagem inicial em uma segunda língua. Descreve que tipos de imagens coletar e como você pode usá-las de diversos modos com um falante de uma outra língua para aprender a entender uma variedade de vocabulário e estruturas gramaticais.

Esse artigo, em conjunto com outras obras do autor sobre a aprendizagem de línguas, pode ajudá-lo a desenvolver rapidamente sua compreensão auditiva numa segunda língua.

 

1. Organização de Álbum de Imagens

Há muitas maneiras de se organizar um álbum de imagens. Além do mais, álbuns de imagens distintos podem ser concebidos com diferentes propósitos. A organização a que me refiro aqui é a daquele álbum de imagens que se pode usar logo nos primeiros dias da aprendizagem da nova língua. Será especialmente útil entre as primeiras quatro ou seis semanas, quando o aprendiz estará procurando adquirir um vocabulário de mais de mil palavras e estruturas gramaticais suficientes para uma funcionalidade mínima na comunicação. O álbum de imagens deverá ser usado em conjunto com outras técnicas comunicativas, como a Resposta Física Total (daqui adiante RFT).

Numa conferência que participamos, o álbum de imagens que utilizado por nós tinha aproximadamente cem fotos. Gastou-se duas horas para se tirarem as fotos e mais uma a duas horas para montá-las em um álbum preliminar.

O objetivo no agrupamento das fotos era que cada uma tivesse uma ou mais pessoas como personagens principais e elas estivessem envolvidas, de algum modo, na maioria dos eventos, fosse com outra pessoa ou com objetos (sendo os objetos a última opção). Assim estaria pronto o cenário para a coleta de orações transitivas simples.

2. Substantivos - sujeitos transitivos e objetos

Seguem algumas instruções para a utilização de imagens na de compreensão de substantivos (em posição de sujeito e objeto) em uma segunda língua.

Primeiro Passo: Identificar as pessoas nas imagens

Comece com os substantivos mais genéricos, tanto singular como plural: homem, homens, mulher, mulheres, menino, menina, pessoas, crianças etc. Comece com apenas 2 fotos – uma de um homem, e outra de uma mulher. O Assessor Lingüístico (daqui em diante AL) dirá apontando:

Este é um homem; esta é uma mulher, esta é uma mulher, este é um homem ..... - Mostre-me a mulher, mostre-me o homem.

Agora acrescente uma foto de um menino. O Assessor dirá

Este é um menino; este é um homem; esta é uma mulher, este é um menino; esta é uma mulher, este é um homem ..... - Mostre-me o homem, mostre-me o menino, mostre-me a mulher

A assim em diante com todas as palavras básicas que identificam as pessoas – menino, menina, crianças, homens, mulheres, homem velho, mulher velha, nenê, jovem, etc. Sempre adicione uma palavra nova por cada vês, e voltando a repetir todas as palavras aprendidas. Depois de identificar as imagens, o assessor deve ser instruído para fazer as suas perguntas ou instruções sempre fora de ordem, misturando a ordem cada vez para que nunca seja previsível a resposta. Isso faz com que você seja forçado a compreender e processar a língua desde o início. Também o assessor vai precisar repetir muito mais do que ele acha necessário – isso é normal. O aprendiz precisa exigir a quantidade de repetição necessária para ele.

Segundo Passo: Identificar os objetos relacionados às pessoas nas imagens

O AL diz:

Este é um balde; esta é uma pá; mostre-me a pá; mostre-me o balde; este é um carrinho; mostre-me a pá; mostre-me o carrinho; esta é uma bicicleta; mostre-me o balde; mostre-me a bicicleta; mostre-me o carrinho; mostre-me o balde; a bicicleta; o balde.”

Repita esse procedimento várias vezes em cada página do álbum até que a palavra se torne familiar. O AL deve gastar o tempo necessário em cada página a fim de que haja uma boa assimilação.

Terceiro Passo: orações transitivas simples

A bem da verdade, poderá acontecer de você encontrar mais do que somente orações transitivas. Use apenas poucos verbos transitivos, como: ter, usar, tocar (pegar) e ver.

De acordo com o que o AL falar, o aprendiz responderá “falso” ou “verdadeiro” na sua própria língua, ou em alguma outra que seja comum a ele e ao AL. Exemplo:

Este homem tem uma pá; este menino tem um balde; estas pessoas têm cadeiras; este homem está tocando na pá; esta mulher está olhando para o balde.”

