O que define a plantação de igrejas, teólogica e biblicamente ?

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O que define a plantação de igrejas, teólogica e biblicamente ?

PERGUNTA: O que define a plantação de igrejas, teológica e biblicamente?

RESPOSTA: Ronaldo Lidório

Prezado Tony, obrigado pela pergunta e interação.

Há uma variedade de livros e artigos sobre este assunto que podem lhe ajudar, se estiver desejando se aprofundar um pouco mais no mesmo. Vou citar alguns no fim desta resposta, ok ?

Dentre tantos pontos que definem o plantio de igrejas na Palavra e na teologia, vou mencionar três.

1. O Plantio de igrejas não deve ser definido em termos de treinamento e habilidade, mas sim pelo poder e desejo de Deus em salvar vidas.


Apesar de haver grande necessidade de treinamento de obreiros e utilização de suas habilidades nós não devemos esperar o cumprimento da missão por meio de estratégias cuidadosamente desenhadas e recursos humanos bem preparados, apenas.

Nada, a não ser Deus, Seu poder e ação, poderá habilitar espiritualmente a Igreja a fim de concluir os planos do Senhor no mundo (Ef. 2:1-10). Plantio de igrejas não é meramente um assunto de marketing, metodologia ou estratégia. É um assunto espiritual, definido pelo poder de Deus, liberado através do único e inimitável sacrifício de Cristo e implementado pela ação do Espírito Santo (João 14:15-18) que guia Sua Igreja a orar, crer e trabalhar.

Anderson expõe o plantio de igrejas como um alvo baseado em quatro áreas: a) a conversão dos perdidos; b) sua organização em igrejas locais; c) promoção e treinamento de líderes em cada comunidade; d) fomentação de independência espiritual e organizacional em cada comunidade.

Sendo, ao mesmo tempo, uma entidade humana e espiritual, a Igreja necessita compreender sua identidade bíblica para que possa servir ao Senhor. Portanto, dentre inúmeros pontos teológicos, creio ser importante ensinar que:

A Igreja é a comunidade dos redimidos, foi originada por Deus e pertence a Deus (1 Co. 1:1-2).

A Igreja não é uma sociedade alienante. Aqueles que foram redimidos por Cristo continuam sendo homens e mulheres, pais e filhos, fazendeiros e comerciantes que respiram e levam o evangelho onde estão (1 Co 6:12-20).

A Igreja é uma comunidade sem fronteiras, portanto fatalmente missionária (Rm. 15: 18-19).

A vida da Igreja, acompanhada das Escrituras, é um grande testemunho para o mundo perdido. É necessário, portanto, que preguemos um evangelho que faça sentido tanto dentro como fora do templo (Jo. 14:26; 16:13-15).

A missão maior da Igreja é glorificar a Deus (1 Co. 6:20; Rm. 16:25-27).

2. O Plantio de igrejas não deve ser definido em termos de resultados humanos, mas sim pela fidelidade às Sagradas Escrituras

Já enfatizamos que a fundamentação da comunicação do evangelho jamais deve ser definida através daquilo que funciona, mas sim pelo que é bíblico (1 Tes. 1:5). Em plantio de igrejas o que é bíblico não significa necessariamente grandes resultados em termos de rapidez e números.

Se observarmos os grandes movimentos de plantio de igrejas no mundo hoje iremos descobrir alguns movimentos antibíblicos que aparecerão dentre os 10 primeiros, se utilizarmos o critério de crescimento numérico e influência geográfica. A Igreja do Espírito Santo em Gana, por exemplo, é um movimento de plantio de igrejas que se desenvolve rapidamente no sul daquele país e agora envia obreiros para além fronteiras, também com grandes resultados. Alguns anos atrás eu me lembro que seu fundador escreveu uma carta para todas as instituições cristãs no país convidando-as para o dia de inauguração daquele ministério e, ao fim, declarando ser, ele mesmo, a encarnação do Espírito Santo na terra. Hoje este é um grande e rápido movimento missionário espalhando influência em diversos países. Nem tudo o que funciona é bíblico.

