AIKANÃ

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19/12/2012
AJURU – WAJURU
07/03/2013

AIKANÃ

 

Autodenominação: Aikanã.

Outros Nomes: Aikanã, Massaká, Tubarão, Cassupá, Kasupá, Curumbiara, Wari, Kolumbriara (DAI/AMTB 2010). Kasupá, Corumbriara, Mundé, Winzankyi, Huari, Uari. Entre os Aikanã, Tubarão significa “o povo que mora na aldeia Gleba” (Anonby 2009). Huari e wari não devem ser confundidos com Wari (ou Orowari), que se refere aos Pacaás-novos, da família Txapakura (Vasconcelos 2005).

População: 300 (DAI/AMTB 2010), 180 (2005 SIL). 258 (FUNASA 2010). 85 em 1988 (Vasconcelos 2005).

Localização: Rondônia, a oeste de Vilhena, perto da BR 264, Cuibá-Porto Velho (SIL).  Os Aikanã eram a maioria da população da Terra Indígena (T.I.) Tubarão Latundê e outros do grupo acabaram se considerando Aikanã também (Anonby 2009.3). Existe uma pequena aldeia Aikanã e Kwazá na floresta a oeste do Rio Pimenta Bueno, no Igarapé São Pedro, sua terra de origem (Anonby 2009.4). Vinte e dois moraram em Chupinguaia e Vilhena em 2004 e alguns em Porto Velho. Em 2004, haviam na T.I. 189 Aikanã, incluindo 25 Kwazá e 19 Latundê e em 2004 apenas 175. Porém, por causa dos casamentos mistos, os números não podem ser acurados (Anonby 2009.5).

Vinte e cinco Kwazá e Aikanã vivem na Terra Indígena Kwazá do Rio São Pedro (16.799 hectares). Cento e oitenta Aikanã, Kwazá e Nambikwara (Latundê e Sanbanê) na T.I. Tubarão/Latundê (116.613 hectares). Alguns Aikanã vivem nas T.I. Rio Guaporé e T.I. Rio Branco (ISA).

Língua: Aikanã é uma língua isoladae há o dialeto Massaká (Massaca) (SIL). O Massaká é falado em Rio do Ouro e o dialeto Tubarão é usado na aldeia Gleba. Os que falam Tubarão consideram-no correto e não dão importância ao dialeto Massaká. Entretanto, ambos denominam sua língua de Aikanã (Anonby 2009.3). Em Rio do Ouro, um grupo de Aikanã demonstrou que são bilíngues, pois falam Aikanã e português (Anonby 2009.6).

História: Os Aikanã viviam em uma região de terras ricas, próximas do Rio Tanaru, a oeste do Rio Pimenta Bueno, e viam os Kwazá como guerreiros e inimigos ferozes (Vasconcelos 2005). Os Aikanã com os Kwazá e os Latundê viveram por muitos anos com diversos povos, entre eles os Kanoê, Mekém (Sakirap), Tuparí, Salamãi e outros já assimilados à sociedade regional. Por isso têm aspectos de cultura semelhantes formando o que Denise Maldi (1991) chamou de o ‘Complexo cultural do Marico’. Existem algumas semelhanças entre esses povos, como: os cestos tecidos da fibra do tucum, as palhoças em forma de colmeia, as bebidas feitas de milho fermentado, a antropagogia e as divisões de clã (Anonby 2009.6). O vasto interior a oeste dos Bororo, dos Paresi e seu povos, ainda era desconhecido no século 19 (Hemming 1997.202). Garimpeiros e seringueiros penetraram a região, mas só houve contato quando a linha telegráfica foi estabelecida por Rondon. Cidades como Pimenta Bueno (1912) e Vilhena (1970) são mais recentes.

Na década de 30, os Aikanã e os Kwará trabalhavam para os seringalistas e eram pagos com café, açúcar e espingardas. Em 1940, o SPI abriu um Posto no Igarapé Cascata, afluente do Rio Pimenta Bueno Os Aikanã e os Kanoê vieram atraídos pelo Posto, porém a população foi dizimada por epidemias de sarampo e gripe e os índios espalharam-se novamente pelo mato. Depois, em 1970, os índios começaram a ser independentes, vendendo seu látex nas cidades próximas.

Em 1973, grande parte do povo se mudou para terras piores do que as que estavam. Depois disso, uma pequena aldeia de Latundê foi descoberta na terra, mas a maioria deles pegou sarampo e morreu. Hoje, apenas 20 pessoas vivem na aldeia de Barroso (Anonby 2009.6). O antropólogo van de Voort viveu entre os Aikanã e Kwazá por 14 meses entre 1995 e 1998, fazendo uma descrição linguística e textos da língua Kwará (Anonby 2009.6). Os índios criaram a “Associação Massaká dos Povos Indígenas Aikanã, Latundê e Kwazá” (MASSAKÁ) em 1996. Recentemente, a ONG “Proteção Ambiental Cacoalense” (PACA) de Rondônia tem dado apoio, sob a forma de cursos, à Associação MASSAKÁ (van der Vooft 1998).

Os Aikanã e os Kwazá da aldeia São Pedro, por não ter a terra demarcada, encontravam-se seriamente ameaçados pelos fazendeiros e políticos locais até 2000. A FUNAI e o CIMI fizeram um esforço para reconhecer a terra (van der Vooft 1998). A Terra Indígena Kwaza do Rio São Pedro, nos municípios de Kwaza (RO) e Aikana (RO), com 16.799 hectares, onde moram também os Paresis, foi homologada em 2003.