Se as orações relativas forem suficientemente claras, este passo poderá incluí-las:

Mostre-me o homem que está usando o balde. Mostre-me o homem que não está usando o balde.”

A essa altura, o aprendiz estará compreendendo orações com sujeito, objeto e verbo.

3. Outros tipos de constituintes básicos nas orações - locativos e instrumentos

Quarto Passo: muitos verbos

A compreensão de orações transitivas simples é um bom princípio no qual se fundamentam os próximos passos. Tal como os substantivos não-humanos (coisas, objetos) no segundo passo, a aprendizagem de uma variedade mais ampla de verbos a partir das imagens exigirá mais tempo em cada página para que o vocabulário se torne conhecido.

Neste ponto, tanto verbos transitivos como intransitivos devem ser incluídos:

Este homem está sentando; esta mulher está se levantando; quem está sentando?” (o aprendiz responderá apontando); mostre-me quem está se levantando; este homem está trabalhando; esta mulher está descansando; mostre-me quem está se levantando; mostre-me quem não está levantando; mostre-me quem está descansando; mostre-me quem está trabalhando; este homem está em pé? este homem está sentado?”

As respostas podem ser dadas pelo acenar de cabeça para dizer “sim” ou “não”; ou ainda através da língua de contato.

Nota importante: Em minha experiência, o AL nem sempre concorda com a excessiva repetição que é necessária. Então, ele deverá ser treinado para fornecer as repetições adequadas e ser lembrado disso com certa freqüência.

 

Quinto Passo: orações existenciais, mais substantivos, locativos e instrumentos

A esta altura, o aprendiz já é capaz de reconhecer dezenas de palavras, a maioria substantivos e verbos. Há, potencialmente, um grande número de substantivos “escondidos” nessas imagens. Orações existenciais e frases com locativos proporcionam contexto natural para o uso desses substantivos. O método “verdadeiro ou falso” poderá ser usado. Perguntas tipo “sim/não” podem ser feitas. É bom perceber que a resposta na língua alvo diminui drasticamente o poder de retenção. Na maioria dos casos é melhor responder na língua de contato. Também “Mostre-me...”, “Aponte para...”, “Toque em...” e imperativos em geral poderão ser usados. “As instruções do AL poderão levar o aprendiz a procurar a página da foto onde a resposta apropriada à pergunta se encontra”. Exemplo:

Nesta foto (nesta página) tem um homem (V ou F?); “ele está sentado num banco; há uma bicicleta na frente dele; mostre-me uma janela; toque o solo nesta foto; mostre-me o homem que está trabalhando com a pá.”

Novo vocabulário deve ser introduzido aos poucos, com muita repetição, é claro. Uma boa meta para as primeiras semanas é um aumento diário de trinta itens.

4. Resumo da primeira semana

O material descrito até aqui cobriu por volta de uma semana de uso do álbum de imagens. Durante essa mesma semana também se incluirá sessões de aprendizagem com atividades de RFT, tendo o acompanhamento de um conteúdo gramatical, fazendo o uso de objetos concretos.

O aprendiz poderá gastar até: (1) uma hora preparando cada sessão, (2) uma ou duas horas na sessão, (3) duas ou três horas fazendo revisão com o gravador, (4) deixando mais uma hora para fazer anotações de natureza mais analítica (áreas gramaticais).

Avançando – a ênfase continua ainda nas orações simples

De agora em diante nós não iremos mais falar sobre passos individuais através do álbum de imagens. Os itens gramaticais mais detalhados que serão discutidos poderão ser incluídos de várias maneiras e estruturações.

Categorias pronominais e de concordância

As imagens naturalmente conferem a si mesmas orações na terceira pessoa do singular e do plural. Contudo, levando em conta que o álbum de imagens está sendo usado num contexto de interação, torna-se fácil manipular a comunicação para a primeira e segunda pessoas, como se pode ver a seguir:

Eu estou tocando o balde e você está tocando a pá (V ou F?); você está vendo um homem velho? eu estou vendo um homem velho? (O aprendiz e o AL concordaram em olhar páginas separadas – o aprendiz olha a página do professor só para responder a pergunta).

É necessário ter dois aprendizes ou um outro AL voluntário para que se possa incluir de forma mais eficiente a primeira e segunda pessoas do plural, inclusiva e/ou exclusiva. Havendo uma terceira pessoa na sessão, sendo um outro aprendiz ou AL, implica em importantes vantagens, porque proporciona uma maior variação dos tipos de orações (Um aprendiz com quem trabalhei inseria no ambiente da comunicação vários personagens fictícios colando papéis na parede da sala, o que permitia uma boa flexibilidade sobre quem e o que eram.).

