Aprendizagem de Língua no Mundo Real para Não-Iniciantes

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Aprendizagem de Língua no Mundo Real para Não-Iniciantes

por Greg Thomson

CLM

Apresentação

Este livro é a continuação da proposta de desenvolvimento para Aprendizagem de língua começada por Greg Thomson em Acelerando na Aprendizagem de Língua. Dá sugestões para aprendizes de nível intermediário e avançado irem além de um básico conhecimento de uma língua para tornar-se proficiente na mesma, aprendendo-a junto a uma comunidade de falantes nativos. Este ensaio pode ser particularmente útil para pessoas que desejam continuar a desenvolver o conhecimento de uma língua além do nível básico.

Sumário

  1. Introdução
  2. Algumas considerações práticas
  3. Coisas que ajudam a continuar desenvolvendo a aprendizagem
  4. Conclusão

 

1. Introdução

Então você aprendeu uma língua? “Mais ou menos”, você responde.

Sim, você pode sentar com pessoas e fazer tentativas de conversações, mas é uma dura tarefa, tanto para você quanto para eles. E você tem problema até para discutir os mais simples assuntos. E ainda mais, quando você, por acaso, escuta uma conversa entre dois falantes nativos, raramente você consegue entender tudo que está sendo dito.

Por não conhecer a sua nova língua, terei a impressão de que você realmente a fala muito bem se eu o escuto falando. Mas você mesmo não tem certeza disto. Como eu disse, você fala um pouco desta língua, mas há uma parte dela que ainda é muito difícil para você entender.

Eu não sei o meio pelo qual você chegou a este ponto no seu aprendizado da língua. Talvez você tenha gastado um ano numa escola. Ou talvez tenha freqüentado cursos por muitos anos, sempre como mais um curso acadêmico, entre outros. Ou talvez você tenha morado com pessoas que falam esta língua e tenha sido forçado a começar falando, para poder sobreviver. Você pode ter memorizado regras gramaticais, formas verbais, listas de vocabulário e aplicou o seu conhecimento para construir sentenças enquanto conversava com as pessoas e até conseguiu construir sentenças, de forma relativamente rápida e fácil. Ou talvez tenha usado um método autodidata, tal como um proposto por mim em Thomson (1993a), onde descrevi em linhas gerais como se tornar um falante básico de uma linguagem razoavelmente difícil, em mais ou menos dois meses. Qualquer que tenha sido o meio usado, você sente que ainda tem um longo caminho a ser andado em sua aprendizagem. Como continuar do ponto em que você está?

1.1.Princípios chaves para um progressivo programa de aprendizagem de língua

Aprender uma língua é, ao mesmo tempo simples e complexo. Quando eu penso na complexidade de aprender uma língua, eu fico maravilhado em ver como as pessoas conseguem esta façanha. Como lingüista, tenho gastado muitos anos de minha vida tratando de resolver complexidades de linguagem e sinto que ainda sei tão pouco sobre qualquer língua que tenha aprendido! E as pessoas aprendem uma língua não apenas quando crianças, mas adolescentes e também adultos. Observando este processo, apenas faz aumentar a minha admiração. As pessoas aprendem mais do que eles pensam que estão aprendendo. Como elas fazem isto?

Felizmente, todo o processo de aprendizagem de uma língua é feito pelo seu cérebro, sem nem mesmo você ter consciência disto. Você simplesmente precisa dar ao seu cérebro, a oportunidade e assumir. Isto é quando a aprendizagem de língua se torna um processo simples. “Dê ao seu cérebro a oportunidade” pode ser reduzido em três princípios que são fáceis de assimilar, de lembrar e aplicar.

Princípio I: Exponha-se a uma grande quantidade de input compreensível. Isto é, exponha-se a ouvir grandes quantidades de fala (e talvez escrita) que você possa compreender, enquanto gradualmente, aumenta o nível de dificuldade.

Princípio II: Empenhe-se numa intensa conversação improvisada. Ou seja, gaste tempo numa conversa com outras pessoas e outras atividades de fala e escrita.

Princípio III: Conheça as pessoas cuja língua você está aprendendo. Isto é, aprenda tudo sobre suas vidas, experiências e crenças. Faça isto com e através da linguagem. Eu voltarei para estes três princípios. Primeiro irei aperfeiçoá-los. Só então você pode voltar e pensar neles como três princípios simples. Irei, então ilustrar meios pelos quais você poderá aplicá-los. Quaisquer técnicas e atividades nas quais se apliquem estes três princípios irão funcionar, se elas forem usadas por um tempo suficiente e em larga escala. Preste atenção, estes são grandes “Ifs”.


Princípio I: Exponha-se a uma grande quantidade de input compreensível


Enquanto ler esta sentença, você está se expondo a assimilação de dados compreensíveis. Se você está lendo, então, isto é input. Se você está aprendendo a ler português, então a leitura que você está fazendo neste momento contribui para o seu progresso na aprendizagem da língua, uma vez que está fazendo com que você obtenha progresso na sua aprendizagem. Se você é um falante nativo de português, o que você está fazendo agora não está ajudando você na aprendizagem de língua, mas é input. No caso de uma língua falada, tudo o que você escuta é input. Se você esta compreendendo o que está sendo dito, é input compreensível.

Stephen Krashen (1985), (1987) propõe que o meio pelo qual as pessoas adquirem uma língua é falando, incrivelmente simples. Em vez de três princípios, ele resume em apenas um: as pessoas adquirem uma língua automaticamente, como resultado de mensagens compreendidas. Isto é conhecido como input hipotético. Esta é uma hipótese ousada e não tem conseguido apoio em sua forma extrema. Contudo, é útil compreender que mensagens simplesmente compreendidas na linguagem que você está tentando aprender é um fator importante, possivelmente o mais importante, em aprender uma língua. Em Urdu, há uma certa construção que é referida como o passado perfeito ou mais que perfeito. Em uma escola de línguas, os estudantes aprendem que é equivalente ao passado perfeito no Inglês, que é ilustrado na seguinte sentença:

I had eaten all my food.

A idéia expressa pela construção em inglês é que o evento descrito pelo verbo (o ato de comer) ocorreu antes do tempo em discussão. Isto é, nós estamos falando de certo tempo X, e o fato de que eu comi ocorreu antes deste tempo; no tempo X eu não tenho comida para comer. Como um lingüista estudando Urdu, eu percebi que o então chamado passado perfeito normalmente não tem este sentido. Melhor, o significado era que eu comi a comida exatamente no tempo X, como oposto para qualquer outro tempo. Em outras palavras, indica mais um específico tempo do que um tempo em geral. Os detalhes não são importantes. O que é importante é que eu observei que alunos graduados nesta escola usavam a forma corretamente, apesar do que eles tinham aprendido na escola. Mais importante, eles não tinham consciência de que eles estivessem fazendo alguma coisa diferente do que eles tivessem aprendido.

Este pequeno ponto sobre a aprendizagem de Urdu ilustra um ponto importante sobre aprendizagem de língua em geral: qualquer que tenha sido o modo que você aprendeu uma língua na escola, se você vem realmente a falar esta língua fluente e extensivamente, grande parte do que você estará dizendo, irá além de qualquer coisa que você aprendeu. Não obstante, o modo como as pessoas começaram a sua aprendizagem de língua, no fim, se eles realmente aprendem a língua, em parte terá sido por causa dos dados que eles assimilaram inconscientemente. Quando a linguagem é assimilada inconscientemente? Eles assimilam enquanto eles estão ouvindo (ou talvez lendo) com compreensão, que é o que Krashen quer dizer por “mensagens compreendidas”. Se você ouve a língua que está sendo falada, mas o que você ouve é um emaranhado de palavras, como você pode assimilar tal coisa? Mas quando você escuta a língua milhares de horas, o que você pode compreender se torna completamente familiar se ela é falada ou escrita. Este é um dos principais objetivos: tornar-se familiar através da escuta (e possivelmente leitura) a uma vasta quantidade que você pode compreender.

O desafio é encontrar meios de se expor, para falar o que você pode compreender. Antes de aprender a língua, o que você ouve é um amontoado de sons. É como ler a seguinte sentença em uma língua desconhecida:

assdfgjklmnnbcfrhocnm,ioerfsavcvdgredkop

Não tem como saber onde começa ou termina uma palavra, muito menos o que as palavras significam. No mínimo, numa sentença escrita, você pode reconhecer as letras, porque elas são familiares para você, tiradas de um conjunto de vinte e seis letras que você já conhece (talvez você não saiba exatamente o som que estas letras têm nesta língua). Estão lá na página e você pode vê-las. Com os sons falados de uma língua, ocorre exatamente o contrário; eles não são apenas estranhos, eles soam e se vão tão rápido quanto aparecem. Ir além do que seria apenas um som estranho, ouvir palavras significativas e compreender a mensagem que elas tentam comunicar não é uma tarefa simples.

Em Thomson (1993), eu chamo a atenção para o fato de como uma pessoa com nenhum conhecimento de uma língua pode começar a compreender esta língua através de quadros, fotos, objetos e ações. Estes ajudam a transformar os sons em palavras compreensíveis. E você será capaz de relacionar as palavras à mensagem, porque você pode ver com seus próprios olhos sobre o que a pessoa está falando. Isto é típico do primeiro estágio da aprendizagem de língua. Mas você já passou deste estágio e eu não vou repetir este assunto aqui.

Em cada estágio de sua aprendizagem, haverá certos tipos de fala que você não pode compreender muito bem, e outros tipos que você pode reconhecer razoavelmente bem. Se você deseja continuar ouvindo grandes quantidades de fala compreensível, você precisará ter certo controle sobre os tipos de fala a que você estará exposto. Naturalmente, você estará vivendo numa comunidade que fala a língua que você está aprendendo, você estará exposto a uma grande quantidade de fala sobre a qual você não terá controle Num estágio mais avançado da linguagem, esta exposição será proveitosa para você, uma vez que você estará compreendendo o que está sendo dito. Em estágios iniciais, você estará sendo grandemente exposto de forma proveitosa se você tem certo controle sobre isto. Quando eu discutir técnicas e atividades de aprendizagem da língua, eu estarei discutindo meios pelos quais você poderá exercitar o controle desejado.

Sua aprendizagem de língua poderá ser dividida em quatro fases. Como eu disse, durante as primeiras semanas de sua aprendizagem, você era capaz de compreender a fala ajudada por fotos, objetos e ações. Por exemplo, se você está lendo inglês e eu meramente falo para você: “The bump in the middle of my face is my nose”, com minhas mãos dobradas no colo e um rosto totalmente inexpressivo, você não terá a mínima idéia do que eu disse. Mas se eu apontar para o meu nariz e disser: “This is my nose”, e então apontar para a minha boca e disser, “This is my mouth”, e então apontar para a minha orelha e dizer, “This is my ear”, e então voltar para o meu nariz e dizer: “This is my nose”, haveria uma grande chance de você compreender o significado de “This is my nose”, etc. Isto ‘porque o significado do que você ouviu poderá ser mais claro pelo que você viu. Do mesmo jeito, você poderá ser capaz de compreender a simples descrição de pintura. Isto é o Nível I.

Mesmo que você esteja além do Nível I, você vai perceber que as outras coisas estando equilibradas é mais fácil compreender quando alguém descreve uma pintura, se você pode vê-la. Poderia acontecer, se você estivesse ouvindo a sua língua materna, mas acontece mais freqüentemente quando você está ouvindo uma língua que você ainda está aprendendo. No caso de sua língua materna, mesmo quando você não está vendo a foto que está sendo descrita, você pode reconhecer as palavras que estão sendo ditas e compreender as sentenças, de uma forma geral. No caso de sua nova língua, ver a foto que está sendo descrita pode significar a diferença entre ser capaz de ouvir claramente as palavras e ser capaz de entender as palavras como um todo. As fotos ainda são úteis para que você assimile dados de forma mais compreensível, ou mais facilmente compreensível. Você também pode referir-se para Wright (1989) em busca de numerosas sugestões de como não-iniciantes podem usar fotos para ajudar na aprendizagem de língua. Ainda, é neste ponto de sua aprendizagem que você vê a vantagem de que não é tão difícil entender o que você está ouvindo, como era nas suas primeiras semanas de aprendizagem. Durante o Nível II, você pode compreender a fala que pode ser razoavelmente previsível. A principal contribuição das fotos durante o Nível I é que elas tornam o que está sendo dito, particularmente previsível. Mas ouvindo sentenças sobre fotos, você estava tão somente ouvindo sentenças simples ou seqüências de sentenças menores. Sabendo que você já desenvolveu alguma habilidade na compreensão de sentenças isoladas e seqüências de sentenças curtas, você precisa começar a tentar entender sentenças mais longas. Mas para que você possa entender seqüências de orações mais longas no Nível II, o conteúdo de alguma forma deverá ser mais previsível. Aqui vai um exemplo de como isto é possível. Considere a história de João e Maria. Se você cresceu num ambiente de fala inglesa, você deve saber esta história muita bem. No começo do Nível II alguém pode contar esta história para você na língua alvo, e para sua alegria, você pode acompanhar o que está sendo dito com boa compreensão da maioria das sentenças que estão sendo ditas. Então, você é realmente capaz de entender longas seqüências de orações com uma boa compreensão. Até aqui você tem partido da compreensão de sentenças isoladas e seqüências de pequenas orações para a compreensão de longas seqüências de orações conectadas. Teremos mais a dizer, considerando os meios para se chegar a este objetivo.

No Nível II, então, você será capaz de compreender longas seqüências de orações, onde o assunto é possivelmente previsível. Adquirir input compreensível neste estágio pode significar continuar a se expor à fala ajudada por fotos, objetos e ações, mas que também pode significar expor-se a uma grande quantidade de fala que tem a propriedade de previsibilidade, como ilustrado pela estória de João e Maria.

Neste nível, você pode compreender input quer ocorre numa conversação onde você está interagindo com um simpático falante, que fará o possível para que você assimile dados de forma compreensível e que se empenhará em ajudar você a dizer o que você quer expressar na língua alvo. Teremos mais a dizer sobre isto na próxima seção. Junto com a escuta das estórias compreensíveis, e outros discursos previsíveis engajar-se em uma conversa interativa com colegas que cooperam na conversação é a maior fonte de input compreensível durante o estágio II. No Nível III, você será capaz de acompanhar longas sentenças que são menos previsíveis, uma vez que você sabe o tópico geral e você não vai se perder ao longo do caminho. Por exemplo, se você é um soldador e você ouve um soldador local falar sobre o seu trabalho, você será capaz de seguir a maioria do que ele está dizendo. Ma para seguir a discussão de um tópico familiar, você precisa primeiro estar ciente do assunto. E você precisa do inteiro contexto do que está sendo dito ou sua compreensão será muito difícil. Isto é, se você escuta apenas a metade de uma conversação, ou de uma história, ou de um sermão, você compreendera menos do que você estivesse ouvindo desde o começo. Isto é verdade, mesmo se tratando de sua língua materna. Contudo, no caso de sua língua materna você ainda pode pegar algumas palavras e entender o significado geral de cada sentença, mesmo se você não sabe o contexto. Com sua nova língua mãe, neste ponto, se você ouvir a sentença fora de contexto, será difícil entender o que está sendo dito.

Uma vez que, além da língua, a cultura e a história local também são desconhecidas para você, haverá muitos tópicos que são comuns e familiares para todos os falantes nativos da língua, mas que não são familiares para você. Mesmo que sejam reais narrativas de eventos recentes podem frustrar-lhe porque a natureza geral destes eventos é desconhecida para você, bem como as crenças associadas a tais eventos. Você precisará gastar bastante tempo durante este estágio para se tornar familiar com novos tópicos e tipos de eventos que são comuns na cultura. Fazendo isto, você aumentará sua habilidade de compreender a fala a qual estará sendo exposta. Abaixo darei algumas sugestões, porém no mais irrestrito senso, seu principal objetivo continua sendo o mesmo: conseguir bastantes dados compreensíveis. Ou seja, exponha-se você mesmo a grandes quantidades de fala (e possivelmente escrita) que você pode compreender.

De vez em quando, você encontrará o ponto onde a maioria da fala que você ouve ao redor, na maioria das situações é razoavelmente inteligível para você. Este é o estágio IV. Neste ponto, continuar a receber grande quantidade de dados compreensíveis, será uma questão de estilo de vida. Se você escolheu um estilo de vida bastante isolado dos falantes da língua, seu progresso em aprender a língua será a passo de tartaruga ou talvez pare de vez. Estando consciente disto, você fará todo esforço possível para encontrar um estilo de vida que ajude seu contínuo progresso na língua, certo?

Este é o Princípio I. Exponha-se você mesmo a uma grande quantidade de input compreensível. Com as técnicas apropriadas, você pode estar certo que conseguirá uma boa quantidade de input que o ajudarão em qualquer Nível de sua aprendizagem da língua. Como você está exposto a uma boa quantidade de fala compreensível apropriada ao seu nível na língua, sua a habilidade para compreender a linguagem continuará a se desenvolver, com o nível que você alcançará no próximo estágio, onde usará técnicas diferentes e mais avançadas, então você se tornará habilidoso na compreensão de tópicos mais avançados de input. Você partiu de:

  1. Ser capaz de entender a língua, usando fotos, objetos e ações.
  2. Da habilidade de compreender longas seqüências de orações conectadas que são razoavelmente previsíveis do contexto
  3. Da capacidade de compreender tópicos familiares menos previsíveis
  4. Da habilidade de compreender qualquer coisa que se diga. Você progredirá de nível a nível, levando em conta que você sempre estará exposto a uma boa quantidade de fala apropriada para cada estágio. Simples, não é?