Precisamos definir nosso compromisso. Somos comprometidos com Deus e sua Revelação e não com homens ou estratégias de crescimento incompatíveis com o Senhor. Não temos a permissão de Deus para manipularmos os homens ou criarmos atalhos na proclamação do evangelho.

Devemos, porém, cuidar para também não sermos tomados por um orgulho a-pragmático como se o número reduzido de convertidos no processo evangelístico com o qual estamos envolvidos fosse evidência de que, ao contrário de outros, somos bíblicos! Esta compreensão, também, é fruto de soberba e não raramente incoerência com os fundamentos práticos e bíblicos da evangelização e não raramente a observo em alguns contextos. Ocorrem quando falta amor pelos perdidos, disposição para a evangelização, consciência missionária e, paradoxalmente, má compreensão das Escrituras.

3. O Plantio de igrejas não deve ser uma ação definida pelo conhecimento do evangelho, mas sim por sua proclamação.

O ponto mais relevante ao lidar com a praxis do plantio de igrejas não é quão capacitado você está para pregar o evangelho, mas sim o quanto você o faz (Ef. 1:13). Igrejas nascem onde a Palavra de Deus operou poderosamente, o que enfatiza a importância essencial da proclamação do evangelho no processo de plantar igrejas. Este não é um ponto negociável. Van Egen e Van Gelder avaliam isto ao ponderar que em um movimento missionário o alvo é fazer o evangelho conhecido e não gerar um contexto físico ou eclesiástico que possa abrigá-lo[1].

Conversando com um recém convertido no Peru onde havia uma boa equipe missionária com o alvo de plantar igrejas perguntei porque as pessoas não estavam vindo para Cristo, especialmente tendo em mente um número expressivo de missionários trabalhando durante um longo período. Ele rapidamente respondeu: “Creio que é porque as pessoas não ouvem o evangelho”. Então percebi que, apesar da excelente liderança presente, bom sistema de comunicação por satélite, obrigatoriedade de relatórios trimestrais e uma ótima estrutura de cuidado pastoral a equipe missionária, simplesmente, não falava de Jesus.

Não interessa o que mais um plantador de igrejas faça, ele precisa proclamar o evangelho. Trabalho social, ministério holístico e compreensão cultural jamais irão substituir a clara comunicação do evangelho ou justificar a presença da Igreja. O conteúdo do evangelho exposto em todo e qualquer ministério de plantio de igrejas deve incluir a) Deus como Ser Criador e Soberano (Ef. 1:3-6); b) O pecado como fonte de separação entre o homem e Deus (Ef. 2:5); c) Jesus, Sua cruz e ressurreição como o plano histórico e central de Deus para redenção do homem (Heb. 1:1-4); d) O Espírito Santo, Parakletos, como o cumprimento da Promessa e encarregado de conduzir a Igreja até o dia final.

O valor mais profundo em um ministério de plantio de igrejas deve ser a proclamação do evangelho. Isto significa que apenas uma igreja viva e apaixonada por Jesus irá testemunhar da dinâmica e poderosa Palavra de Deus (Jo. 16:13-15). A visão de teólogos, missiólogos, pastores, igrejas e missionários trabalhando juntos na proclamação do evangelho nos dá alento e esperança para caminharmos mais. A unidade é nossa aliada.

Por fim permita-me citar alguns livros interessantes nesta área.


Bibliografia


HESSELGRAVE, David. Plantar Igrejas. Edições Vida Nova, São Paulo, 1988.

LIDORIO, Ronaldo. Plantando igrejas. Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2007.

MALPHURS, Aubrey. Planting growing churches for the 21st century. Grand Rapids, MI. Baker, 1998.

MURRAY, Stuart. Church planting: Laying foundations. Carlisle, Cumbria. Paternoster, 1998.

RAMOS, Ariovaldo. Nossa Igreja Brasileira. Editora Hagnos, 2003.

Sugiro também entrar em www.ctpi.org.br e www.plantandoigrejas.org.br


[1] Em Evaluating the Church Growth Movement – 5 views. 2004. Gen. Editor: Gary McIntosh. Zondervan.

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