Exercícios mais detalhados com a primeira e segunda pessoas poderão aparecer quando o AL estiver falando sobre o que as pessoas nas imagens podem estar pensando. Isso será particularmente útil quando combinado com as distinções de tempo/aspecto apresentadas abaixo.

Quando eu falo de categorias de concordância, neste ponto, estou pensando basicamente sobre o gênero e usarei o masculino e o feminino para ilustrar. Em Urdu, por exemplo, o pronome não marca o gênero, mas a concordância de gênero é marcada nos verbos e em muitos adjetivos.

O Aprendiz e o AL olham juntos uma página do álbum de imagens. É importante que haja mais do que uma imagem possível às quais se possam aplicar aceitavelmente uma declaração, onde o gênero seja o fator decisivo para determinar a qual figura o AL se referiu. O aprendiz responderá apontando:

Ele/ela está sentado(a); eles/ela/ele está perto do bebê; ele/ela é alto(a)/baixo(a); este/esta (objeto, coisa) é vermelho/(a).”

Utilizando todos esses exercícios, o aprendiz, depois da sessão com o álbum de imagens, pode sentar-se gravando e respondendo à fita como se estivesse respondendo ao AL. Isso é muito útil nos casos onde o AL não está disponível por muito tempo para as sessões diárias. Também poupa o AL de monotonia e frustração.

Tempo/Aspecto

Haverá um ou dois tempos ou aspectos, ou combinações de tempo/aspecto, que serão espontâneos em relação às imagens. A esta altura, o aprendiz já terá sido exposto muitas vezes a essas situações. É fácil aprender a reconhecer uma variedade de combinações de tempo/aspecto em conjunção com o álbum de imagens. Enquanto seguimos dessa maneira um conteúdo gramatical, nós sempre teremos em mente as necessidades mínimas para funcionalidade na comunicação lá pelo terceiro mês, utilizando um pidgin pessoal. Sob esse aspecto, ainda que haja uma ampla gama de distinções de tempo/aspecto, o princípio mínimo indispensável é que o aprendiz seja capaz de falar o que aconteceu, o que está acontecendo ou o que vai acontecer. As orações se referem ao que está acontecendo nas imagens e no ambiente circunstancial (precedendo ou seguindo), ou podem se referir ao que o aprendiz ou o AL está fazendo ou em vias de fazer. As seguintes estruturas são úteis:

Quando esta foto foi tirada...”; “antes desta foto ter sido tirada...”; “depois desta foto ter sido tirada...”; “antes disto, este homem dobrou a roupa”; “depois disto, o homem vai estender a roupa”.

No caso das últimas duas orações, se o homem está passando a roupa, então, para ambas as declarações, a resposta é: falso, uma vez que ele primeiro tem que estender a roupa (para poder passar) e só depois (de passar) pode dobrá-la (para guardar).

Outras atividades são recomendadas:

Eu vou tocar num homem que está trabalhando...”; “será que eu fiz o que eu disse?”; “‘eu só toquei em alguém que era velho.”

Constituintes de Frases Nominais

A maior parte desse tipo de dados (constituintes de frases nominais) surgirá sem muito esforço. Da mesma forma, nem tudo da língua será abrangido por este método. Por exemplo, métodos de RFT são mais eficazes na aprendizagem de numerais. Pelo uso da moeda corrente é possível abranger uma longa seqüência de números em exercícios de comunicação. Veja exemplos:

Todas as pessoas desta foto estão comendo”; “nesta foto há três meninos pequenos e três meninos grandes”; “alguém deu uma xícara de chá a este homem.”; “esta senhora está limpando um pouco de arroz.”

Negação, Interrogação, Imperativo, Modalidade e Voz

Negação de orações deverá ter aparecido sem qualquer planejamento durante a primeira semana; junto com essas orações haverá palavras para “não”. Além disso, já estivemos usando perguntas “sim/não”. Perguntas de conteúdo ou perguntas de identificação (ou construções de funcionalidade similares) são fáceis de lidar.

Quem/o que ele está olhando?” (pode ser respondida na língua de contato); “onde ele está sentado?”; “com que ela está trabalhando?”; “o homem está sentado perto do fogo, certo?”