 

  1. Princípio II: Empenhe-se numa intensa e improvisada conversação

Em minha própria experiência, a hipótese de input de Krashen tem sido enormemente útil. Parece que ainda uns poucos estudiosos acredita nesta hipótese. Isto é porque Krashen não apenas diz que a assimilação de dados compreensíveis é o fator mais importante n aprendizagem de uma segunda língua, mas ele diz que este é o único fator!


Input compreensível não é suficiente


Merril Swain (1985) examinou a habilidade na língua francesa, de crianças que tinham estado em um programa de imersão de uma escola, por sete anos. Estas crianças que eram falantes nativos da língua inglesa receberam toda a sua educação elementar em francês. Depois de sete anos recebendo uma verdadeira e grande quantidade de input compreensível em francês, ainda não tinham controle da língua, como falantes nativos. Por que não? Provavelmente havia um número de problemas, mas um que era óbvio, era que os estudantes não tinham tido muita oportunidade de falar francês. Mas então, quanto tempo em sala de aula era dedicado para que os estudantes falassem com o professor? E as únicas crianças que eles tinham ouvido falar francês eram seus colegas de classe, falantes não nativos, como eles mesmos, e isto só acontecia quando os colegas de classe tinham de falar com o professor.

Certamente você não poderia dizer que as crianças usavam o francês em ricas e variadas situações da vida ou que eles usavam o francês numa grande variedade de propósitos de comunicação. Parece que, uma vez que eles não tinham muita oportunidade de falar francês, não desenvolveram tão bem esta habilidade, como esperavam fazê-lo. Mesmo a sua habilidade para compreender o francês parece não ter sido tão boa, pelo fato de não falarem muito bem. Isto não quer dizer que eles não falassem francês fluentemente. O que Swain quer dizer é que eles poderiam ter feito muito mais se eles tivessem estado falando francês de forma intensiva, junto com todos os anos de assimilação de input compreensível.

Você deve conhecer parentes de filhos de imigrantes que podem compreender a língua de seus pais muito bem, mas não falam a língua. Nancy Dorian (1981) percebeu que ainda que ela tivesse aprendido a falar Gaélico ao longo de sua pesquisa, jovens que tinham parentes falantes de Gaélico, mesmo não falando fluentemente a linguagem, podiam compreendê-la melhor do que ela. Eles tinham crescido tendo uma grande quantidade de input compreensível, e tinham desenvolvido um alto grau de habilidade de compreensão, porém pouca ou nenhuma habilidade de fala.

Ao que tudo indica, grande quantidade de input compreensível pode fazer com que as pessoas tenham habilidade de compreensão, sem necessariamente ter a habilidade de falar a língua. Para que você tenha a habilidade de falar, é preciso que você se esforce em falar.

Você pode se perguntar se é possível falar sem ter muito input compreensível. Alguns lingüistas têm me falado que sua habilidade de falar excedeu a sua compreensão por um longo tempo. Recentemente, alguém me falou que poderia pensar e falar uma complicada sentença em uma difícil língua africana, mas que se ele ouvisse a mesma sentença dita por um falante nativo, teria muita dificuldade de entendê-la. Minha experiência em prender Blackfoot foi similar. Por um longo tempo minha habilidade de falar excedeu a minha compreensão. Não é um modo muito bom de aprender uma língua, por um número de razões. Uma razão é que se você consegue falar mais do que você pode compreender, as pessoas vão achar que você sabe falar bem e vão querer conversar com você como se você fosse um falante nativo. Vão superestimar sua habilidade de fala. Isto pode fazer com suas experiências de conversação sejam embaraçantes e estressantes, e lhe desencoraja nas tentativas de gastar tempo conversando com as pessoas. É melhor que você sempre deixe que a sua compreensão esteja acima da sua habilidade de falar, ou compreenda mais e fale menos. Enquanto isto tenha em mente que input compreensível por si só não é suficiente. Você também precisa falar.

Em particular, parece que você precisará fazer um grande esforço na conversação. Certo, você pode se concentrar em monólogos, dizendo longos trechos de falas para grandes audiências, mas você pode não saber se as pessoas estão lhe compreendendo. Numa conversa com pessoas, pelo contrário, ficará claro quando você não conseguir se comunicar ou for mal entendida. Além do mais, as pessoas com quem você conversa lhe ajudarão a encontrar o jeito certo de dizer o que você está tentando dizer. Parece razoável pensar que isto poderia contribuir para sua aprendizagem. Conversa interativa é um importante recurso de input compreensível. Quando você está envolvido em conversas com as pessoas, elas tendem a ajustar a fala ao seu nível de habilidade na língua. Elas falam mais devagar que o normal, usam vocabulário e até sentenças de estrutura mais simples e repetem um monte de vezes para que você possa entender o que está sendo dito. Escute você mesmo quando estiver falando com alguém que tenha pouca habilidade em falar inglês. Provavelmente, você fará estes tipos de mudanças na sua própria fala para ajudar a pessoa a compreender você. Michael Long tem demonstrado que o tipo de mudanças que as pessoas fazem em sua própria fala, quando eles tentam falar com estrangeiros realmente fazem uma diferença significante na habilidade destes as compreenderem (Long 1985).

Considere a natureza de uma conversa entre um simpático falante nativo e você como um aprendiz. Você quer expressar algo. Você faz uma tentativa, mas a pessoa com quem você está conversando está incerta do que você quer dizer ou se preocupa se o que você esta dizendo é o que realmente deseja expressar. Então ela lhe ajuda se fazer mais clara. De outra forma, quando ela fala alguma coisa para você, pode ser que você não entenda e então você pede para que ela seja mais clara. Este processo de vai e volta entre um aprendiz e um falante nativo trabalhando juntos para alcançarem sucesso na comunicação é chamado de negociação de significado.

Durante o Nível II, o contexto mais conveniente para a prática de conversação pode ser em sessões estruturadas de aprendizagem de língua, onde alguém está conscientemente ajudando você a aprender a língua. Se você tem uma ou mais pessoa contratadas para ajudar você diariamente, estas pessoas estarão acostumadas a falarem com você. Elas se sentirão bem com o seu atual nível de habilidade que mostrará a eles que você está compreendendo o que eles estão dizendo. Conversar com pessoas conhecidas num ambiente também conhecido não é tão estressante, quanto conversar com pessoas que você encontrou por acaso, em ambientes muito mais abrangentes.

Em relação a sessões formais de aprendizagem, gradativamente você estará hábil para se engajar em uma conversação com amigos. Para eles, conversar com você é uma difícil tarefa neste ponto de sua aprendizagem, e isto requer algum empenho da parte de seus colaboradores. Mas reafirmo que as pessoas conhecidas estão muito mais capacitadas para conversarem com você efetiva e facilmente, do que as pessoas que não lhe conhecem. Com o tempo você pode sistematicamente expandir a quantidade de conversação regular com pessoas que você visita (ver Thomson 1993c). Só então, você terá ultrapassado os primeiros estágios de sua aprendizagem de língua, um ótimo meio de você aumentar a sua compreensão é fazer muitas visitas sociais. Talvez você seja uma pessoa que normalmente não faz muitas visitas. Nesse caso, você pode considerar as visitas como parte de suas atividades diárias.

Nem todos os seus esforços iniciais para falar precisam ser na forma de conversa bidirecional no senso mais restrito. O importante é que você precisará soltar a língua e desenvolver certa fluência na linguagem, você será beneficiada com atividades que façam com que você exercite a sua fala. Estas atividades são levadas a cabo em sessões formais de aprendizagem de língua, onde você terá alguém contratado que compreende que está ali com o propósito de ajudar você com a língua. Eu terei muito mais para dizer sobre estas atividades depois. Uma vez que você aumentou o seu grau de fluência na língua através destas atividades, aos poucos, você se sentirá confortável com visitas sociais não programadas como o um meio de praticar conversação numa grande escala. Você pode usar as sessões formais de aprendizagem como um preparo para as suas visitas sociais. Por exemplo, quando você aprende a discutir algum tópico em sua sessão de aprendizagem, pode usá-lo para conversar em suas visitas sociais. Você pode até falar para seus amigos. “Isto é o que eu aprendi e quero falar com vocês…” e vá e fale para seus amigos.

Para resumir, o Princípio II é um outro meio de dizer que você aprende a falar, falando. Você pode dizer que aprende a falar se expondo a uma massiva quantidade de input compreensível, mas em último caso, você só aprende a falar, falando.

Dado o que nós temos dito sobre o Princípio I e o Princípio II, você pode considerar a seguinte fórmula para chegar perto da verdade:

Sabendo que você tem uma estratégia para adquirir input compreensível e prática conversacional, o caminho para uma sucessiva aprendizagem de língua, dificilmente poderia ser mais simples.

1.3.2. Você não pode falar bem, sem falar mal.

Agora você pode estar pensando que eu estou ignorando seu principal concerto. Você sente que, não obstante, todo o seu esforço, você não sabe nada de gramática. Se você tem estado aprendendo a língua em cursos formais, dominar a gramática pode ter sido o principal desafio. Talvez você tenha até tirado notas baixas, por causa de erros de gramática! Bem, eu tenho boas notícias para você. Errar é ótimo!! Se você não comete erros, você não alcança novos patamares.

O caminho para melhorar a fala é errando. Eu sugiro que você deixe de lado esta questão de conhecimento gramatical apurado. Concentrar-se em conseguir boa compreensão e prática conversacional ajuda no conhecimento gramatical, sem que você focalize nisto. Depois eu vou sugerir meios pelos quais você pode focalizar em gramática também, mas como um meio de detectar áreas problemáticas.

Quando eu estava no Ensino Médio, estava em voga um método de aprendizagem de língua que era baseado na crença de que estudantes estrangeiros poderiam facilmente falar o inglês. Meu professor de francês respondeu a uma argumentação dos estudantes com o seguinte comentário: “Eu não escrevi um livro texto, mas se o fizesse, poderia ser um milionário”.Tal era o entusiasmo de muitos professores com o novo método. Este entusiasmo foi seguido por desapontamento, quando se constatou que poucos estudantes desenvolveram uma maior habilidade para usar a linguagem livremente na conversação. Você já viu uma pessoa aprendendo inglês como segunda língua? Se você observou esta pessoa depois de um certo período, percebeu que ela começou a falar a língua de forma bem limitada e progrediu gradualmente, até que começou a falar bem o inglês. Com certeza, algumas pessoas se saem melhor que outras nas primeiras semanas de aprendizagem e no grau de progresso, mas ninguém começa falando de forma perfeita. Desenvolver boa habilidade de conversa é um processo gradativo. Eu não posso compreender porque meu professor de francês e outros como ele, não perceberam isto.

Quando você começa a aprender uma nova língua, sua “versão” pessoal da linguagem é muito diferente da versão usada pelos falantes nativos. Vamos supor que você está aprendendo Chukchee e sua língua nativa é o Inglês. A nova “língua” que você fala, digo, depois de alguns meses, com certeza não é o inglês. Mas é Chukchee? Não parece ser, no senso mais restrito. Contudo, é obviamente derivada dela, não do Inglês. Seis meses mais tarde, você estará utilizando uma outra “língua”, que é mais parecida com Chukchee do que a “língua” que você falava dois meses depois do começo do seu aprendizado. Depois de uns dois anos, a língua que você fala pode ser bastante parecida com a dos falantes nativos e você pode justificar e dizer que fala Chukchee. Contudo, a “língua” que você falava depois de dois meses e a que você falava depois de seis meses eram muito diferentes do Chukchee real. Quais eram estas “línguas”? Os falantes nativos poderiam entender quando você falava com eles, e você poderia compreender muito do que eles diziam. O que você falava era uma língua real (a despeito de tudo o que eu disse). Mas precisamente, era uma série de línguas, cada uma mais parecida com o Chukchee do que a outra. Você “inventou” esta língua ao longo do seu aprendizado, baseado no que você ouvia da língua. Eu falo que você inventou estas línguas porque elas eram singulares para você. Você não ouvia ninguém falar do mesmo jeito e você não pode dizer, na verdade, que aprendeu com eles. Não. Você inventou, usando como sua fonte de recursos tudo que você consegui assimilar de forma compreensível.

Você deve preferir pensar que você não inventou nada. Melhor, você pode dizer que você somente aprendeu alguma coisa. Você aprendeu Chukchee, pobremente, no início. Ma se retornarmos para o exemplo de alguém aprendendo inglês, nós veremos que há um pouco de invenção neste aprendizado. Wode (1981) examinou as formas de sentenças negativas usadas por pessoas aprendendo inglês. Primeiro, eles usavam a palavra “no” em respostas para perguntas ou declarações. Então eles começavam a falar junto com sentenças, então se desejavam dizer que alguém não tinha terminado de fazer alguma coisa, podiam dizer “no finish”. Mais tarde, eles usariam a palavra “no” em sentenças um pouco mais complexas, como “That´s no good”, querendo dizer…. Mais tarde, poderiam juntar a forma de um verbo auxiliar “do” e dizer alguma coisa como “You didn´t can throw it.” (todos estes exemplos são citados em Cook, 1991, p. 19). Eu estou querendo dizer que sentenças como “No finish” e “You didn’t can throw it”, vem de uma língua inventada. Elas não são simplesmente copiadas do Inglês normal. Os falantes sabem um pouco do Inglês e usam este pouco para inventar a sua própria língua. Estas línguas inventadas que são derivadas da linguagem que está sendo aprendida e que gradualmente torna-se mais e mais parecida com a mesma têm sido chamadas de interlinguagens (ver Selinker, 1992).

A existência de interlinguagem é uma das principais razões que nós sabemos que o cérebro sabe como aprender língua. As interlinguagens das pessoas que estão aprendendo uma língua, digamos, Inglês, vai através de estágios similares, independentemente de sua língua mãe. Por exemplo, a maioria das pessoas passa pelos mesmos estágios aprendendo a forma negativa do Inglês Por que as pessoas têm diferentes interlinguagens, se elas estão no mesmo nível de aprendizagem da negação em inglês? A resposta é que quando elas vêem a aprender uma língua, seu cérebro tem uma mente própria dele. Ele inventará as interlinguagens e as melhorará, até que tenha sido bem sucedido em reinventar uma língua que seja igual à falada pelos nativos, ou no mínimo muito parecida.

Eu digo tudo isto para assegurar que se você continua se expondo a uma quantidade massiva de input compreensível e persistindo em prática na conversação, você falará cada vez melhor. Algumas pessoas perfeccionistas não gostam disto. Eles prefeririam falar perfeitamente, ou não falar nada. Bem, se você é uma destas pessoas, deixe de lado o seu orgulho. Fale ruim. O meio de vir a falar bem a sua nova língua é começar falando mal por um longo período de tempo.

Então, falar a língua de forma perfeita é essencial. Há um corpo completo de pesquisas em como as pessoas lutam, se esforçam enquanto elas ainda não estão tão bem no uso de sua nova língua. Elas usam uma variedade de estratégias para se comunicarem, estratégias que têm sido chamadas de estratégias de comunicação.

Tem sido feito um grande esforço para classificar as estratégias que as pessoas usam quando estão se comunicando em uma segunda língua (estas são procuradas em Bialystok, 1990). Um sistema de classificação bem conhecido faz a distinção entre estratégias de redução (estratégias redutivas?) e estratégias -alcançadas (?)(Faerch e Kasper, 1983b, 1984) resumidas em Ellis, (1986). Quando você usa uma estratégia de redução, simplesmente evita tentar dizer alguma coisa que você gostaria de dizer, porque você não pode pensar em nenhum meio de ir adiante. Ou pode achar um meio de dizer alguma coisa relacionada para o que você deseja dizer, mas não realmente a mesma coisa. Por exemplo, você pode dizer que não está muito certo sobre alguma coisa, mas você não sabe como dizer isto, então você pode simplesmente dizer: “Eu não gosto disto”.

Usando uma estratégia de alcance, você encontrará um meio de dizer o que quer, mesmo que não saiba o modo normal de fazê-lo. Por exemplo, você pode não saber a palavra manivela, e você pode dizer “esta coisa” enquanto está apontando para a manivela com a sua mão. Algumas pessoas conseguem usar melhor que outras, as estratégias de comunicação. Eu as menciono aqui para reforçar o ponto que é normal falar “pobremente” no começo e, gradualmente, melhorar. Este é o nome do jogo. Se você exige de você mesma excelência prematura isto o desencorajará de falar bem como você deseja e retardará seu progresso. Então vá e comece a fazer confusão. E dê a você mesmo um crédito extra para confusões extras.


Princípio III: conheça as pessoas cuja língua você está aprendendo.