Estilo de Vida: Há três aldeias na T.I. Tubarão Latundê: Gleba, com uma população de 48 Aikanã e Kwazá, 19 quilômetros a leste da cidade de Chupinguaia; Rio do Ouro, com a maior população dos três, contando 67 Aikanã, fica a 20 quilômetros ao norte de Gleba; e Barroso, com a maioria Latundê, conta 34 pessoas e fica 25 quilômetros ao sul de Gleba (Anonby 2009.4 a população é de 2004).

Em Rio do Ouro as casas são espalhadas de acordo com as diversas trilhas que conduzem aos seringais. Eles vivem da agricultura, mas o solo é muito arenoso. Quinze famílias vivem em Rio do Ouro e a língua Aikanã é falada, mas as crianças também usam o português enquanto brincam entre si. Os Aikanã de Rio do Ouro visitavam a cidade de Chupinguaia mensalmente em 2004 para fazer compras e conseguir assistência médica. Mas, desde 2007 há uma nova estrada passando a três quilômetros da aldeia (Anonby 2009.7,10).

Em Gleba os indígenas praticam pouco a agricultura e compram os alimentos das cidades ou recebem dos parentes de Rio do Ouro. O solo é ainda pior e a renda de pensões do estado é maior. Alguns ganham tirando a madeira para os madeireiros e as máquinas ajudam a manter as estradas. Outros têm trabalhado nas minas da T.I. Cinta Larga e os indígenas de Gleba podem visitar a Chupinguaia todo dia (Anonby 2009.7).

As aldeias têm escolas que ensinam o português e vão até o quarto grau, por isso a maioria dos Aikanã e Kwazá sabe ler o português; alguns sabem também escrever um pouco em Aikanã (Anonby 2009.8). Os jovens das duas aldeias jogam futebol com os times regionais (Anonby 2009.8). Os Aikanã usam roupas iguais aos outros da região (Anonby 2009.10).

Sociedade: Nas reuniões da aldeia em Rio do Ouro, as pessoas usam Aikanã com uma explicação em português para os que não entendem a primeira língua (Anonby 2009.6). Há uma carência de moças da aldeia para se casarem com os homens, por isso, todos os casais em Gleba são mistos, ou com outras etnias indígenas ou com brancos. Em Rio do Ouro todos os casamentos são de Aikanã (Anonby 2009.8).

Artesanato: A renda das duas aldeias é adquirida com a fabricação e a venda de artesanatos (Anonby 2009.7). Eles confeccionam e comercializam brincos, pulseiras, colares, bolsas, anéis e alguns objetos de madeira.

Religião: Em Rio do Ouro, os indígenas revivem as festas tradicionais e usam as duas línguas (Anonby 2009.6). A maioria é evangélica devido ao ministério dos missionários Terena (Anonby 2009.7).

Cosmovisão: Os Aikanã contam um mito sobre o Kiantô, uma cobra enorme e colorida como o arco-íris. A história diz que o mundo foi dividido em dois reinos: o reino da terra e o reino das águas, onde Kiantô era rei. Outro mito é o do ‘Dia em que o sol morreu’, o qual faz menção a um eclipse total e, na hora do fenômeno, quem estivesse fora de sua casa seria atacado pelos espíritos da mata.

Comentário: Os missionários Terena da UNIEDAS têm trabalhado na Terra Indígena desde 1980. Queila França foi obreira da Igreja UNIEDAS na Tribo Aicanã (Aldeia Tubarão) em 2012. Um casal da missão ALEM vive no Rio do Ouro há 12 anos, Warrisson é professor e Ana é líder da igreja. O ministério das missões é todo em português e os indígenas preferem os cultos em português. Toda a aldeia assiste os cultos dois dias na semana, cantam e leem a Bíblia fluentemente em português na versão Almeida Revista e Corrigida, mas admitem que não entendem muito. Os índios não se animam com a perspectiva de uma tradução em Aikanã (Anonby 2009.8). Ao contrário de Anonby, Vasconcelos diz que eles desenvolvem projetos de valorização cultural e tentam manter a língua viva através de uma escola bilíngue (Vasconcelos 2005).

 

 

Bibliografia:

ANONBY, Stan, 2009, Language Use on the Tubarão-Latundê Reserve, Rondônia, Brazil, SIL Electronic Survey Report 2009-005, April 2019, Dallas, Tex: SIL International.

DAI/AMTB 2010, Relatório 2010-Etnia Indígenas do Brasil, Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos – http://instituto.antropos.com.br/

HEMMING, John, 1987, Amazon Frontier – The Defeat of the Brazilian Indians, London: Pan Macmillan.

HEMMING, John, 2003, Die If You Must – Brazilian Indians in the Twentieth Century, London; Pan Macmillan.

SIL 2009, Lewis, M. Paul (ed), Ethnologue: Languages of the World, Sixteenth Edition. Dallas, Tex: SIL International. Versão on-line: http://www.ethnologue.com/

VAN DER VOORT, Hein, 1998, “Kwazá”, Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kwaza/

VASCONCELOS, Ione, 2005, “Aikanã”, Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/aikana/


 

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