A esta altura já se deverá estar acostumado com ordens e comandos, ainda mais se o álbum de imagens estiver sendo complementado com atividades de RFT. O aprendiz não deverá perder a oportunidade de aprender expressões de cortesia. Pedidos e ordens poderão abranger várias formas não imperativas. Dramatizações de diferentes formas de relacionamentos durante as sessões, como por exemplo, mãe e filho, professor e aluno, cidadão e governador etc., possibilitam aprender variações dessas expressões de cortesia.

Modalidade - o aspecto verbal modalidade refere-se a uma possibilidade, probabilidade, certeza e outros, como em “Talvez este homem possa estar fazendo sapatos”.

Voz - a voz principal que nos interessa é a voz passiva, uma vez que os verbos ativos podem ser encontrados em abundância! Provavelmente, o uso mais comum da passiva envolve formas em que se evita mencionar o agente. Exemplo: “Esta árvore foi cortada”. As complexidades se verificarão mais na morfologia verbal. Se o aprendiz compreender as passivas sem o agente, e esse agente pode ser inserido na seqüência oracional, a aprendizagem de passivas com o agente expresso se dará de forma simples. Usando modelos, como “quando essa foto foi tirada...” ou “quando essa foto foi tirada por ...” podem revelar muitas formas da passiva.

Coordenação e fenômenos associados

Verbos podem ser coligados. No entanto, poderá haver construção na qual existirá uma série de eventos subordinados, com apenas um deles marcado como o principal. Por exemplo: “Ele está sentado num banco e comendo uma maçã” poderia conduzir o aprendiz a muitas direções gramaticais, dependendo da língua. No nível da frase, substantivos podem estar desempenhando função de: sujeito, objeto, locativo, instrumento etc. Orações podem ser ligadas por conjunções neutras.

Outros assuntos relacionados a sintagma nominal

Um sintagma nominal no nível mais expandido, poderia ficar assim: “todas aquelas sete crianças assustadas”. As línguas diferem no que elas permitem como componente mínimo no sintagma nominal. Depois de duas semanas a um mês de aprendizado, o aprendiz tem recursos suficientes para testar esse tipo de estrutura usando locuções do tipo: “todas”, “todas aquelas”, “todas sete”, “aquelas assustadas” e “aquelas”, esgotando, assim, as possíveis frases nominais (na posição de sujeito é o ideal). Uma vez que o AL tenha a idéia de redução dos sintagmas nominais, ele poderá explorar no álbum de imagens a variedade de possibilidades que a língua permite.

Se você pede ao AL que conte uma “história” de três ou quatro orações, usando vocabulário que ele pressupõe que o aprendiz saiba, em relação a cada imagem, permitirá ao aprendiz observar o fenômeno da “definibilidade” e referência anafórica (uso de pronome e outros referenciais). Lembre-se, a meta é a compreensão, não a análise. Portanto, não é necessário dominar esses assuntos. Contudo, é bom que o aprendiz possa marcar esse gênero de coisas na sua lista de conteúdos gramaticais, dando a entender que está tendo contato com elas na comunicação, com um bom nível de compreensão.

Finalmente, os substantivos genéricos podem ser usados, como em: “Este homem gosta de tomar chá. Este homem cria gado.”

Papéis Nominais

Aqui estamos mais interessados em papéis oblíquos (não essenciais ou obrigatórios), sendo que os papéis desempenhados tipicamente pelos sujeitos e objetos (que são essenciais ou obrigatórios na oração) já foram exemplificados anteriormente.

  • Interlocutor:Com quem este homem está falando?”

  • Beneficiário: “Na próxima página eu tocarei o lado de uma mulher que está fazendo pão para o seu marido”.

  • Companhia: “Mostre-me o garoto que está em pé com o pai”.

  • Instrumento (Meio): O homem desta foto está viajando de ônibus.”

  • Destino: “Estas pessoas estão indo para o poço”.

  • Origem: “Eles, provavelmente, estão vindo de casa”.

5. Estruturas mais complexas:

De imediato, serão usadas muitas formas de orações complexas. O objetivo de usar uma lista de conteúdos é ter a certeza de cobrir todos os itens ainda não abordados.

Se as imagens forem discutidas levando em conta o que as pessoas em questão estão pensando ou querendo, ou o que elas poderiam dizer sobre o que elas estão fazendo, as orações complementares se mostrarão.