Seria fácil pensar numa língua como um corpo isolado de conhecimento. A idéia poderia ser de alguém que aprende tudo sobre um grande e fixa quantidade de itens vocabulares e regras gramaticais, e uma vez que já aprendeu tudo, sabe a língua. Tal ponto de vista poderia ser uma triste confusão. Suponhamos que você vem de um lugar onde o Natal é desconhecido, e você está aprendendo inglês. Este confuso ponto de vista sobre aprendizagem de língua implica que Natal é simplesmente um item vocabular que você aprende como um dos muitos milhares de blocos que você usa para construir sentenças. Mas o que realmente significa conhecer a palavra Natal? Significa que você pode relacionar a palavra a uma bem elaborada e rica área de experiência de membros da comunidade que fala inglês. Meramente compartilhar um monte de itens vocabulares e regras gramaticais não é o que capacita membros de uma mesma comunidade lingüística se comunicarem uns com os outros. Naturalmente, é necessário compartilhar os mesmos itens vocabulares e as mesmas regras gramaticais. Mas sucesso na comunicação também é baseado no compartilhar um imenso corpo de conhecimentos e crenças sobre o mundo. Compreender o que é falado ao redor de você e falar para as pessoas de um jeito que elas possam fácil e corretamente lhe compreender, requer que você saiba tudo que eles sabem, ou no mínimo, muito deste conhecimento. Eu não estou querendo dizer que você tenha de saber tudo o que uma única pessoa sabe. Mas há um corpo geral de conhecimentos que é compartilhado por todos os membros daquela comunidade e você só estará hábil para compreender apropriadamente a fala das pessoas se você adquirir uma grande parte deste conhecimento que compartilhado por todos.

O Princípio III diz que você deve conhecer as pessoas cuja língua você está aprendendo. Todos os três princípios são interdependentes. O Princípio III, como o Princípio II, bastante relacionado ao princípio I(exponha-se a uma quantidade massiva de input compreensível).……… Se você tem um vocabulário expandido você irá compreender muito mais a língua do que se você tivesse um vocabulário limitado. Em outras palavras aumentar o seu vocabulário implica em aumentar a quantidade de input compreensível que você recebe. Mas como vimos no caso da palavra para Natal, aprender vocabulário significa aprender sobre áreas da experiência humana que estão relacionadas a estas palavras Vamos pensar na palavra garrafa.E se eu digo: “Ela gritou e gritou ate que sua mãe meteu a garrafa na sua boca?” Ou o que dizer disto: “Se meu marido não jogar fora a garrafa eu vou abandoná-lo?” Ou talvez: “Nós encontramos um bilhete na garrafa?”Que ricas áreas de experiência cultural, conhecimento e crenças estão ligadas à palavra garrafa!! Mesmo uma simples palavra como chuva esta associada com as experiências e crenças da comunidade que usa esta palavra. Conhecer o vocabulário, que é a chave para adquirir input compreensível, não pode ser separada do conhecimento da visão de mundo das pessoas que falam a língua que esta sendo aprendida.

O Princípio III também é relevante para o Princípio II, (isto é, engaje em extra conversação). Você deseja aprender a falar sobre qualquer tópico que as pessoas falam. Quanto mais você souber as palavras e frases certas, bem menos você terá que usar estratégias de comunicação. Então é apenas uma questão de conhecer as palavras e frases certas e as áreas de conhecimento que estão relacionadas a elas. Uma vez que você começa a conhecer bem as pessoas, você também começa a conhecer um tanto de coisas sobre as quais as pessoas falam, e o modo como elas falam estas coisas.

Num outro artigo (Thomson, 1993c), eu explico como que aprender uma língua é tornar-se parte de um grupo de pessoas. Cada língua define um grupo de pessoas, especificamente o grupo de pessoas que aceitam a língua como o seu contrato de comunicação. Quando as pessoas compartilham uma língua, isto significa que elas concordam umas com as outras num grande escala, e em meios bem enraizados, levando em conta como elas se comunicam. Pegue as palavras para as cores. Enquanto um a língua pode dividir o espectro em sete cores, uma outra pode dividir em somente três. Enquanto a cor da grama e a cor do céu podem ser chamadas por diferentes palavras em uma língua, elas podem ser chamadas por uma única palavra numa outra linguagem. Naturalmente, as pessoas distinguem as mesmas matizes de cores. Pense em todos os tons de cores aos quais você pode se referir usando apenas a palavra para verde. Se você precisa fazer maiores distinções, você pode. De outra forma, se a língua usa a mesma palavra para a cor do céu e a cor da grama, os falantes são capazes de distinguir os tons que precisam ser distinguidos. Contudo, para a maioria dos propósitos eles não fazem, só para os que eles não conseguem podem distinguir entre os tons de verde e azul. Você pertence a uma comunidade (uma comunidade que fala inglês) que pensa que a cor da grama e a cor do céu são basicamente diferentes. É assim que você pensa desde que nasceu. Supomos que você está em processo de tornar-se parte de uma comunidade que pensa que a cor da grama e a cor do céu são basicamente as mesmas. Se você está usando a nova linguagem, como os falantes nativos a usam, você também irá pensar na cor da grama e na cor do céu como sendo a mesma. Talvez você pense que isto nunca vai acontecer. Aprendendo uma nova língua, você aprende as pensar como os falantes nativos desta língua pensam. Em outras palavras, vir a conhecer uma língua significa conhecer como as pessoas pensam, e ser capaz de pensar como eles, até nos níveis mais elementares.

Vocabulário envolve expressões dialetos a simples palavras. Um bom exemplo de um dialeto é nos dado por Spradley (1979) da linguagem de circo. O dialeto fez a flop pode ser traduzido pode ser traduzido para o Inglês popular como “bed down for the night”, mas o conceito é muito mais rico que isto., como Spradley descobriu. Circenses em Seattle compartilham um conhecimentos de mais de centenas de meios para fazer a flop. Spradley descobriu que aprender uma língua e, neste caso, a língua era uma variedade de inglês compartilhado por uma comunidade circense é aprender a cultura; e aprender a cultura é aprender um imenso corpo de conhecimento e experiências, incluindo estratégias de sobrevivência. A coleção de todas as palavras e idiomas conhecidos para os falantes de uma língua é o que os lingüistas referem-se como léxico mental. No Inglês do dia a dia, o léxico é um livro, mas para o lingüista, é alguma coisa na mente humana. Em conexão com o léxico mental, Givón vai longe ao dizer “……….(p.31) então, aprender o léxico significa aprender muito mais do que as pessoas sabem e pensam sobre o mundo. Eu ainda não comecei a explorar os meios nos quais as palavras e dialetos aprendidos estarão envolvidos na aprendizagem de áreas complexas da cultura, conhecimentos e crenças. Sempre haverão coisas a serem descobertas por você”.

Mais importante que o resultado de aprender vocabulário é conhecer as pessoas cuja língua você está aprendendo. Poderia ser fácil ver que num senso geral, conhecer o que acontece na experiência de vida das pessoas é essencial para compreender o que elas dizem. Suponhamos que eu deseje falar para você sobre um incidente em minha vida. Digamos que envolvendo um multa de trânsito. Aqui há um exemplo de uma narrativa de um incidente que ocorreu em minha vida, do jeito que eu falaria para um falante nativo de inglês.

Uma vez, um amigo estava dirigindo minha camionete enquanto eu cochilava, e um guarda nos parou por causa de um dos faróis traseiros que estava apagado. Poderia não ter acontecido nada, exceto que a minha amiga era tão baixinha que não pôde ver pelo retrovisor, e depois de muitas quadras o guarda finalmente usou a sirene para chamar nossa atenção e desejou saber o que estava acontecendo. Eu pedi desculpas efusivamente, mas ele ainda estava irritado quando me deu o papel. Ainda bem que era só uma advertência!!

Imagine que você seja um agricultor do interior no terceiro mundo e nunca dirigiu um carro, tenha sido parado por uma viatura policial. Suponhamos que você não tenha tido a oportunidade de aprender inglês e que você sabe todas as palavras que eu disse nesta narrativa (incluindo efusivamente) e suponhamos que eu tenha falado de forma devagar e compreensível enquanto está falando. Eu posso garantir que você só ouviu as palavras, mas não entendeu o que foi dito. Isto é porque na minha narrativa está subentendido que você compartilha o mesmo corpo de conhecimento que eu. Veja que, ao contar a história, eu deixei de fora muitos fatos essenciais. Como leitor, se você é um norte-americano ou de uma cultura similar em muitos aspectos relevantes, você completará os detalhes que faltam e criará um quadro completo do que aconteceu. Em seu quadro, o guarda de trânsito seguiu meu carro com sua luz piscando. Ele ficou bravo porque o motorista não encostou no meio fio. Poderia ter recebido uma multa, mas felizmente, não recebi. Nenhuma destas partes do seu quadro está mencionado na minha história. E eles são muito importantes para que a história seja compreendida e esta compreensão é muito importante para que as sentenças e as palavras façam sentido.

É assim que as histórias funcionam. Para compreender uma história, você tem de criar de qualquer amostra de detalhe que foi dada a você. Concordando que você tem conhecimento de como funciona a questão da multa de trânsito como um todo, tão logo você escute as palavras “o policial nos parou”, um monte de detalhes adicionais se tornam claros para você, uma vez que você sabe o que normalmente acontece nestes casos. O policial seguiu o meu veículo numa moto ou num carro patrulha com suas luzes piscando e o motorista encostou no meio fio.. Você tem noção de tudo o que aconteceu, mesmo que eu tenha dito apenas “o oficial nos parou”. Você sabe que o policial desceu do carro e veio até a janela da minha camionete. Há uma grande variedade de detalhes que acontecem em casos como este. Esta típica seqüência de eventos é chamada de esquema. Você compreende facilmente minha história porque você e eu, como membros de uma mesma cultura, compartilhamos este esquema. Eu falo de esquema para que você use o esquema como um meio de entender uma história. Este esquema, o qual você pode considerar um básico esqueleto de um típico incidente de trânsito, é alguma coisa que você e eu compartilhamos porque crescemos tendo experiências comuns, tanto de alguém que já foi multado ou sendo amigo de alguém que recebeu uma multa. Como membros de uma mesma cultura e comunidade lingüística você e eu compartilhamos incontáveis esquemas os quais acontecem independente das nossas experiências compartilhadas. Como exemplos poderíamos ter um dia numa escola de ensino fundamental, uma ida ao supermercado um jogo de beisebol e uma cerimônia de casamento. É grandemente reconhecido que o uso de esquemas é essencial para que se possa comunicar com sucesso.

Agora, sua nova língua pertence a uma diferente comunidade lingüística com uma cultura diferente e diferentes experiências de vida compartilhadas. Você pode compartilhar alguns destes esquemas (ou se preferir), os quais trazem á tona sua experiência de vida, mas ainda haverá muitos que você não compartilha. Quanto mais diferente for a sua nova cultura, mais sério será o problema.

Em se tratando de esquemas, há muitos outros tipos de conhecimento compartilhado por todas as pessoas na nova comunidade, tal como o conhecimento de pessoas famosas, lugares e eventos bem conhecidos, etc. O fato de sua experiência de vida ser diferente da experiência dos falantes de sua nova língua torna difícil para você entender muito do que está sendo dito ao seu redor. A única solução é assimilar uma grande parte do conhecimento comum que estas pessoas compartilham. Isto pode ser feito através de conversas sobre a experiência de vida deles, mas para que iso posse ser feito de forma efetiva, você também precisa compartilhar sua experiência de vida.

Finalmente, conhecer as pessoas cuja linguagem você está aprendendo significa aprender quais são as atitudes apropriadas e inapropriadas. Isto abre uma grande área de complexidade que não pode ser explorada aqui. Um antropólogo treinado é um experiente observador, mas um antropólogo treinado observando a cultura está na mesma posição de um lingüista treinado observando a língua. Verdade, ele verá muitas coisas que muitos de nós nem percebemos. Todavia, o que ele pode conscientemente observar e descrever é bem menos do que ele precisa saber para comportar-se adequadamente. Como a linguagem, as atitudes em geral são tão complexas para aprender pela primeira compreensão de todos os fatos sobre ela e então aplicar estes conhecimentos do modo que você conscientemente os compreende. Aqui também, a hipótese de assimilação de dados deve ter alguma importância. Como você está exposto a uma grande quantidade de interação humana e behavior você adquire um complexo sistema cultural que governam as atitudes.

Conhecer as pessoas significa saber como elas agem umas com as outras, incluindo como elas agem para tornar a linguagem significativa. Pense um momento sobre estas duas sentenças:

If I may make the suestion, the _____________is popular here.

Well there´s the_______________________.

Estes exemplos são adaptados de Mumby(1978), que nos dá vinte diferentes modos de fazer uma sugestão em inglês, de onde tirei estas duas acima. De fato, há muito mais que vinte maneiras de se fazer uma sugestão em inglês, mas vamos pensar sobe estas duas. Quem poderia dizer cada uma delas? Para quem? Em que situação? Nós podemos imaginar um garçom num sofisticado restaurante usando a primeira delas com um cliente. A segunda poderia ser dito no mesmo restaurante de um cônjuge para outro. Ou o segundo poderia vir de uma garçonete de um cliente que tivesse pedido a sua opinião. Não é interessante que nós possamos imaginar da forma de uma sugestão para a idéia de quem a deu e para quem, e em que situação?

Este exemplo se encaixa na categoria a que os lingüistas se referem como o fenômeno da gentileza, polidez (Brown&Levinson, 1978). Certas coisas que as pessoas fazem com palavras envolvem risco social tanto para o falante quanto para a pessoa com quem se fala ou para ambos. As pessoas escolhem suas palavras cuidadosamente, baseadas não somente levando em conta os riscos sociais, mas também baseado em considerações tais como posição social do falante e do ouvinte, a situação, o assunto que está sendo falado e etc. Para ser capaz de falar bem, você precisa relacionar o que você está falando a complexos fatos de relacionamentos sociais. Você faz isto todo tempo em sua língua materna. Você adequa a sua fala, dependendo com quem você está falando, o quanto você conhece a pessoa, seu status em relação a você, etc. em sua nova língua. Você ainda não sabe bem como fazer isto. Entre outras coisas, você precisa desenvolver um sentimento de como as pessoas vêem seus relacionamentos. Felizmente, este é um outro caso de complexidade com o qual você adquire, principalmente se expondode forma massiva com envolvimento e interação social. É uma outra ilustração de como aprendizagem de língua significa conhecer as pessoas que a falam. Você também pode usar a troca de papéis para focalizar no apropriado uso da linguagem em situações específicas, como mostraremos em seguida.

Há muitas pessoas que falarão como você poderia e não poderia fazer. Tenha cuidado, porque o sistema cultural é mais complexo do que aqueles que o seguem têm consciência e freqüentemente, a regra, sobre a qual lhe falaram pode ter sido hipersimplificada, resumida. Você precisa se manter, tanto como observador quanto como ouvinte. Seja cauteloso em relação a dicas sobre regras simples de comportamento dada por estrangeiros que se consideram eles mesmos, grandes conhecedores da cultura local. Suas atitudes, como sua fala começaram diferentes e pouco a pouco se tornarão mais e mais parecidas com a dos nativos. Não espere agir como um nativo desde o primeiro dia. Por outro lado, você precisa de bons amigos que possam lhe dizer vez ou outra quando você estará se comportando muito fora dos padrões aceitáveis. E qualquer que seja sua experiência de conflito, você desejará discutir em detalhes com um amigo e encontrar um jeito de como melhor agir naquela situação.

Parece que estou fugindo do assunto de aprendizagem de língua, mas não é. O conjunto de crenças compartilhado que é essencial para a fala compreensível inclui muitos assuntos sobre como as pessoas poderiam e não poderiam agir. Se você reexaminar minha história sobre o incidente no trânsito, você será capaz de descobrir alguns exemplos.

Um ingrediente básico para uma aprendizagem de sucesso é conhecer as pessoas que falam a língua, conhecê-las profundamente aprendendo o conjunto de conhecimentos e crenças que são compartilhados por todos os falantes da língua aprendendo sobre tipos de relacionamentos sociais que existem e valores que governam suas atitudes, incluindo tipos de fala. Algumas das técnicas e atividades discutidas abaixo serão, em parte, motivadas pelo Princípio III.

2. Alguns conceitos práticos:

Você conhece os três requerimentos básicos para um continuado progresso na aprendizagem de língua:

  • Princípio I: Expor-se a uma massiva quantidade de fala compreensível
  • Princípio II: Engajar-se numa intensa conversação extra
  • Princípio III: Conhecer as pessoas cuja língua você está aprendendo

Uma vez que estudamos cada um deles, eu o aconselho a lembrar destes três princípios, mais do que qualquer outra coisa que eu tenha dito. Minha intenção foi torná-los significativos para você. À medida que discutirmos as técnicas e atividades abaixo, estes princípios se tornarão mais concretos para você. No fim, se tudo que você conseguir lembrar forem os três princípios e se você aplicar o conhecimento sistematicamente, você estará fazendo a coisa certa. Você poderia aplicar estes princípios para planejar seu programa de aprendizagem de língua e bolar atividades específicas numa efetiva avaliação de suas estratégias de aprendizagem de língua.

Deveria ser óbvio que eu estou achando que você deseja fazer mais do que simplesmente “deixar acontecer”. Algumas pessoas acham que elas terão sucesso na aprendizagem de uma língua se eles simplesmente “indo com as pessoas a alguns lugares”. Ou alguns lingüistas acham que se eles analisam a gramática e o sistema de sons da língua, eles aprenderão a falar a língua sem nenhum esforço adicional. Tais pessoas enfrentarão vários graus de sucesso, indo do zero para o alto nível, dependendo da variedade de fatores (ver Thomson 1993d).

O fato de que está lendo isto me faz pensar que você mesmo poderia esforçar-se um pouquinho mais na sua aprendizagem e fazer o melhor possível dado os ….. de sua situação e oportunidade. Além do mais, eu acho que você poderia contratar um falante nativo para lhe ajudar diariamente, naquilo que é básico ao aprendizado. Isto lhe permitirá uma flexibilidade no uso de técnicas e atividades de aprendizagem de língua. Pode ser que a língua que você está aprendendo seja relativamente fácil, pelo fato de ser bastante parecida com a sua língua materna ou outra língua que você já conheça. Melhor ainda, pode ser que haja muitos recursos para que você adquira uma grande quantidade de input compreensível – jornais, televisão, etc. Em tais casos, pode não ser essencial que você tenha alguém especificamente para lhe ajudar nas suas sessões de aprendizagem. No entanto, quanto mais a língua for difícil e diferente de alguma que você fale, este ajudante se tornará mais importante.

Uma pessoa com quem você se encontra diariamente com o objetivo de ajudá-lo a aumentar a sua capacidade de falar a língua é o que eu chamo de Colaborador na Aprendizagem (CA). Se você quer fazer bom uso do seu tempo com o CA, você precisará gastar algum tempo diariamente planejando e preparando as sessões. Depois das sessões, você precisará gastar algum tempo ouvindo as fitas que você gravou, refletindo e avaliando o que você fez, como base para o seu planejamento do dia seguinte. As gravações poderão ser de vários tipos.Você pode ter um jornal diário no qual descreverá suas experiências no uso da língua naquele dia (ouvindo e falando), junto com as observações culturais que você fez. Você precisará de algum bloco de anotações para anotar os resultados das análises necessárias e uma crescente lista e situações sociais e tópicos dos quais você escolherá alguns para planejar as suas sessões. Uma vez acumulada uma grande quantidade de fitas gravadas, você precisará fazer um índice do que está, onde e em qual fita. Se você é um lingüista ou um antropólogo, precisará de um bloco de anotações lingüísticas e um outro de anotações antropológicas. Isto poderá ser integrado aos seus estudos diários de aprendizagem da língua.

Eu tenho feito numerosas referências para atividades de aprendizagem de língua sem descrever qualquer uma delas. Eu farei isto de vez em quando. Contudo, antes de fazer isto, alguns poucos conceitos práticos precisarão ser feitos, os quais terão um maior impacto no escopo e intensidade das suas atividades e aprendizagem de língua.

2.1. Quanto tempo eu tenho?

Eu sugeri em algum momento, que se você tem a intenção de participar, significativamente na sociedade que usa sua nova língua, e se está começando absolutamente do zero, então pode planejar, se possível em concentrar sua aprendizagem de língua em no mínimo, um quinto de sua estada no local onde a língua é falada. Se você estudou um pouco a língua antes de chegar na comunidade, pode encurtar este período, ainda que eu ache que seria bom se você gastasse todo este tempo tentando aprender a língua. Quanto mais tempo você possa devotar a aprendizagem, melhor será. Cinco horas por semana durante cem semanas é menos efetivo do que vinte e cinco horas por semana no período de vinte semanas. Para muitas pessoas, vinte horas por semana de estudo pesado de aprendizagem de língua é exaustivo o suficiente para ser considerado tempo integral, especialmente no começo. Outros podem desenvolver em quarenta ou cinqüenta horas por semana. Contudo, o que quer que você defina como tempo integral, a chave é ser livre de outras atividades e então todo o seu esforço mental estará sendo devotado para a aprendizagem de língua. Quanto progresso você fará numa dada quantidade de tempo, depende particularmente da língua que você está aprendendo e quão similar ela seja em relação a alguma língua que você já conheça bem. No caso de línguas difíceis, você poderia realmente gastar muito mais que vinte por cento do seu tempo total no inicio da aprendizagem. No entanto, na prática, raramente isto é possível. Em qualquer caso, sua aprendizagem de língua poderia continuar num meio período pelo tempo que você estiver lá.

Se não é possível para você estudar a língua em tempo integral, então o desafio será manter sua motivação em alta. Algumas pessoas têm feito um grande progresso na aprendizagem de língua enquanto se ocupam de uma outra atividade, mas elas estão altamente motivadas para gastarem algum tempo na aprendizagem de língua todas as tardes. Se você não tem condições de gastar a maior parte de seu tempo nas atividades de aprendizagem, você ainda pode seguir minhas sugestões, onde eu falo que você precisará fazer ajustamentos mentais em termos de tempo gasto em atividades,. Mesmo que você tenha um tempo muito limitado para a aprendizagem de língua eu o encorajaria a tornar claro os objetivos e quanto tempo você gastará em cada uma das atividades gravadas como eu já falei, ou outras atividades que você preferir. Quando eu falo de um número X de horas gastas em aprendizagem de língua, estou me referindo aos três tipos de atividades. As atividades centrais envolvem sessões programadas de aprendizagem nas quais o falante nativo trabalha com você nas atividades de comunicação que o ajudarão a aumentar a sua habilidade para compreender e falar a língua. Você poderia gravar algumas fitas ou todas as sessões para ouvi-las mais tarde, e possivelmente rever algumas partes em sessões subseqüentes.

O segundo grupo de atividades são as atividades individuais. Por exemplo, você pode gastar bastante tempo ouvindo as fitas feitas em suas sessões. Você pode também anotar suas observações, considerando como a língua funciona e adicionar itens vocabulares para o seu dicionário pessoal. Se há literatura na língua, você pode fazer muitas atividades de leitura, como uma atividade privativa. Você também pode assistir televisão ou ouvir rádio. Tanto quanto você possa compreender o que está ouvindo e lendo, irá contribuir para que você assimile a língua. Você pode gastar algum tempo lendo livros ou artigos sobre a língua. Ler sobre o funcionamento da gramática pode beneficiar sua aprendizagem de língua de várias formas.

O terceiro grupo de atividades são aquelas que tem o objetivo de desenvolver atividades relacionadas à vida social. Para algumas pessoas, isto é fácil. Para pessoas como eu, isto não acontece, a não ser que eu faça acontecer.

Além do mais, isto realmente ajuda se as visitas e outras atividades sociais possam ser feitas como parte dos objetivos das minhas atividades diárias. Se eu gasto trinta horas em atividades de aprendizagem de língua, estas trinta horas podem incluir dez horas de sessões de aprendizagem, dez horas de atividades individuais (incluindo o tempo gasto planejando e preparando as sessões) e dez horas de visitas e outras participações em atividades sociais. Diferentes pessoas terão diferentes misturas destes componentes, mas você deverá dar certa atenção a cada uma.

Para resumir, os três componentes de sua aprendizagem são:

Vamos supor que o seu tempo seja limitado. Digamos que você só pode estudar às tardes e aos sábados. Uma importante questão será quanta interação você terá com os falantes da língua no seu dia a dia. Se o seu trabalho envolve interação com outras pessoas, usando a língua muitas vezes ao dia, então, o terceiro componente, o social, será menos sacrificado e talvez você queira gastar o tempo que você tem para a aprendizagem de língua com os dois primeiros itens. Como podemos ver, você pode programar suas sessões formais de aprendizagem da língua de modo que elas se encaixem em muitas situações de sua vida diária…….você será capaz de manter as suas atividades individuais enquanto está fazendo outras coisas. Particularmente, você pode ouvir fitas gravadas durante suas sessões enquanto você está lavando louças, dirigindo carros, ou correndo…

Poderíamos ver, então, que se seu tempo para aprendizagem de língua é limitado, o melhor uso que você pode fazer dele, é tendo sessões formais de aprendizagem, isto é, neste tempo você encontrará com pessoas com o propósito de moldar as atividades de comunicação; dessa forma, elas podem contribuir para o seu progresso.

2.2. Com quem você pode trabalhar?

Tornar-se falante de uma língua é relacionar-se. Num sentido geral, você passa a ter relacionamentos com todas as pessoas que falam a língua, que pode ser pensada como um contrato, no qual todos os seus usuários concordaram tacitamente em segui-lo. Mas você terá muitos relacionamentos específicos que serão muito importantes para o progresso de sua aprendizagem. Você não pode aprender uma língua sem se relacionar com as pessoas. Por exemplo, você não pode aprender muito bem um língua, se sua principal fonte de dados é o rádio e a televisão; acho que eles podem ser úteis num programa de aprendizagem balanceado. Do ponto de vista de sua aprendizagem de língua, você pode ter três importantes tipos de relacionamentos:

  1. Colaborador na Aprendizagem (CA)
  2. Outras pessoas com quem você gasta um bom tempo de conversação, colegas de trabalho, etc.
  3. Pessoas com quem você interage em muitos tipos de encontros específicos, tais como carteiro, juiz, etc.

Em Thomson (1993c) eu sugeri uma estratégia para aumentar sua rede de amigos e recrutar CAs. No que diz respeito a aumentar sua rede de amigos é um princípio muito simples. Encontre com pessoas até que você ache uns poucos que parecem gostar de sua companhia. Torne-se seus amigos. Uma vez tendo alguns amigos, torne-se amigo dos melhores amigos de seus amigos, e então se torne amigo dos melhores amigos dos amigos de seus amigos. É mais fácil ser amigo de um amigo do que de alguém que não conhece você. Se você pode dizer: “Oi, Bill eu sou amigo de Joe” e acontece que Joe e Bill são amigos, então naturalmente, Bill será amigável com você. Provavelmente, Joe já falou de você para ele em alguma ocasião, e ele está feliz de ter se encontrado com você. Uma vez que você é importante para um grupo de pessoas que se importam umas com as outras, você… Se você ainda não achou o seu CA provavelmente vai encontra-lo entre estas pessoas.

Recrutar CAs é um assunto no qual eu experimento ansiedade e resistência interna Mesmo que eu ofereça pagamento, ainda acho que, de alguma forma, estou pedindo um favor muito grande. Há pessoas que realmente gostam de ser Ca e se você procurar ao seu redor encontrará voluntários, não apenas porque você está pedindo, mas porque eles acham que têm certa responsabilidade sobre isto.

Quando você estiver contratando um Ca pela primeira vez, é bom que você não faça um acordo de longo tempo, até que você veja que a pessoa trabalha bem com você e com gosto. Apenas sugira um tempo mínimo. Se tudo correr bem, você pode pedir ajuda de novo, á mesma pessoa.

Você pode estar dizendo: Não! Isto é mais do que eu quero. Eu não desejo contratar ninguém para me ajudar! Sinto muito, mas não é assim que eu trabalho.”Bem, eu acho que eu posso melhores experiências de comunicação durante os primeiros meses, se eu gasto algum tempo com alguém que sabe a razão que nós estamos junto é para que eu desenvolva a minha habilidade de comunicação. Você pode planejar fazer muitas das coisas que eu discutirei, sem fazer uso delas. Para mim, ter um CA é muito útil e me assegura que eu irei me esforçar para atingir meus objetivos. Você pode ser contra isto sem problemas, a menos que isto seja parte de uma reação geral contra envolver –se com pessoas. Talvez você pense que pode aprender a língua como um recluso. Leia Thomson (1993c) se você não sabe que reclusão e aprendizagem de língua são termos contraditórios entre si.

A terceira categoria de pessoas de quem você precisa, são aquelas com quem você interage em termos específicos. Elas acontecerão de acordo com a situação. É importante que você avalie a sua situação para determinar todos os tipos específicos de encontros nos quais você interage com pessoas. Então você pode usar parte do seu tempo nas sessões de aprendizagem para desenvolver a sua habilidade de interagir nestes termos específicos com as pessoas. Tente construir a sua rede de amigos, incluindo estas pessoas. Em muitas partes do mundo, você encontrará pessoas que estão querendo melhorar seu inglês. Você pode fazer uma troca: durante um tempo vocês conversam inglês e outro tempo vocês conversam na língua que você está querendo aprender. Talvez você ache difícil e não natural falar na nova língua com alguém que fala inglês. Com esforço, você pode vencer este sentimento de inaturalidade, mas será muito mais fácil se você puder manter relacionamentos com pessoas que não falam sua língua materna.

Quando eu aprendi Blackfoot, havia poucas pessoas que não falavam inglês fluentemente. È um contexto extremamente desafiador para se aprender uma língua. De qualquer forma, eu apresentei uma estratégia para ultrapassar este desafio…. Numa situação altamente bilíngüe você só desenvolverá certa fluência, se você usa uma bem conhecida estratégia, como a que eu discuti lá. Vou repetir uma boa parte aqui.

Depois de você ter um vocabulário de algumas centenas de itens, e poder construir uma razoável variedade de sentenças, é tempo… Pode gastar um mês ou dois…. Você dirá para o seu CA que no próximo dia que você tiver aulas, ele não falará inglês ou uma outra língua que vocês tenham em comum, por uma hora. Só falará na nova língua. Algumas vezes você ficará confusa e não conseguirá entender tudo. Anote. Depois do tempo combinado, você voltará para os pontos que não entendeu e tentará aprender as palavras que faltaram, ou que fizeram a sua comunicação difícil. Repitas estas horas monolíngües uma ou duas vezes por semana, até que você e seu ajudante estejam confortáveis com isto. Tente uma semana inteira monolíngüe.

Da mesma forma que as suas horas monolíngües parecerão incômodas no começo, assim será sua semana monolíngüe. Você ainda se comunicará com dificuldade em sua nova língua e facilmente poderá querer falar inglês. Mas depois que você se sentir à vontade com uma semana, faça um mês monolíngüe. Depois tente uma semana monolíngüe, mas não apenas com seu CA, mas com todas as pessoas que fazem parte da sua rede de amigos. Fazendo isto algumas vezes, tente um mês com seus amigos. Mesmo que a comunidade onde você esteja seja cem por cento bilíngüe em inglês (ou alguma outra língua que você conheça bem), vai chegar um ponto em que você poderá deixar de vez o inglês e falar á apenas em sua nova íngua. Enquanto estou falando de pessoas que são importantes para você se manter em contato com sua aprendizagem de língua, eu encontrarei uma outra categoria de pessoas: colegas aprendizes da língua. Muitos aspectos da aprendizagem da língua requerem bastante força de vontade e acho que as coisas ficam mais fáceis se não estiver sozinho com suas dificuldades. Deve haver pessoas vindas de cultura similar a sua que estão no mesmo estágio da aprendizagem da língua. Se não, no mínimo deve haver pessoas de cultura similar a sua que estão aprendendo uma outra língua. Encontrando com estas pessoas, vocês podem compartilhar idéias e frustrações. Você vai se espantar de ver como isto aumentará a sua motivação.

Nas primeiras semanas da aprendizagem de língua, eu penso que é mais fácil se você tem um ou mais co-aprendizes que participam com você em suas sessões com o CA. Isto dá flexibilidade para as suas atividades de comunicação e pode tornar estas atividades mais entretidas ou menos monótonas para o CA. Contudo, se você está no nível intermediário, será melhor se você gastar todo o seu tempo com suas atividades sozinho com o Ca, uma vez que nem sempre o interesse e o nível de aprendizagem de duas pessoas é o mesmo. Se você tem a oportunidade de trabalhar com outros colegas aprendizes, dou-lhe um conselho. Competitividade pode ser contra produtivo (Bailey, 1983). Se você está tendo melhor progresso que o seu amigo, porque não se manter um pouco atrás durante suas sessões de linguagem. Aprendizes de língua tem muitos altos baixos emocionais. Você, com certeza, não quer contribuir para levar seu amigo para baixo. Não é?

Finalmente, se for possível você deve se manter em contato com um especialista em aprendizagem de língua. Esta pessoa poderá dar uma ajuda importante na avaliação do seu programa e da sua aprendizagem. Se você não tem uma pessoa assim, poderia combinar um sistema de avaliação ou prestação de contas com um colega aprendiz.

2.3. E agora, o que poderia aprender?

Talvez você tenha todo o tempo que precisa e toda a ajuda necessária com o CA e uma boa quantidade de amigos para visitar,outros colegas para lhe encorajarem e você já fez a sua prestação de contas com um especialista em língua ou um colega. Você também pegou os três princípios: você precisa se expor a uma grande quantidade de input compreensível, para se engajar em intensa conversação. Você se sente bastante segura. Subitamente ocorre uma questão: O que eu aprendo? Uma palavra popular no campo do ensino de língua estrangeira é proficiência (see Higgs, 1984; Omaggio, 1986). Proficiência é a habilidade de usar a língua para propósitos autênticos nas comunicações da vida real. Um curso orientado de proficiência seria organizado em torno de situações reais do dia a dia.