Ordem implícita: “Ele está indo falar para essas crianças saírem”.

Declaração implícita: “Ele está pensando: Por que este homem está me fotografando?”

Interrogação implícita: “Esta pessoa não sabe o que está bebendo”. Perguntas implícitas podem muito bem fornecer um outro padrão que exponha todos os tipos de palavras interrogativas.

Verbo perceptivo: “Este homem não pode me ver tirar foto dele”.

Oração com sujeito declarativo: “É bom que esta mulher esteja fazendo pão para sua família”.

Predicado Modal: É certo que este homem comprará algumas verduras.

 

Orações relativas já foram usadas em exemplos anteriores. Em dado momento, o aprendiz desejará ter certeza de que, pelo menos sujeitos e objetos relativos, bem como oblíquos relativos, tenham sido estudados.

Sujeito relativo: “Nesta página há três pessoas que estão fazendo coisas”.

Objeto relativo: “Mostre-me alguém a quem a criança está empurrando”.

Oblíquo relativo: “Mostre-me a janela em frente da qual não tenha ninguém.”

 

Há estruturas alternativas para orações relativas, como, por exemplos, os particípios. Em muitos idiomas se encontram expressões tais como a parte marcada da seguinte frase: “Um homem comendo pão estava sentado do outro lado da rua”. Nestes casos, o verbo é usado como adjetivo. Se isso for um tipo de expressão comum, será fácil fazer com que o AL construa orações com particípio, modificando a personagem principal em cada imagem.

Orações adverbiais: Finalmente abordaremos exemplos de orações comumente rotuladas como adverbiais. Assim como nas distinções de tempo/aspecto, nosso objetivo não é, necessariamente, abranger tudo neste estágio da aprendizagem da língua. O objetivo é que, por volta do terceiro mês, o aprendiz tenha recursos suficientes a fim de alcançar habilidade funcional na conversação. Em geral, as línguas se superam nesses recursos que vão além das necessidades mínimas do aprendiz.

Orações de causa: por exemplo, podem ter a forma de “Ele está bravo com a minha vinda”. Mas há outras opções, tais como, “Ele está bravo porque eu vim.” As partes em itálico são exemplos do que nos referimos como Orações Adverbiais Simples. O aprendiz precisa familiarizar-se com alguns padrões para expressar a relação de causa. Ao terminar o primeiro ano, já terá se familiarizado com todos os padrões principais destes tipos de orações.

Causa: “Esta mulher está fazendo pão porque ela precisa alimentar a sua família”.

Causa e efeito: “Porque as crianças desta mulher estão com sede, e ela precisa lavar roupa, ela está carregando água.”

Propósito: “Esta mulher está fazendo pão a fim de alimentar a sua família.”

Meio: “Esta mulher está sustentando a sua família fazendo pães.”

Participial/Pano-de-fundo: Levantando-se e atravessando a rua, este homem montou na sua motocicleta.”

 

As Orações adverbiais complexas (também chamadas dependentes), são demonstradas pelo seguinte:

Concessão (contra-expectativa): “Mesmo estando quente, esse homem ainda está trabalhando”

Condicional:Se esse homem derramar a xícara de chá, ela quebrará.”

Condicional (contra-factual): “Se esse homem fosse rico, ele não estaria trabalhando no sol.”

 

Há ainda alguns comentários mais específicos sobre orações complexas.

Primeiro, no treinamento de estudantes para usar os métodos, é bom que se reúna em grupo e se improvise várias orações de cada tipo que possam associar-se com cada imagem. Quanto mais óbvia for a relação da oração com o cenário da imagem, melhor, porque uma vez estabelecida uma conexão da oração com a imagem, essa se presta para fornecer o contexto situacional, o que ajuda na compreensão da oração.