Parece estranho, mas é fácil confundir a aplicação deste conceito. Eu conheço alguém que disse que um aprendiz que vive na comunidade d sua segunda língua poderia não aprender nada que ela não planeje usar numa situação específica. Esta pessoa deu o exemplo de uma amiga que iria comprar sapatos. Esta amiga gastou muitas horas memorizando algumas sentenças específicas para usar na compra dos sapatos; Foi e disse as palavras certas para o vendedor e retornou super feliz por ter usado a língua para um autêntico propósito. O problema é: quantas vezes ela precisa ir a uma saparia. Talvez algumas sentenças ainda possam ser usadas para outras situações, mas ainda não é útil gastar um tanto de horas memorizando específicas sentenças para situações de comunicação restritamente definidas. Há um movimento de aprendizagem de língua para específicos propósitos (Widdowson, 1983). Já se reconhece que os aprendizes serão mais motivados a aprenderem o material que está relacionado a sua necessidade especial. Por exemplo, se um homem está planejando trabalhar como enfermeiro na Tailândia, então ele será mais motivado a aprender se o material que ele está aprendendo for ser útil para falar com os pacientes ou com outros profissionais da saúde. Mais uma vez, um conselho. Eu ouvi um falante não nativo de inglês dar uma palestra e responder questões relacionadas ao seu especial campo acadêmico. Enquanto estava respondendo uma das questões, ele começou a falar sobre uma festa a qual ele tinha ido recentemente e logo, logo ficou gaguejando. Ele poderia falar sobre seu especializado campo como um falante nativo, mas não era tão capaz falando sobre coisas do dia a dia. Voltemos para o nosso enfermeiro. Uma vez no hospital na Tailândia, ele estará em intensa exposição à linguagem dos enfermeiros e médicos, como eles falam com os pacientes e uns com os outros, nos assuntos relacionados. É claro que você vai querer ter alguma habilidade básica para lidar com tais conversas antes de começar a trabalhar, mas pode ter certeza que, ao longo do seu trabalho do dia a dia, o enfermeiro terá muitas oportunidades de desenvolver conversa nos assuntos que dizem respeito ao seu trabalho, mesmo que ele desenvolva pouca habilidade para outros propósitos. Aí, se você tem tempo extra para aprender a língua, há muito mais a ser dito sobre isto para desenvolver sua habilidade de conversar sobre assuntos gerais, mais do que ir mais fundo nos assuntos relacionados ao seu trabalho.

O que eu estou querendo dizer é que é importante desenvolver um campo mais abrangente de conversação, enquanto enfatiza sua habilidade de conversar sobre assuntos específicos. É questão de equilíbrio. Sim, você pode deixar que as suas necessidades específicas sejam uma fonte de idéia para você programar suas atividades de aprendizagem de língua. Não, você não deve apenas limitar as suas atividades para suas necessidades específicas. Então, vamos analisar suas necessidades específicas. Mas vamos pensar sobre aprendizagem de língua em termos mais gerais.


Necessidades específicas


Há muita coisa escrita sobre analise das necessidades para aprendizes de uma língua (veja, por exemplo, Munby, 1978; Brumft e Johnson, 1979). Um simples e prático….. ara analise das necessidades foi planejada por Allwright (descrita em Dickinson, 1987). Você pode achar útil, quando você está querendo decidir onde focalizar a sua aprendizagem.

Aqui há uma adaptação desta linha de pensamento. O primeiro degrau é fazer uma lista dos propósitos para os quais você tem precisado usar a língua ou espera usar. É recomendado que você comece com um gruo de co-aprendizes e debatam livremente sobre isto. Depois da discussão, cada um fica sozinho para fazer sua própria lista. Tente ser específico. Por exemplo, você pode dizer que usa a língua para fazer compras. Mas você pode dividir em específicos tipos de compras e necessidades mais especificas, tais como querer saber como pedir a alguém a encontrar o que você quer. Algumas situações requerem apenas que você escute. Por exemplo, você pode desejar ouvir os sermões na igreja ou as notícias na televisão.Muitas das situações de interação um a um, tal como barganhar um preço. Seu objetivo e colocar uma lista de propósitos nos quais você desejaria se comunicar bem na sua nova língua. Vamos supor que sua lista inclua 101 itens, seguindo cinco necessidades:

Uma vez produzida sua lista, crie uma escala dando a cada item um número de acordo com a freqüência com que aquela necessidade ocorre. Pode usar uma escala de um a cinco. Se a necessidade ocorre com extrema freqüência, cinco. Se dificilmente ocorre, 1.

Você também pode numerar cada necessidade levando em conta o quanto ela é essencial. Por exemplo, você pode estar capacitado para contratar uma empregada doméstica. Por outro lado, você sabe que pedir um favor do oficial da imigração pode depender da sua habilidade de se com8nicar. De novo, use a escala de 1 a 5.

Você deve considerar cada item, levando em conta o quanto ele é importante pata você……….. deixei para você avaliar se esta parte da apostila é importante.


Habilidade de comunicação de forma geral: tópicos e funções da linguagem


Eu tenho visto que quando as pessoas fazem análise de necessidades pessoais como o que falamos até agora, normalmente incluem uma necessidade como “habilidade para conversação em geral” ou “habilidade para pequenos diálogos com vizinhos e visitantes”. Naturalmente, isto não constitui uma específica necessidade. O que indica que a aprendizagem limitada a específicas necessidades não é suficiente. Você também precisa desenvolver a habilidade de comunicação em geral. Ou seja, você gostaria de poder conversar facilmente sobre todas as coisas que um falante nativo normalmente conversa. Gostaria de saber todo o vocabulário que é usado por um falante nativo. Por exemplo, você pode não ter tido ainda a necessidade de saber a palavra para umbigo. Não tem como você saber o momento em que você precisará usar esta palavra. Mas é uma palavra bem conhecida por qualquer criança de quatro anos de idade e que qualquer falante nativo adulto também já sabe. Isto é, a primeira vez que alguém usar esta palavra e você não souber o significado, ficará claro que ainda há itens bem básicos no vocabulário, que por alguma estranha razão, você ainda não sabe. Não é uma boa idéia esperar até que você ouça tal palavra numa situação real antes de se preocupar em aprende-la. Uma boa parte do vocabulário com o qual você se confronta na vida real estará nesta categoria e será bem melhor se você tiver feito o esforço de se torna familiar com as mesmas. Isto aumentará a porcentagem de dados assimilados que será compreensível e diminuirá sua dependência em estratégias de comunicação. No caso da palavra para umbigo, por que não se tornar familiar com a mesma numa sessão com o seu CA, quando você deliberadamente gastará boa parte o tempo discutindo o corpo humano e as suas partes e algumas de suas funções? Então, na primeira vez que a palavra para umbigo aparecer numa conversa, ou numa história que está ouvindo, você já saberá que sua compreensão da estória não será prejudicada.

Há incontáveis tópicos que se enquadram na categoria de tópicos cotidianos. Um dos melhores meios para fazer uma lista de tais tópicos é sempre passear na comunidade e anotar itens e atividades que qualquer falante nativo da linguagem sabe discutir. Van Ek (1975) também nos dá uma lista das funções da linguagem. Também foi reimpressos em Brumft a Johnson (1979) e Finocchiaro and Brumft (1983) e no Instituto de Defesa da Língua numa forma modificada, aplicada ao grego, em Omaggio (1986). Esta lista pode ser considerada mais universal, ainda que os detalhes de como ela funciona, variam de língua para língua. Uma importante fonte de idéias para cenários e funções está em Larson (1984), porque lá o conceito é desenvolvido a partir do conceito de um aprendiz que está em processo de se tornar inteirado em uma nova sociedade.

Uma coleção muito útil das funções da linguagem é encontrada em Moran (1990), onde cada função da linguagem é ilustrada como um cartoon com balões vazios. Os cartoons, embora sejam baseados em cenários europeus, podem ser aplicados na maioria dos países do mundo. As funções da linguagem representadas nos cartoons de Moran incluem:

  • saudações,
  • saídas e chegadas,
  • interrupções, desculpas
  • atender a porta
  • implorar
  • recusar rejeitar um convite
  • oferecer e pedir ajuda
  • consolar, agradecer, aconselhar
  • apresentar alguém
  • responder a uma apresentação
  • pedir informação sobre endereço
  • cumprimentar, expressar condolências
  • estender um convite
  • expressar desgosto
  • atender ao telefone
  • expressar prazer e desprazer, dor, medo, desapontamento
  • parabenizar, expressar
  • pedir permissão
  • chamar a atenção de alguém
  • pedir para repetir, expressar ignorância sobre algum assunto
  • relembrar
  • receber pessoas, perguntar sobre a saúde
  • pedir permissão para falar
  • reprimir
  • acalmar alguém

Levando em conta estas funções, é bom que você tenha em mente que pode haver um grande número de possíveis modos de pôr em prática estas funções e sua escolha entre as possibilidades vai depender dos seguintes fatores:

  1. Sua posição social em relação a pessoa com que você está falando
  2. O quanto você conhece a pessoa
  3. Quem está ouvindo
  4. As circunstâncias em que a situação ocorre

Em outras palavras, quando você está trabalhando com funções específicas da linguagem, não espere simplesmente memorizar uma única sentença para cada função! Você pode considerar o jogo de papéis como um meio de explorar as funções da linguagem do jeito que elas são usadas com uma variedade de falantes e ouvintes numa variedade de circunstâncias.

Resumindo, de acordo com a forma como você planeja as suas atividades de aprendizagem de língua você poderá estar voluntariamente em duas frentes. De um lado, poderá estr aprendendo a lidar com específicas áreas de comunicação que são mais importantes para você. De outro lado, poderá aprender a discutir todas as áreas da vida sobre as quais um falante nativo da língua é capaz de discutir e você estará aprendendo a usar a língua com todas as funções com as quais ela é usada.

3. Coisas que…

Quando discutia sobre assimilação de dados compreensíveis, eu me referi a quatro estágios da aprendizagem de língua. É uma boa idéia encaixar uma avaliação do seu atual nível de aprendizagem. Vamos rever brevemente, os quatro estágios:

  1. No estágio I, você tem dificuldade de compreender o que está sendo dito se não for ajudado com figuras, objetos ou ações.
  2. No estágio II, você tem dificuldades de compreender o que está sendo dito, a menos que o contexto seja familiar, previsível ou negociado com um ajudante.
  3. No estágio III, você tem dificuldade de compreender o que está sendo dito, a menos que seja num contexto conhecido ou que o significado seja negociado com um falante nativo
  4. No estágio IV, você é capaz de entender, no mínimo, de forma geral o que você acabou de ouvir, mesmo que seja fora de contexto e você apenas ouviu porque estava passando perto. Agora, pode ser que você esteja no estágio II. Em qualquer caso, se você está pensando em gastar a maior parte do seu tempo para aprender a língua nos próximos dois anos, você gastará a maior parte do tempo no estágio III, tendo em vista que você tem efetivos meios de passar rápido pelos estágios I e II. Em Thomson (1993a) eu propus um programa para sair do estágio I e conseguir entrar bem no estágio II. Algumas das idéias de Thomson são repetidas aqui, uma vez que eu desejo tratar do começo do estágio II.


Atividades de aprendizagem do Estágio I

 

Você já conhece centenas de palavras comuns junto com uma variedade de modelos de sentenças. Você pode usar uma boa quantidade destas palavras para construir suas próprias sentenças. Mas você ainda acha que você não consegue se expressar muito bem. Nós tentaremos fazer as atividades de aprendizagem levando em conta estes três princípio:

  1. Algumas atividades terão como objetivo promover a assimilação de dados compreensíveis numa apropriado nível de dificuldade.
  2. Algumas atividades terão como objetivos promover oportunidades para intensa conversação e
  3. Algumas destas atividades terão como objetivos ajuda-lo a conhecer as pessoas nos meios eu forem necessários para você falar e compreender a língua facilmente.
  4. Algumas vezes, dois ou três princípios, estão combinados numa única atividade.

Em se tratando de assimilação de dados compreensíveis, algumas das atividades do estágio II terão como objetivo fazer com que você esteja exposto a longas seqüências de longas sentenças, cujo conteúdo do que está sendo dito é completamente previsível para você. No processo, seu vocabulário continuará a crescer e sua habilidade para compreender continuará a se desenvolver. Em termos de fala intensiva, a principal característica do estágio II é fazer com que você solte a língua e comece a se habituar a tentar se fazer entender algumas vezes, usando estratégias. Em se tratando de conhecer as pessoas, entre outras coisas, você aprenderá sobre muitas atividades do dia a dia, como elas são feitas como elas são descritas.

Lembre suas atividades de aprendizagem de língua são levadas acabo em três cenários: algumas você fará sozinho, algumas você fará junto com o seu CA em sessões programadas para isto e algumas serão feitas como parte de visitas sociais ou outras participações. Algumas vezes os três são usadas para atividades que são relacionadas entre si. Por exemplo, durante o seu tempo sozinho, nas primeiras sessões e o planejamento da próxima; durante suas visitas, você sempre fala a seus amigos sobre o que você está aprendendo em suas sessões formais; durante suas sessões, você se prepara para as visitas, etc.


Adquirindo uma grande habilidade de compreensão no estágio II.


Neste estágio, a habilidade de compreensão pode começar a estacionar. Talvez você possa compreender muitos pedaços da fala que você escuta, mas isto não faz com que você tenha bastantes dados compreendidos. Para conseguir assimilar grandes quantidades você precisa ter pessoas com quem falar, de um modo que o conteúdo do que elas digam seja previsível para você. Deve ter eventos altamente rotineiros, dos quais você já deve ter participado e falado sobre eles… Você dependerá muito do seu CA para lhe ajudar na compreensão e outros amigos também podem lhe ajudar.

Um modelo será conversar com o seu CA na sua sessão e gravar o que vocês conversaram. Você também ouvirá a fita em seu tempo de estudo sozinho. Depois você passará a fita pedaço por pedaço com o com o seu CA numa sessão subseqüente, discutindo o que ele disse e responder a suas questões. Neste tempo, você se tornará familiar com o material e poderá ouvi-lo sempre que quiser, com pouca ou total compreensão. Um passo final poderia ser recontar o que você ouviu com suas próprias palavras. Primeiro com o seu CA numa sessão de aprendizagem, gravando o que você disse. Então, junto com o seu CA, ouça a sua gravação e peça para que ela diga o que você poderia ter dito de outra forma para melhor se expressar. Finalmente conte em suas próprias palavras para vários amigos durante suas visitas sociais.

A primeira categoria de assimilação de dados compreensíveis tem sido ilustrada quando eu falei sobre alguém contar a história de Goldilocks. Você pode saber a palavra para urso, mas eu quero que você assimile logo e não esqueça mais. O mesmo também e verdadeiro para uma variedade de novos vocabulários e possivelmente algumas novas sentenças. Mas espere um minuto. E se o seu CA não sabe a história de Goldilocks? Bem, se ele sabe ler, você pode arranjar um livro numa língua que ele possa ler. Se não, você pode pedir para que alguém conte a história para um CA bilíngüe. Depois, você pode contar a história para o seu colega que, por sua vez, a ouvirá do falante nativo.

Quando o seu colega contar esta história para você ele não precisa dizer qual é a história que ele esta contando. Você perceberá qual é a história…………..

Não haverá tantas historias familiares como a de Goldilocks, mas você pode facilmente se familiarizar com um número de estórias dos livros infantis ou outras fontes podem ser usadas para este propósito. Em uma ocasião, o meu CA tinha familiaridade com as histórias do Velho Testamento, assim como meu colega e eu, e ele usou esta técnica conosco.(Se uma versão mais moderna da Bíblia existe ou outro livro familiar nesta língua que você está aprendendo você pode gravar este material numa fita e ouvi-lo repetidamente).

Tais estórias são muitas boas para quem quer começar a compreender longas seqüências de orações conectadas. Estórias recentes e estórias antigas, eventos recentes na comunidade e no mundo podem ser bem conhecidos tanto por você quanto por seu CA. Também você e seu CA podem se engajar em várias atividades juntos. Podem ir a alguns eventos juntos, a um casamento, a roça, a uma caçada, ou fazer uma viagem, etc. Depois você pode pedir que o seu CA conte para um colega em detalhes, tudo o que vocês fizeram juntos.

Pode ser que não haja muita compreensão para o seu colega, mas você desenvolverá muito a sua habilidade de compreensão. Sabendo todas as coisas que vocês fizeram juntos, o que o CA disser vai ser bastante previsível para você.

Um bem conhecido método de aprendizagem de língua do século dezenove poderá ser bem utilizado no Estágio II, uma vez que propicia a fala previsível. É o Método Serial. Pode ser usado para praticar a fala ou a compreensão. Faça com que o seu CA lhe ajude a desenvolver a compreensão, pedindo que ele fale para você, em grandes detalhes, cada passo em algumas atividades do dia a dia. Cada seqüência de detalhes é chamada de série. Considere o exemplo de lavar as mãos. Como você faz isto? Primeiro você liga a torneira da água fria. Depois a da água quente, e fica testando a temperatura da água. Se estiver muito quente você diminui a água quente ou abre mais a água fria. Então você coloca as mãos debaixo da água. Quando suas mãos estão molhadas, você pega o sabão. Você esfrega o sabão em ambas as mãos. Sua mão fica toda espumada. Vice coloca o sabão de volta na pia. Você esfrega as suas mãos uma na outra, rapidamente. Então você enxagua as mãos. Pega a toalha. Esfrega a toalha rapidamente nas duas mãos. Pendura a toalha de novo. Um outro exemplo pode ser todos os passos de fazer chá. Moran (1990) nos dá uma seqüência de figuras da sua série particular, que podem ajudar a preparar o CA, apesar de que você mesmo pode criar mais seqüências do que o que está ilustrado lá. O mesmo é verdade para Romijn e Seely (1988), que nos dá seqüência de séries para serem usados como Resposta Física Total. Se for difícil para você criar suas próprias seqüências de séries, mantenha uma lista de tudo o que você faz durante o dia. No final. Você terá idéias suficientes para as séries que você precisa. Para ter mais idéias, passeie pela comunidade e tome nota das atividades que você observa as pessoas fazendo. Algumas delas serão bastante conhecidas para você, podendo ser similares a atividades em sua própria cultura e outras, serão desconhecidas. As mais familiares serão mais úteis para você, nessa fase, uma vez que são mais previsíveis. As desconhecidas serão mais apropriadas para você no Estágio III quando o seu objetivo será se tornar familiar com novos tópicos. Com um pouco de criatividade, o Método Serial poderá ser usada de muitas e variada formas. Usando o exemplo de lavar as mãos, você pode pedir para que o CA diga para você como ele faz isto, em geral. “Primeiro, eu abro a torneira de água frua…” Aí eu abro a torneira de água quente…” Também você pode fazer estas atividades enquanto ela vai dizendo as atividades (ou fazendo mímica), “Eu estou abrindo a torneira de água fria. Agora estou abrindo a torneira de água quente…” Você pode usar várias e complicados modelos de orações: “Primeiro, eu abro a torneira de água fria. Depois de ter aberto a torneira de água fria, eu abri a torneira de água quente. Depois de ter aberto a torneira de água quente eu pego o sabão…” Esgote todas as possibilidades de tipos de orações através este método para aumentar a sua capacidade de compreensão para entender vários tipos de orações. E isto depende da língua que você está aprendendo Lembre de gravar todas estas atividades, porque você poderá ouvi-las várias vezes depois. Há um outro importante uso destas fitas. Elas trazem uma boa quantidade de novos vocabulários. Com o CA você pode tirar dúvidas de cada palavra desconhecida que aparecer. Para isto grave uma fita apenas com estas novas palavras, uma fita-vocabulário. Nesta fita, o CA diz primeiro a palavra sozinha, depois a frase em que ela ocorreu, duas vezes e diz a palavra sozinha depois. Se você tem tempo integral para a aprendizagem da língua e as suas sessões com o CA são de duas horas ou mais, talvez você possa aprender a cada dia, vinte ou trinta novas palavras. Você pode escutar sozinha estas fitas, junto com as fitas dos dias anteriores. Você vai se surpreender com que facilidade aprende os novos itens. O CA pode escolher algumas formas básicas em que uma palavra pode ser dita e gravá-la isoladamente. Para verbos, pode ser a forma infinitiva (…) ou a forma da primeira pessoa do singular, ./…. ou a terceira pessoa do singular::: ou talvez a forma imperativa. Para nomes pode ser a terceira pessoa do singular que é usada quando o nome funciona como o sujeito da sentença, ou como a palavra ‘jacaré’ na seguinte oração: “Dois jacarés expulsaram meu gato do banco”. Neste caso, a fita poderia ser assim: Jacaré..(Pausa) Dois jacarés expulsaram o meu gato do banco. Pausa. Jacaré.” Se ficar confuso para distinguir qual a forma da palavra que é usada isoladamente, você pode pedir para o CA falar a palavra do jeito que ela aparece na sentença. Veja que não há tradução da nova palavra (isto é, Jacaré). A frase com a palavra dita dentro do contexto, será suficiente para você lembrar o seu significado e reforçará o item na sua memória, como parte da sua nova língua, não simplesmente uma tradução.

Além de todas estas coisas que tenho falado até agora, existem outras fontes de adquirir compreensão durante o Estágio II. Conversação entre você e seu CA durante as sessões de aprendizagem e com amigos em geral. Se você está aprendendo uma língua majoritária, pode assistir a um filme que foi dublado do inglês para esta língua. Primeiro assista o filme em inglês. Depois, assista na outra língua. Depois de ouvir várias vezes, você verá que a fala se tornará muito mais compreensível.

Existem línguas que tem fitas gravadas para aprendizes no Estágio I. Em gral, são mais apropriadas para o estágio II. Quando eu estava aprendendo Urdu, eu ganhei uma fita com talvez uma centena de expressões úteis para ser memorizada. Se fosse memorizar toda esta fita, teria gastado o tempo que, no estágio I deveria ser usado para desenvolver a compreensão falar a minha nova língua. No estágio II era muito mais fácil ouvir a fita, compreendendo o que estava ouvindo. Neste ponto, muitas das formas e expressões eram facilmente absorvida e naturalmente usadas. Em muitas l;ínguas é possível encontrar uma variedade de fitas preparadas , seja para viajantes, ou acompanhado livros textos. Você pode usa-los como fonte de ajuda para a com;preensão no Estágio II. Pode ser que a linguagem usada nestas fitas seja a linguagem formal e não a usada no dia a dia. Por que não escutar estas fitas junto com o Ca e tirar as dúvidas com ele?


Soltando a língua no estágio II


Durante o estágio I, sua habilidade de falar a língua, era extremamente limitada. Durante o estágio II, você pode encontrar um jeito de ser bem sucedido numa conversa com um amigo, usando estratégias de comunicação. No fim do estágio I, você se sentiu sem liberdade de comunicação. Isto mudará se você gastar bastante tempo e esforço em conversa extra. Você já sabe centenas dos mais importantes itens do vocabulário está familiarizado com um grande numero de m tipos de sentenças. Ainda é difícil para você falar muito. É um exercício. Pense em um acontecimento muito interessante da sua infância. Deve ser um que você ainda não contou para ninguém em sua nova língua. Encontre um bom ouvinte. A melhor pessoa será o Seu CA, durante uma sessão de aprendizagem. Diga-lhe que você vai contar uma história de sua infância, e que você n/ao que usar o inglês oi qualquer que seja a língua comum a vocês dois. Nem mesmo uma única palavra. Não gaste dias imaginando como você poderá dizer isto. Enquanto você está contando a história, grave uma fita da sua fala. Mas não a escute. Guarde-a. Se você está começando o estágio II, achará a experiência, no mínimo, estressante. Agora esqueça a estória. Não conte a ninguém por algumas semanas. Quando você estiver entrando no estágio III, fale a mesma estória para alguém e grave da mesma forma que fez com a anterior. Ouça as duas fitas e compare. Você verá como soltou a língua. Como isto aconteceu? Através de muitas e muitas conversas ou atividades extras de comunicação. Você precisa de atividades que façam com que você fale. Contar estórias de seu passado e um bom modo de treinar a conversação. Tidas a vezes que você for conversar com o seu CA você deve gravar estas conversas. Gravadores estéreos que aceita dois microfones são muito bons para isto. Microfones de lapela também funcionam bem, visto que estão perto da fonte de som e não são uma distração. Diga ao seu CA que você deseja falar sobre sua vida e também saber sobre a vida dele. Você pode falar sobre o passado de sua família, seus pais, avós, suas mais antigas memórias, descrevendo o ambiente e eis detalhes de sua vida no passado. Quando você sentir dificuldade, o CA vai ajudar. Seria bom se você não tentasse usar o inglês (ou outra língua comum a ambos) nesta fase. Melhor, você pode voltar para estas dificuldades, depois. Você e seu CA podem ouvir estas partes da fita. Se ele é bilíngüe, você pode falar para ele em inglês, o que você estava querendo dizer ou queria dizer na sua nova língua. Ele pode falar para você como poderia ter sido dito. Você pode gravar toda esta discussão. Seria bom se você não demorasse muito para fazer isto e negociar o significado ate conseguir o significado desejado sem tentar usar o inglês. Você vai ver que isto ajuda. Mas e melhor você fazer isto depois que terminar de contar a estória, desta forma terá tido a experiência de contar toda a estória sem voltar para uma outra língua.

Nos pontos onde você teve dificuldade, e preciso identificar a casa do problema. Se o problema era a falta de vocabulário necessário, peca para o CA fazer como foi sugerido anteriormente com a palavra jacaré.

Voltando para seus pontos problemáticos, pode ser que não tenha nada a ver com a falta de vocabulário. Pode ser porque você não saiba um certo tipo de sentença. Você pode então criar um tipo de sentença a qual você posa escutar a forma muitas e muitas vezes até que haja compreensão. Por exemplo, suponhamos que você precise saber como expressar a idéia de que alguém fez alague fazer alguma coisa. Pode pedir que o seu CA fale muitas situações em que alguém fez alguém fazer alguma coisa. Professores fazendo o aluno ler alto; guarda de transito fazendo as pessoas paparem; pais fazendo a criança ficar quieta na igreja; governos fazendo as pessoas pagarem impostos, etc. Depois que ela tiver dado vários exemplos, você pode também dar seus próprios exemplos, tentando formular suas próprias sentenças. No caso de alguns tipos de sentença, o Método Serial poderá enfatizar o que você deseja focalizar. Abaixo, eu mostrarei como isto pode ser usado para que haja bastante repetição de um tipo de sentença.

Depois de ter falado de várias fases e detalhes da sua vida, você encoraja o seu CA a compartilhar a vida dele também com você. Muito do que ele disser, será desafiador para a sua compreensão, mas você pode ouvir a parte da fita onde estão as palavras difíceis de serem entendidas junto com o CA. Mais do que simplesmente perguntar: “O que isto significa?”. Por que não tentar explicar para ele, na sua nova língua, naturalmente, o que você pensa que ele quis dizer, e deixar que ele lhe corrija, também em sua nova língua?

Uma outra importante fonte de idéias para discussão na língua é sua vida cotidiana enquanto está prendendo a língua. Uma boa idéia é falar para o CA ou outra pessoa, sobre o que você fez no dia anterior. Grave o que você disse e escute e fita com o seu CA ou um outro amigo. Pare a fita cada vez que apresentar uma dificuldade e veja se foi falta de vocabulário ou tipos de sentenças e então resolva o problema do modo que já foi sugerido. O CA também pode contar para você as atividades do dia anterior.

Lembre, é uma boa idéia se você continuar conversando as mesmas coisas com o CA ou com pessoas a quem você visita ou que visitam você. Se você estuda a língua em tempo integral, tais visitas podem fazer parte de seu aprendizado diário da língua. Se você tem tentado desenvolver relacionamentos, poderia ter um pequeno número de pessoas que lhe conhecem bem e com quem você poderia conversar com sucesso. Como eu disse, há uma grande vantagem em comunicar com pessoas conhecidas. Com elas você ficará muito mais relaxado e isto fará com que seja mais fácil processar e responder o que elas estão dizendo. Elas entenderão que você esta no processo de aprendizagem da língua e por isso, se esforçarão para conversar com você num nível que sabem que você vai poder compreender. Não é que eles falarão no mesmo nível que você, mas eles falarão num nível que você pode compreender, que vai além do que você fala. Quando você está exposto à fala que vai além da sua habilidade de falar, mas que está alcance da sua compreensão, você esta recebendo precisamente o nível de dados de compreensão necessários para que aumente a sua habilidade de fala. Parte do seu aprendizado poderia estar relacionada a sua lista de necessidades, como discutido antes. Estas necessidades podem ser construídas a partir de tópicos que você precisa a aprender a discutir, ou baseadas em situações reais nas quais você precisa aprender a se comunicar. Se a necessidade for baseada num tópico, você pode usar um método similar ao que eu sugeri sobre contar estórias da sua vida. Suponhamos que você deseje aprender a falar sobre tomar conta de crianças. Faça algumas notas (em inglês) sobre como se cuida de crianças em sua própria cultura. Então fale com o seu CA sobre como se cuida de crianças Você pode discutir sobre isto com o seu CA e pedir para que ele de a sua opinião do ponto de vista da cultura dele, gravando toda a discussão. Escute a fita e focalize onde você teve dificuldade de se comunicar. Se o problema era falta de vocabulário ou tipos de sentenças focalize neles. Se o problema era falta de conhecimento de aspectos culturais, então você irá discutir esta área da cultura (na língua local). Tendo discutido estes tópicos com o CA, você estará numa melhor posição para discutir com amigos nas suas visitas sociais. Depois de ter discutido este tópico com quatro ou cinco amigos, você verá que sua habilidade de falar sobre este assunto foi bastante desenvolvida.

Outros aspectos de sua lista de necessidades serão declarados em termos de situações, nas quais você precisa se comunicar, tais como “responder a um pedido de casamento”. Para iniciantes, será muito melhor tratar destes assuntos como tópicos, isto é, aprendendo a falar sobre estas situações e falar sobre elas de forma intensiva com um numero de pessoas. Uma outra boa técnica para aprender a comunicar em situações especifica é o jogo de papeis. Em qualquer situação de comunicação, há no mínimo dois papeis: o seu papel e o papel da pessoa que interage com você. Por exemplo, seu papel pode ser a de um cliente de banco e o da outra pessoa o de um caixa de banco. Mas agora você quer saber como agir como um cliente, não como um caixa de banco. Num jogo de papeis, você pode também fazer o papel de um caixa de banco. Você pode fazer este jogo de papeis com varias pessoas em diferentes situações ate que você aprenda como agir nestes casos, sem que para isto, tenha que simplesmente decorar como se diz nestas situações. Você pode ouvir a fita muitas vezes Um tipo especial de jogo de papeis é chamado de Estratégia de Interação (veja Di Pietro, 1987). Em Estratégia de Interação, é centralizado no que Di Pietro chama de cenário. Num cenário há um fator complicado que demanda comunicação criativa. Por exemplo, no caso do cliente e do caixa. O caixa do banco diz ao cliente que o limite da conta dele estourou e o cliente diz que na conta dele ainda tem saldo suficiente. O problema poderia ser que há dois clientes com o mesmo nome, mas diferentes números de contas e o caixa, sem perceber esta olhando na conta de outra pessoa. Pelo numero da conta, o caixa ou o cliente iriam perceber o que estava acontecendo. Obviamente, isto iria requerer ajuda de uma outra pessoa que poderia inventar o cenário e a natureza do fator complicante poderia ser desconhecido para os participantes. Um excelente aprr/… para qualquer tipo de jogo de papeis e observar pares oi grupos de nativos vivendo uma situação real antes de você tentar fazer. Poderia ser extremamente produtivo no caso de Interação estratégica.

Um excelente medo de identificar as deficiências na sua habilidade de fala e tentar fazer tradução oral de qualquer material escrito. Isto prever o uso indevido de estratégias, forçando você , mais que desenvolvendo novas áreas de habilidades na linguagem. Um grande variedade de material impresso pode ser usado para este propósito. No Paquistão, nós encontramos um livro que tinha muitas narrativas em primeira pessoa sobre o trabalho diário das pessoas. Cada narrativa era de duas ou três paginas. Elas eram escritas em Inglês, mas o assunto era inteiramente sobe a vida no Paquistão. A idéia desta técnica não traduzir simultaneamente, enquanto esta lendo. Mais que isto, você lê muitas orações que formam uma unidade, talvez um parágrafo. Depois que você entender a idéia gera,l veja alem do material impresso e fale com o seu CA ou um outro amigo sobre o que você acabou de ler. E melhor pensar que esta recontando e não traduzindo. Se você esta lendo o material num língua que você conhece bem, e conta na língua que você esta aprendendo. No livro sobre a vida diária das pessoas no Paquistão, havia uma narrativa sobre um pescador. Num certo ponto, o pescador diz que os peixes são vendidos por peso ou por leilão. Considere as palavras para peso e leilão. Ambas poderiam ser um desafio para o aprendiz no estagio II. Inicialmente o aprendiz pode entender o significado usando estratégias de comunicação. Isto é, ele pode dar descrições ou exemplos do que ele quer dizer, expressando as idéias através de sentenças não muito especificas. Poderia então, pergunta ao CA qual o meio melhor de expressar estes significados. |A vantagem de traduzir é que forca o leitor a abandonar o controle sobre o que esta indo dizer e sobe um novo degrau, forcado pela necessidade. De outra forma, ele pode sempre querer ficar em território conhecido. Sendo forcado a expressar cada significado da pagina que está sendo traduzida pode ser uma boa experiência. Esta técnica é apropriada se você esta bem no estagio II e no estagio III.

Alem destas atividades de comunicação, uma boa parte de seu esforço de fala ocorrera em situações sociais que fogem ao seu controle, onde você tem que tentar superar qualquer dificuldade que se apresente, Seu ultimo objetivo ;e falar facilmente, em qualquer situação. No entanto, usando algumas atividades de comunicação focalizadas para o melhoramento da sua habilidade, você verá que fará muito mais progresso do que se você deixasse sua experiências de comunicação por contas das circunstancias.


Mantenha-se organizado durante o estágio II


Deveria sr obvio que você deve gastar boa parte do seu tempo preparando suas sessões com o CA, bem como em suas visitas sociais. Suas idéias para a próxima sessão vão depender do andamento da sessão anterior, que você pode complementar com as idéias da sua lista de necessidades. Todo este planejamento pode ocorrer durante o seu tempo de aprendizagem da língua sozinho, que pode ser de duas horas ou mais; durante este tempo você pode estar fazendo varias atividades, como já falamos antes. Então, você pode gastar duas horas com o seu CA e duas horas em visitas sociais. Você pode gastar algum tempo mais ouvindo fitas compreensíveis enquanto está lavando louças. Tomando banho, andando de bicicleta ou dormindo. E espera-se que você esteja atualizando o seu jornal diário, colocando em dia suas atividades diárias como um aprendiz da língua e observador da cultura. Faca anotações do tempo de tensão e conflito e tempos de dificuldades na comunicação ou falha na comunicação. Você também pode pensar de coisas que podem ser adicionados a sua lista de necessidades enquanto esta escrevendo o seu jornal.