Presume-se que para usar esses métodos tão cedo na aprendizagem da língua é necessário que o AL seja bilíngüe, sabendo expressar-se em uma língua de contato controlada pelo aprendiz. Minha experiência sugere que os aprendizes que começam o trabalho numa prática monolíngüe fazem muito menos progresso do que aqueles que começam numa prática bilíngüe e depois “passam”, após três a quatro meses de aprendizagem, para a monolíngüe (mesmo em se tratando de bilíngües). Isso deveria ser óbvio, mas é comum a idéia de que os pesquisadores de campo achem que o “monolingüismo” é o método ideal desde o começo do trabalho. Não é o caso de que o bilingüismo se beneficie do processo de aprendizagem, pois o AL não usa a língua de contato durante as atividades reais de comunicação. A vantagem da língua de contato é que o aprendiz pode explicar e exemplificar o que ele deseja que o AL faça. Quando isso é possível, a minha impressão é que o AL pode assimilar rápido e, por exemplo, consegue utilizar uma construção de causa e efeito que esteja obviamente associada a cada imagem. Para tanto, o AL deverá empregar vocabulário e gramática que ele perceba que está ao alcance do aprendiz. Cada vez que uma oração não for entendida, o AL poderá dar o significado usando a língua de contato. Uma revisão completa no álbum de imagens pode ser feita para cada construção, ou para cada combinação destas construções; ou um pouco menos do que uma revisão completa poderá ser feita, dependendo do quanto seja necessário rever até que o aprendiz esteja convencido de que tenha a habilidade de reconhecer a construção ou construções que estão sendo enfocadas. Quando as orações estão gravadas numa fita cassete, elas proporcionam oportunidades mais detalhadas para um exercício tranqüilo de compreensão, usando o gravador e o álbum de imagens juntos.

6. Você não pode aprender todas as coisas através de um único método

Há algumas construções que não são apropriadas para o uso do método do álbum de imagens. Entre elas estão: objetos indiretos (e tipos de orações associadas), reflexivas, recíprocas, de destino, de origem, companhia e direção. Essas estruturas são mais facilmente aprendidas através do método de RFT. Além disso, a maioria das construções que podem ser aprendidas pelo método do álbum de imagens também podem ser aprendidas pelo método de RFT.

Vale ressaltar que alguns assuntos, como o conteúdo gramatical, podem não ser tão bem explorados por métodos de RFT como o são pelo método do álbum de imagens. Entre os dois métodos, o aprendiz pode desenvolver rapidamente a habilidade para compreender um bom número de estruturas gramaticais fundamentais.

7. Uso menos estruturado

Um aprendiz com considerável experiência em inglês como segunda língua escolheu usar um álbum com figuras (sem fotos), de maneira bem menos estruturada e mais natural. Passando cada imagem (figura) na seqüência em que apareciam no álbum, o AL apontava e comentava cada uma delas à proporção que o aprendiz assimilava todo tipo de informação associada a cada imagem. O uso desse método possibilita a um aprendiz lingüisticamente treinado a estar atento ao conteúdo gramatical. Outros poderão precisar da ajuda de um consultor no uso deste tipo de método.

Com o uso meticuloso de gravuras simples que mostrem cenários culturais, é possível conseguir mais detalhes e requintes culturais do que o alcançado por minhas fotos. De qualquer forma, isso implica (conseguir boas gravuras) em mais tempo para produzir a mesma quantidade de material das fotos.

8. Uso monolíngüe

Infelizmente, eu ainda não tive oportunidade de empregar esse método do álbum de imagens em uma situação monolíngüe. Há idéias que gostaria de experimentar, mas como ainda não o fiz, não irei discuti-las aqui. Em situações reais de monolingüismo, fui informado que algumas pessoas têm dificuldade de interpretar fotos e que gravuras simples parecem ser mais eficazes. Em qualquer escala, usando imagens e o princípio do aqui e agora, eu sinto que o aprendiz tem mais controle sobre o conteúdo das suas sessões do que se tentasse aprender simplesmente trabalhando na roça, sentado ao redor do fogo ou em qualquer outra ocupação da comunidade.

9. Uso posterior e álbuns melhores planejados

O presente artigo tem demonstrado o uso de um álbum de imagens nas primeiras semanas da aprendizagem da língua como ajuda para uma compreensão rápida na aprendizagem. A principal vantagem é que se aprende mais e de forma mais rápida do que pelos métodos que envolvem memorização, exercícios, e pronúncia desde o início. Uma outra vantagem é que, desde a primeira sessão, a aprendizagem envolve comunicação real: recebendo a mensagem, processando e respondendo. Na maioria das vezes, a resposta limita-se a não mais do que manter a comunicação conectando o significado de cada oração com cada imagem. Mesmo essa resposta mínima já implica que se está processando a oração, o que de fato significa que a comunicação está sendo estabelecida.

Os exercícios iniciais como temos feito são “forçados” e artificiais. Isso também se aplica ao método de RFT. Uma oração como: “Se você está usando qualquer coisa verde, sua esposa gostaria que você fizesse um carinho na cabeça dela, depois ela também fará um carinho na sua cabeça”, é uma excelente oração de RFT, envolve comunicação real, processamento e resposta, mas é inventado e não natural.