Isto me trouxe de volta para o conceito de massiva compreensão. Enquanto esta ouvindo as fitas gravadas da sua sessão de aprendizagem, é bom que você esteja usando um aparelho de som que tenha duplo cassete para gravar importantes partes da sessão em uma fita diferente. Periodicamente, talvez uma vez a cada mês, você pode gravar exemplos de sua própria fala em uma outra fita para observar o desenvolvimento da sua habilidade de fala. Cada dia seria bom se você gravasse pequenas partes da sua conversa com o CA ou outra pessoa quem contenha novo assunto e que você pode compreender. Se h;a partes que você não pode compreender, você pode gravar em outra fita e mais tarde, ver com o CA. Resolvendo estas dificuldades, você esta fazendo a base para experiências de conversação em sessões subseqüentes. Com ajuda do CA, você compreenderá estas partes difíceis e será capaz de adicioná-las a coleção de material que você pode compreender. A coleção de material gravado que você pode compreender é o que eu chamo de “corpus compreensível”(Thomson. 1992) O termo corpus pe usado pelos lingüistas para descrever sua inteira coleção de exemplos de fala da língua que ele esta estudando. Seu corpus compreensível e uma crescente coleção de segmentos da fala gravados com os quais você se tornou familiar, discutindo-os com o seu CA quando necessário e ouvindo-s repetidamente. No fim do seu período de estudo de tempo integral, você deve ter um corpus compreensível de pelo menos quarenta ou cinqüenta horas. Sendo familiar com tal quantidade de fala, contribuirá para seu sentimento em geral em relação a LINGUAGEM. Este senso geral da linguagem será a base para o progresso continuado de sua habilidade de fala.


Principio III durante estágio II: conheça as pessoas que falam a língua que você esta aprendendo


A maioria das atividades discutidas contribuem para que você conheça as pessoas que falam a língua que você esta aprendendo. Pegue o Método Serial. Em uma ocasião, eu quis que um paquistanês demonstrasse o método serial para um grupo de pessoas, usando a sua linguagem, a qual nos estávamos aprendendo há alguns dias atrás. Para lhe dar uma idéia do Método Serial, eu fui através de uma serie em Urdu. Envolvia fazer chá, e eu tinha todos os ingredientes e os potes estavam lá para que eu o usasse como tinha dito. Depois de ter mostrado todos os passos de fazer chá, descrevendo o que eu estava fazendo, eu perguntei ao homem se ele poderia fazer a mesma coisa usando a sua própria língua. Para minha vergonha, ele respondeu: “Tudo bem, se eu fizer o chá do jeito que fazemos aqui no Paquistão?” Ei então, vi os passos que deveria ter seguido. O Método Serial levou-me a compartilhar esta área da experiência humana com os paquistaneses em geral.

Ou então considere o uso de estórias conhecidas, como os Três Porquinhos. Estas histórias podem não falar para você muita coisa sobre o que as pessoas pensam. NO entanto, depois de ouvir a versão que já conhecida para você, pode pedir ao falante nativo para contá-la para você na versão local, como que a história é contada naquela cultura. Isto pode ser necessário até mesmo na primeira versão da história. Por exemplo, eu achei a história dos Três Porquinhos publicada por uma editora em Urdu,mas os porcos tinham sido trocados por coelhos, visto que muçulmanos não se sente muito bem falando sobre porcos. (As figuras ainda eram figuras de porcos, mas na estória escrita, eles sempre se referiam a eles como coelhos!).

Quando o seu CA falar sobre eventos recentes e conhecidos,ou de atividades que você tem compartilhado juntos, você começará a ver os eventos locais, com olhos locais, ou seja, do ponto de vista da cultura local. E quando você relacionar as suas experiências de vida com as experiências deles, ou discutir tópicos tais como criação de filhos, ou o que quer que seja,, você estará expandindo sua consciência do mundo no qual sua nova linguagem é usada. Jogo de papéis contribuirá para sua aprendizagem de língua como um veículo do pensamento e vida local, baseado em experiência local.


3.1.4.1. Focalizando em Traquejos sociais


Durante o tempo de anotação do seu jornal diário ou num tempo de reflexão , você estará anotando as vezes em que experimentou tensão interpessoal, desconforto ou conflito. Isto faz parte de um fenômeno universal entre aprendizes de uma língua que estão vivendo numa comunidade que fala uma segunda língua: choque cultural. Furnham e Bochner (1986) são experts neste assunto. Eles chegaram a conclusão que choque cultural muitas vezes é discutido como se fosse algum tipo de doença mental, ou, em suas palavras, uma patologia intra física(?). Eles argumentam que a causa de choque cultural não está dentro do individuo, mas está no que acontece entre as pessoas. Não é de origem intra física, mas interpessoal. A chave para vencer isto é, na sua opinião, discutir as causas de problemas interpessoais que causam choque cultural. Estas podem ser compreendidas em termos de habilidades sociais que você necessita para agir na sua nova sociedade, mas que ainda não adquiriu. Habilidades sociais são as habilidades que você precisa para se comportar apropriadamente em interações interpessoais. Furham e Bochner acreditam que…… habilidades sociais podem ser conscientemente aprendidos e praticados. Por exemplo, há habilidades sociais específicas para se sair de flertes. Você não sabe nada sobre isto, porque você não nasceu nesta cultura. Mas você pode aprendê-las através de jogo de papéis. Você pode aprender muito sobre uma área do problema discutindo com uma variedade de pessoas e aprendendo seu ponto de vista naquela situação. Você também pode praticar desenvolvendo habilidades através do jogo de papéis. Neste caso você pode criar um dado papel na maneira que você faz na vida real. Seu CA pode ajudá-lo nisto. Depois, ele mostra a você como ele lidaria com a situação. Finalmente, você pode usar um jogo de papéis, usando a forma do Ca. Tenha em mente que em qualquer cultura indivíduos diferentes tem diferentes níveis de habilidades sociais. Neste ponto, contudo, mesmo pessoas que não têm muito traquejo social, nesta sociedade, elas agem melhor que você.


Habilidades de conversação


Há certas habilidades sociais que tem a ver em saber manter uma conversação. Estas diferem de cultura para cultura. Por exemplo, numa conversação em inglês,


Focalizando em aspectos especiais da linguagem

Se você é como eu, deve estar preocupado em saber quando eu vou falar sobre gramática e como usa-la para falar melhor a língua. Como você vai saber onde está errando? Como você pode ultrapassar estas deficiências? Eu não tenho deixado de lado este aspecto. Eu já mostrei que a grande maioria das características e regras gramaticais da linguagem você absorve através da assimilação de dados compreensíveis nas sessões de aprendizagem e nas situações do dia a dia. Á medida que se tornar familiar com a língua, você naturalmente adquire a habilidade para usar a língua corretamente no que diz respeito a muitos detalhes. Você não estará consciente da maioria destes detalhes. Se você é um lingüista, pode ser que você esteja consciente de alguns detalhes e, mesmo sendo um lingüista, você adquire muito mais, apenas se tornando familiar com a língua, através de massiva exposição a dados compreensíveis.

Em segundo lugar, eu falei sobre coisas que você pode fazer quando a comunicação fica difícil, ou quando é quebrada. Isto pode acontecer, por exemplo, quando você estiver contando suas atividades do dia anterior ao seu CA. Podem haver paradas porque há falta de certas palavras ou padrões de sentenças; isto também pode ser a razão de você não compreender algumas coisas que os amigos ou o CA falam para você. Também pode ser porque há alguma área de conhecimento da cultura que você desconhece. Quando o problema envolve um padrão de sentença que você não sabe, sugiro que você se engaje em alguma atividade de comunicação que lhe exponha a uma boa quantidade destes padrões. Por exemplo, Carol Orwig recentemente falou-me da aprendizagem de Nugunu, uma língua africana em que há uma especial forma verbal de tempo que é usada para eventos que aconteceram no dia anterior, como oposto para eventos de um passado mais longe. Era fácil para ela estar em contato com esta forma verbal pedindo que as pessoas contassem para ela suas atividades do dia anterior. Também ela podia praticar esta forma, simplesmente contando suas atividades do dia anterior. A maioria dos detalhes gramaticais ocorrem com muita freqüência em específicos tipos de fala. Não é muito difícil pensar num meio de se envolver em atividades de comunicação que contenham um grande número de exemplos de formas particulares de sentenças que você deseja focalizar. Ou você pode incluir estas atividades dentro de algum evento. Por exemplo, um lingüista que estava aprendendo japonês com um casal, gastava metade do dia falando inglês para ajudar este casal na aprendizagem do inglês e a outra parte do dia eles só falavam japonês para ajudar na sua própria aprendizagem de língua. Ela poderia ter um padrão particular de sentença em mente e tentar usa-lo tão freqüentemente quanto possível. Por exemplo, numa semana, ela deu ênfase a forma passiva. Então, em vez de dizer “alguém me ajudou”, ela pode dizer “Eu fui ajudada”. Isto fez com que ela praticasse bastante este padrão de sentença, mas também pode ter contribuído para que este padrão fosse usado de uma forma meio artificial ou não natural ou de forma inapropriada. De qualquer forma, era como um jogo entre ela e seus anfitriões, e contribuiu para que ela tivesse mais habilidade com este tipo de sentença. (Esta história é contada em Stevick, 1989, cap.7). Se você não tem um bom conhecimento de gramática, pode não se sentir muito à vontade com esta discussão. Você não precisa saber o que significa passiva. Felizmente, conhecer o nome do tipo de sentença não é necessário. Quando há falhas na comunicação porque a pessoa que esta falando com você usa um modelo de sentença que você não compreende, ou quando você precisa usar uma forma que você não sabe como usar, você pode resumir o problema num papel com suas próprias palavras, ou escrevendo exemplos de modelos de sentença. Suponhamos que o modelo de sentença que causa dificuldade é “Eu fui ajudada.”. Você pode dar ênfase a este padrão sem saber como é chamado. Envolva seu CA ou amigo numa conversa sobre algumas vezes em que você, a pessoa com quem você esta falando ou outros conhecidos seus foram ajudados, ou as vezes em que você ou eles foram feridos, roubados, enganados, etc. Enquanto discutem estas coisas, tentem usar o padrão “ Eu fui ajudada, isto é, evitando mencionar a pessoa que ajudou (ou feriu, roubou, enganou, etc)

Um bom exercício neste ponto seria gravar a fala d alguém que não fala inglês muito bem. Preste atenção cada vez que a pessoa falar de uma forma não natural ou incorreta e tente criar uma atividade que ajude a resolver o problema de padrão de sentença ou item vocabular. Você pode usar fotos ou figuras para o objetivo da conversa. Fazendo este exercício ,você pode te uma idéia de como elaborar atividades que podem lhe ajudar a entender algumas áreas de gramática ou vocabulário. Você também pode consultar Thomson (1993a) onde eu ilustro atividades de comunicação que ajudam a esclarecer uma grande variedade de possíveis padrões de sentenças par aprender compreendendo.

Uma coisa que você também pode fazer é ler alguma cosia sobre a gramática da língua, mesmo em livros textos, se houver, ou em artigos ou monografias de lingüistas. Você pode ser motivada a ler sobre gramática, mas uma vez que a aprender esta língua envolve dominar seu completo……………. Você pode não compreender todos os jargões técnicos mas o fato de já saber bastante da língua ajudará você a entender o jargão, a partir dos exemplos dados. Mas não acreditem tudo que você ler, especialmente se o escritor não é um fluente falante da língua.

Pode ser que você tenha o oposto do problema. Você ama gramática e não se sente bem se não esta conscientemente pensando em cada aspecto gramatical da língua que você esta aprendendo. Lembre que no principio, isto é impossível. E, falando francamente, que vantagem tem gastar um monte de tempo pensando sobre aspectos de gramática que são irrelevantes? Por exemplo,a ordem típica do inglês numa sentença simples é SOV (como quando eu digo John Mary helped significando que John helped Mary). Observando muitos nativos falantes de inglês que estavam aprendendo Urdu, não vi evidencia alguma de que alguém tivesse qualquer problema com a ordem básica das palavras; nem vi nenhuma evidencia de que os falantes de Urdu que estavam aprendendo inglês tivessem qualquer problema com a ordem das palavras em sentenças simples. Parece que as pessoas aprendem a ordem básica das palavras sem que tenham de se esforçar para isto. Por isto não seria bom gastar tanto tempo enfatizando este aspecto gramatical. Milhares de detalhes da linguagem que você esta aprendendo caem nesta categoria. No entanto, algumas vezes você vai querer saber algum padrão especifico de sentença que você precisa para poder expressar algum particular significado. Você pode focalizar neste padrão, usando isto na comunicação.

Nota: Nota parentética para lingüistas: Muitos lingüistas têm me dito que eles só conseguem falar uma língua, se eles já a analisaram. Uma vez que eles sabem que é logicamente impossível tornar-se fluente desta forma, eu considero isto um modo hiperbólico de dizer analise lingüística e benéfico para a aprendizagem de língua. Isto é verdade no que me diz respeito e eu sempre encorajaria alguém diante de uma difícil e não estudada língua, faz4r algum curso de treinamento lingüístico. A mais importante área de analise para o estudante da língua são morfemas obrigatórios não flexionados de classes fechadas, marcando categorias como tempo/aspecto/modo, pessoa/número/concordância e caso. A maioria dos lingüistas acha útil organizar as formas em paradigmas. Ainda, aprender os paradigmas e saber usar os morfemas na comunicação são atividades diferentes. Agora, se qualquer não lingüista está lendo estas nota, por favor, não fique nervoso. Apenas vá em frente e adquira uma boa quantidade de dados compreensíveis assimilados, prática na conversação e conhecimento das pessoas. Fazendo isto, você estará aprendendo a linguagem melhor do que muitos leitores que compreendem expressões, tais como “morfemas gramaticais de classes fechadas obrigatórias”, mas que ignoram estes três princípios chaves da aprendizagem de língua.

Pessoas que aprendem inglês tem dificuldade com a ordem das palavras que é usada em perguntas. Em vez de dizer “Who has John been helping?”, eles podem dizer “Who John has been helping?”. Para estas pessoas, deve ser útil focalizar neste padrão de sentença. Por exemplo, alguém que esta aprendendo inglês poderia pedir que o seu CA fizesse centenas de perguntas sobre fotografias que eles estivessem vendo juntos e então o aprendiz da língua poderia fazer muitas perguntas ao seu CA como um meio de praticar o padrão de sentença complicado no contexto real de conversação. Mas o importante é: somente faça este esforço em aspectos gramaticais com os quais você tem problema. Muito de gramática vira automaticamente, sem que você se preocupe com isto ou mesmo sem que você precise ficar pensando nisto, se você esta exposto a uma grande quantidade de fala e conversação.

Há uma crença bastante incentivada de que o aprendiz poderia ser beneficiado por praticar de varias formas em alguns padrões de sentenças particulares no abstrato, sem aprender o uso destes padrões de uma forma significativa na comunicação. Os benefícios deste tipo de exercício tem sido questionado. Seu objetivo não é apenas de ser capaz de produzir os padrões como um fim em si mesmos, mas usá-los na comunicação. Você pode adquirir pratica usando o padrão numa situação de comunicação Tanto quanto manipulando-o em exercícios padrões sem significado. Alem disso, os elaboradores destes padrões de exercícios, tendem a fazer c que os estudantes treinem estes padrões de exercícios, quer eles tenham ou não dificuldades nestes padrões. Nos cursos atuais , estes padrões de exercícios não são mais usados como eles eram há algum tempo atrás, uma vez que foi reconhecido que os estudantes precisam usara língua para se comunicar nas diferentes situações. Quando a habilidade de comunicação do estudante é falha, por falta de conhecimento de algum padrão de sentença, então é pratica comum parar e focalizar nesta deficiência. Ou se os estudantes cometem erros, consistentemente, a aprendizagem é focalizada naquele problema. Mas a prática mais comum hoje em dia e deixar que os estudantes usem a língua nas diferentes situações, tanto côo ouvintes quanto como falantes.