O aprendiz será capaz de compreender rapidamente uma ampla gama do vocabulário e de construções. Depois disso, as coisas se tornarão mais naturais e menos forçadas. A conversa será mais espontânea e poderá girar em torno das mesmas imagens, incluindo falar delas de forma real, por exemplo, expressando quem são as pessoas que de fato estão nelas, os aspectos acerca dessas pessoas, as circunstâncias na hora em que foram feitas as imagens etc. Além disso, o álbum de imagens pode ser o assunto de uma conversa com visitantes, fornecendo uma base para a conversação e o aprendizado por tempo indefinido. De qualquer modo, esta poderia ser uma atividade complementar de aprendizagem de língua, uma vez que o aprendiz é capaz de seguir histórias simples, textos de método seriado, etc.

Nosso primeiro álbum de figuras, feito de figuras de revista, não era tão útil quanto o álbum de fotos. Verificamos que foi muito melhor e mais rápido termos batido três filmes fotográficos e organizá-los num álbum temporário. Há muito tempo, eu senti a necessidade de abordar este assunto de uma maneira mais planejada. Seria possível fazer fotos ilustrando todos os passos de um procedimento ou os eventos principais de um ciclo do cotidiano diário ou anual de vida, incluindo as principais diferenças de estágios de um ciclo de vida. Os principais acontecimentos culturais poderiam ser fotografados em detalhes e as fotos poderiam ser organizadas por ordem lógica, de espaço ou de forma cronológica. (Tais recursos podem ser compartilhados entre os aprendizes de uma língua na mesma área cultural).

Ao invés de colocar as fotos em um álbum temporário, outra opção seria deixá-las soltas, junto com atividades de compreensão (posteriormente, com atividades de produção), sendo organizadas e classificadas por ordem.

Conclusão

Esse artigo descreve um método de aprendizagem de língua para aprendizes lingüisticamente treinados. Ele também pode ser adaptado por um consultor à necessidade de outros sem treinamento específico. O pressuposto é que a língua seja adquirida através de experiências de comunicação. Assim, contribui para o objetivo de que todas as atividades de aprendizagem da língua consistam de comunicação real, desde o começo, ainda tirando vantagem da habilidade analítica do aprendiz. Inevitavelmente, o aprendiz lingüisticamente treinado irá perceber certos padrões e fazer generalizações. O fato de passar-se por uma centena de imagens utilizando, por exemplo, orações relativas oblíquas contribuirá para chegar-se a essas generalizações, permitirá que observações substanciais sejam feitas e conclusões sejam tiradas, mas continuará visando o uso monitorado ideal. O processo de descoberta do padrão das orações relativas oblíquas puramente através de trabalho analítico e seu conseqüente emprego à fala de concretos construídos conscientemente contendo orações relativas oblíquas extrapola a exploração do monitoramento. Aprendizes com treinamento lingüístico não correm o perigo de sub-utilizarem o monitoramento. Métodos como esse permitem ao aprendiz se beneficiar de suas habilidades analíticas e de generalizar, ainda que experimentando a língua com comunicação. (Ver Dulay, Burt and Krashen 1982 para o debate do conceito de monitoramento.)

Nosso pré-treinamento de campo precisa mais do que simplesmente reagir aos conceitos populares trazidos ao campo por alguns pesquisadores. Mais amiúde, eu tenho em mente o conceito que eles fazem da língua um objeto de “estudo sobre a língua”, sobre o desejo de se fazerem “lições” para serem “aprendidas” de modo não comunicativo. Certos aprendizes dirão que esse (método não comunicativo) é o seu estilo de aprendizagem. Contudo, há poucas evidências de que o pré-treinamento de campo forneça experiência e confiança suficientes em qualquer outro estilo para permitir-lhes realmente fazer esse julgamento sobre o seu estilo de aprendizagem. Portanto, métodos como esse (comunicativo) não são celebrados com o mesmo entusiasmo entre os aprendizes, exceto quando maiores esforços são feitos no campo para complementar o pré-treinamento em aprendizagem de línguas.

 

Referência

Dulay, Hiedi, Marina Burt, and Stephen Krashen. 1982. Language Two. Oxford. Oxford University Press.





Última atualização em Seg, 11 de Abril de 2011 16:59

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