Intimamente relacionado a este assunto de gramática é a questão de você querer que as pessoas falem a você cada vez que você “erra”. Há uma crença quase universal entre aprendizes de língua que é bom que os erros deles seja corrigido na hora em que eles falam. Isto realmente tem sentido? Lembre-se, é normal começar falar de forma muito limitada digamos, pobremente, e depois, de forma gradual melhorar mais e mais. Como podem as pessoas corrigirem cada erro? Por um longo tempo, a menos que você diga apenas coisas memorizadas, a maioria das coisas que você disser, será “errada”, uma vez que você não estará dizendo no modo mais natural de ser dito. Mas você vai melhorar se continuar falando e falando e se expondo a fala que é considerada correta e com a quantidade do que você pode compreender. O ponto de vista mais aceito hoje e que você principalmente, deve se concentrar na comunicação. Concentrar-se em compreender as pessoas… Se você fizer isto, sua fala melhorara. Se as pessoas realmente forem corrigir cada erro cometido por você, nenhuma comunicação será feita, uma vez que você gastará maior parte do tempo falando sobre a forma da língua, do que usando a língua do melhor jeito possível para que você expresse o significado desejado. Tendo dito isto, desejo falar sobre um modo de descobrir as deficiências e problemas na sua fala que não vai desviar-lhe da pratica da real comunicação. Você fala alguma coisa para o seu CA e grava isto. Se você tem seguido as sugestões acima, você já esta fazendo isto. Mas uma ou duas vezes por semana você pode fazer uma gravação da sua fala com o seu CA especificamente para o propósito de verificar meios melhores de ter falado mais naturalmente, mais precisamente ou com uma gramática mais acurada. Suponhamos que você fez uma gravação de você mesmo contando uma historia para o seu CA. Toque de novo, uma sentença de cada vez e pergunte ao seu CA se poderia ter um jeito melhor de você falar esta sentença.. Poucas vezes ele não terá algum ajuste ou correção a fazer. Quando ele fizer alterações, anote no seu caderno. A pagina poderá ser dividida em três colunas:na primeira, escreva a sua sentença original, do jeito que você disse quando estava contando a historia; na segunda , escreva o jeito que o Ca sugeriu; na terceira escreva o que você entendeu ter sido o seu erro. Neste processo, você aprenderá novos meios de expressar velhos significados. Algumas descobertas irão, ao mesmo tempo, ajudar na sua habilidade de falar. Em outros casos, você desejará elaborar atividades de comunicação que enfatizam um particular padrão de sentença ou elemento gramatical, providenciando muitos exemplos dos mesmos em input compreensível. Uma outra situação em que você talvez queira pensar sobre detalhes gramaticais da linguagem é durante sua reflexão diária e enquanto escreve seu jornal. Enquanto você escuta as fitas das suas atividades de aprendizagem diárias, você pode anotar qualquer nova observação que você queira fazer sobre a língua. Também encorajaria você a fazer um simples dicionário no qual você poderia adicionar as novas palavras aprendidas.

 

Atividades de aprendizagem de língua no estagio III


Talvez você tenha chegado ou não no estagio III. Talvez você tenha chegado num certo nível de habilidade de fala, e você fala “fluentemente” num nível pobre, sem melhores aperfeiçoamentos. Isto é chamado fossilização. Mas você não fossilizou porque você seguiu uma estratégia para se expor a uma grande concentração de dados assimilados e adquirir pratica na conversação. Se alem de usar poderosas estratégias no estagio II, você também usou poderosas e apropriadas estratégias no estagio I e a língua sendo mais ou menos difícil, você deve ter três ou quatro meses de estudo e já chegou ao estágio III. Este é um longo estagio e você estar nesta fase por muitos meses. Em todos os estagio, os objetivos serão os mesmos: adquirir boa compreensão, se empenhar em conversação extra e conhecer as pessoas que falam a língua que você esta aprendendo. Alcançando estes objetivos, fica mais fácil para você continuar. Minha discussão das atividades do estagio III será breve, pelo fato de que os métodos discutidos aqui providenciam um input compreensível extremamente rico e uma interação conversacional sem nada de truques que foram necessários nos estágios I e II. Aqui, na verdade, você aprende usando mais a língua que focalizando nela como tal.


Expondo-se a input em tópicos familiares


Eu defini os estágios de acordo com o que e preciso para que seu input seja compreensível. No estagio I você teve dificuldade de compreender a fala que não foi claramente ajudada por figuras, objetos ou ações. No estagio II você teve dificuldade de compreender a fala, a menos que o conteúdo fosse previsível ou tivesse sido negociado com o CA. Agora no estagio III, você ainda tem dificuldade de compreende a fala a menos que você seja familiar com o tópico e escute todas as coisas em seu contexto. Você continua tendo a necessidade de negociar o significado com seus colegas, mas não e tão difícil quanto o foi no começo do estagio II. Durante o referido estagio você se apoiou bastante num pequeno número de amigos que eram compromissados com você e lhe conheciam muito bem e eram bons na comunicação com você. Agora você pode aumentar grandemente o número de pessoas com quem você pode efetivamente negociar o significado na conversação.

Agora, voe precisa ter muito input nos tópicos familiares que são discutidos. Suponhamos que você é um estudante de física e você tem a oportunidade de matricular-se um curso de física, que trata de um assunto de uma determinada área que você gostaria de aprender mais. Isto ajudara a você na habilidade de compreensão num tópico que de alguma forma, já lhe e familiar.

Para a maioria das línguas, não será possível freqüentar cursos nas universidades, mas você pode encontrar pessoas que podem conversar com você sobre tópicos que lhe serão familiares. Uma historia que e desconhecida para você, mas tirada de sua própria cultura poderia também ser considerada input compreensível no estagio III. Por exemplo, O Ca pode ler uma estória de um de seus colegas aprendizes ou de algum outro amigo do seu pais e fala a historia na sua nova língua. Se você freqüenta alguma igreja, vai ver que muitos tópicos dos sermões são familiares para você.


Tornando-se familiar com tópicos não familiares


Há algo mais importante que conseguir pessoas para falar para você sobre tópicos familiares. O que e mais importante para você é aumentar o número de tópicos locais com os quais você e familiar. Isto leva-nos de volta para o assunto de esquemas e o fato de que comunicação efetiva e de sucesso de um grande corpo de experiência e conhecimento compartilhados. Chamo a sua atenção para como a sua compreensão da minha anedota de multa de transito dependeu do seu conhecimento do esquema geral de como multas de transito são dadas na América do Norte. Cada cultura tem um grande número de esquemas que são particularmente ou completamente únicos para ela. Também há esquemas que são mais importantes em sua nova cultura e que não tem tanta importância em sua cultura original. Eu vou muitos anos ao Canadá sem ir a uma festa de casamento e quando eu vou, rapidamente termina. No Paquistão, pelo contrario, são um dos maiores eventos sociais. São bem requintados e as atividades relacionadas com noivados e casamentos duram dias. Um paquistanês aprendendo minha cultura provavelmente iria pensar que ela precisaria aprender logo o esquema geral do casamento canadense. E claro, que é uma coisa que ela precisa aprender, mas é menos importante do que ela poderia imaginar. Um canadense no Paquistão pode, de alguma forma, subestimar a importância de aprender o esquema de casamento. Em ambos os casos, seria um grande erro pensar que apenas porque nas duas cultura existem casamentos, os esquemas são os mesmos ou similares.

Isto obviamente,leva-nos de volta ao principio III. Conhecer as pessoas cuja língua você sta aprendendo. Daqui em diante, o Principio III estará em primeiro plano. Durante o estagio III , enquanto você estiver aplicando o principio III de uma forma mais intensa, você estar se expondo a aumentar seu inpiut compreensível(Principio I) e esse empenhando em conversação extra(principio II) sem se preocupar sobre isto.

Você estava aprendendo esquemas culturais quando você usou o Método Serial. Contudo, seu objetivo em usar este método era ouvir a fala que era altamente previsível. Você concentrou o uso do método serial em esquemas que já eram conhecidos para você. Isto coloca-lhes na categoria de truques, atividades de comunicação semi artificiais. A vantagem era que isto fez o conteúdo previsível e compreensível durante o estagio II. Isto ajudou-lhe a se tornar familiar com um boa quantidade de novos vocábulos, e lhe deu uma ba quantidade de pratica em ouvir a língua co compreensão. Mas na comunicação normal, os falantes não falam pára os ouvintes nos mínimos detalhes de coisa que eles já conhecem.

Agora você pode usar o Método Serial com todos os tipos de esquema que não são familiares para você. Seu objetivo e se tornar familiar com estas series que você mesmo pode produzir com suas próprias palavras. Isto não significa que você vai memorizá-las. Melhor, você pode pedir que várias pessoas falem as series para você e voe tentará contá-las para muitas pessoas do melhor jeito que você puder. Algumas de “suas próprias palavras” serão palavras que você adquiriu no processo de aprender as series.


3.2.2.1. entrevista etnográfica


O método serial leva-nos para uma das mais importantes das atividades de aprendizagem do estagio III – pesquisa etnográfica. Pesquisa etnográfica e mais como comunicação normal do que método serial. Na comunicação real e comum o caso que o falante tem a informação que o ouvinte não tem, o ouvinte deseja a informação e o falante deseja dar a informação ao ouvinte. Isto é muito freqüente em pesquisa etnográfica. O Ca tem a informação que você precisa. Você deseja esta informação e ele deseja dá a você. Não é comunicação natural no sentido de ser exatamente como a fala numa conversação entre dois falantes nativos. Primeiro de tudo,você esta ouvindo coisas que os flante nativos não precisam ouvir porque eles já sabem estas coisas. Segundo, seu CA ainda esta usando uma linguagem cuidadosa e simplificada ao falar co você para que você seja capaz de compreende-lo melhor e mais facilmente do que se ele falasse como fala co os falantes nativos.

A palavra “etnografia” em seu significado mais geral refere-se para a descrição da cultura. Hoje em dia, quando as pessoas falam de métodos etnográficos, geralmente têm um significado mais especifico em mente: vir a conhecer a cultura da sua própria estrutura de referencia, através de intensiva observação e interação com membros desta cultura.. Um etnográfico profissional é, acima de tudo um experto observador, percebendo, e gravando miríades de detalhes em situações que um observador não treinado deixaria passar. Depois de fazer extensas observações de eventos específicos, o etnógrafo tenta compreender o sistema cultural que da significado a estes eventos específicos. Do ponto de vista de um membro da cultura, como cada evento e relacionado a outros eventos e como cada um é compreendido no que diz respeito a suas causas e propósitos? O etnógrafo tenta descobrir o sistema de conhecimento organizado pelo qual membros da cultura regulam suas atitudes e interações. A idéia crucial aqui é que o etnógrafo procura a perspectiva internamos eventos e as relações com as culturas. Você pode compreender por que o aprendiz da língua precisa de uma boa dose deste espírito etnógrafo. Spradley diz que seu livro sobre pesquisa etnográfica é “num certo sentido…. um conjunto instruções para aprender uma outra língua” (Spradley, 1980 p.21).

O que você deseja fazer como aprendiz da língua e pesquisador etnográfico e conseguir que as pessoas lhe revelem o conhecimento de sua cultura e permita que você possa ver o mundo deles através dos olhos deles. Isto significa conversar com as pessoas sobre coisas que elas sabem, mas que conscientemente não pensam sobre isto. Você precisa deixar claro para as pessoas que você não sabe os detalhes mais simples da vida delas. Então, quando as pessoas lhe falarem coisas que para eles são difíceis de dizer porque já fazem parte do conhecimento geral de todos, você deve se mostrar satisfeito lembrando-lhes que você e ignorante destas coisas que para eles são obvias.

Um desafio a ser enfrentado logo de cara é como decidir quais áreas da cultura você quer saber. Você já deve ter feito uma lista de situações sociais, anteriormente quando você estava procurando por tópicos de conversa para o seu passeio pela comunidade. Uma situação social, nos termos de Spradley pode ser compreendida como:

    1. um lugar
    2. atores
    3. atividades (ver Spradley 1980, pág. 39-52)

Por lugar, ele se refere a um lugar especifico, tal como a praça da vila ou a esquina de uma rua. As pessoas usam este tipo de lugar para um propósito particular ou um a serie de propósitos. Por exemplo, a praça da vila pode ser usada para festas e discursos políticos. Quando um lugar esta sendo usado para um propósito, este propósito será definido pelo que os participantes, atores ou figuras políticas são e pelo que eles fazem. No caso de discurso político, os atores podem ser o chefe, ou alguma outra figura política e a multidão que assiste a tudo. As atividades incluem a fala, que devera ter certas características e inclui o que a multidão faz na hora do discurso.

Em qualquer cultura haverá uma grande quantidade de situações sociais. Pense no café da manha. Qual é o lugar? Quem são os atores? Quais são as atividades? E sobre um vendedor e um cliente na porta de casa? E uma mulher no poço da vila? E sobre dois homens se encontrando no poço da vila? O mundo e cheio de situações sociais Mesmo um único dia cheio de observações detalhadas poderia dar uma longa lista de situações sociais que podem formar a base para discussão com seu CA e outros amigos. Além disso, no decorrer da entrevista, as pessoas aprenderão de muitas situações sociais que você ainda não observou. Seu objetivo é sempre discutir uma situação especifica social com as pessoas que participam dela. Eles são aquelas que possuem o conhecimento cultural para se comportarem adequadamente nestas situações sociais.

A entrevista, por ela mesma, faz muito uso de perguntas. Spradley(1970), descreve 30 diferentes variedades de questões, consideradas questões discursivas, que se enquadram em cinco maiores categorias:

1.

2.

3.

4.

5.

Questões sobre a língua nativa são usadas para saber como falar sobre certas experiências. Por exemplo, Spradley desejava perguntar aos circenses in Seattle sobre a experiência de ser preso, mas primeiro, ele precisava arranjar outros termos para prisão e para o ato de ser preso. Ele percebeu que para se referir a prisão usavam a palavra balde e ser preso esticar as canelas. Sabendo os termos corretos ele foi capaz de pedir às pessoas para falar-lhe sobre esticar as canelas. Como ele estava interessado em obter conhecimento sobre o mundo e a experiência deles, era importante que usasse seus termos; somente estes se referem a sua experiência. Se eles simplesmente pedisse para falarem sobre prisão e ir para a prisão, ele poderia conseguir bastante informação, mas estaria trabalhando do seu ponto de vista, não do ponto de vista dos circenses.

Para você como um aprendiz da língua, aplicação deste principio é … Se você deseja aprender como usar táxi, você pode simplesmente perguntar de um modo adequado, talvez usando estratégias de comunicação. Mas por que não começar perguntando sobre o uso de táxi? Suponhamos que a pessoa a quem você esta perguntando use uma palavra genérica para descrever a pessoa que pega um táxi. Esta palavra pode significar “pessoa” ou “cliente”. Você deveria perguntar se é a palavra adequada para se referir a um usuário de táxi. Pode ser que você descubra uma outra palavra como passageiro. Agora você estará mais habilitado a perguntar sobre passageiros usando a linguagem normalmente usada nesta cultura. Você pode aumentar as probabilidades de expressões normais pedindo que as pessoas usem o termo que elas usariam se estivessem falando com alguém da mesma cultura. Sem mais nada a dizer, seu principal objetivo é fazer perguntas e ouvir as respostas inteiramente na nova língua.

Agora, valos voltar ao primeiro tipo de perguntas da lista de Spradley: grand tour questions. Você pode ter observado um numero de situações sociais na roca, incluindo algum tipo de cerimônia religiosa, no preparo do campo, no plantio da roca. Este tipo de pergunta a respeito do plantio da roca pode ter a seguinte forma: Você poderia me falar sobre todas as coisas que você faz num dia de plantio? Isto é o que Spradely chama de típica pergunts tipo grand tour question. É chamada típica porque não esta perguntando sobre um especifico dia de plantio, mas sobre um típico dia de plantio. É um bom ponto de começo, porque ajuda-lhe a começar a internalizar o esquema geral que servirá para você discutir qualquer especifico dia de plantio O segundo tipo de grand tour question de Spradley lida com um momento especifico, e por isso e chamado de specifi grand tour question. Você pode perguntar: “Você poderia me falar sobre tudo que você fez ontem nos eu dia de plantio?” eu acho que eu consigo resposta mais completa no segundo tipo de pergunta do que no primeiro. …. spradley também fala sobre dirigida grand tour question e task-related grand tour questions. Em resposta a uma guides grand tour question, a pessoa pode levar você at a uma plantação e descrever as atividades que são feitas la enquanto vocês estão caminhando juntos. Em resposta a task-related. Você pode perguntar a seu amigo sobre atividades que estão acontecendo naquele momento.

Talvez a grandest tour que você pode perguntar é a descrição sobre o estilo de vida típico de uma pessoa. Muitos dos eventos e estágios eu são mencionados na descrição de uma vida nos dá idéias para adicional grand tour. Por exemplo, você pode ouvir que a cerimônia mais importante ocorra quando uma criança tem seis meses de idade. Tal cerimônia nos dará uma base para uma grand tour. Você também pode pedir por uma descrição especifica do tempo de vida de uma pessoa especifica. Na maioria dos casos, isto poderia envolver pessoas falando a historia de sua própria vida. É bom conseguir estas narrativas de pessoas de idades variadas e histórias de vidas diferentes.

Para saber mais sobre o tempo de vida típico de uma pessoa e um especifico tempo de vida, você pode pedir sobre um ano especifico, mês ou semana (se é relevante) e um típico dia, significando um dia em geral, em oposição a um dia de plantação, um dia de colheita ou dia de compras.

As míni-tour-questions são diretamente tiradas das grand –tour question. Seu procedimento ao pedir uma gand-tour question poderia ser gravar na fita a resposta e então ouvir a fita junto da pessoa que deu a resposta. Enquanto estiver passando a fita, você pode perceber detalhes que poderiam ser mais elaborados. Por exemplo, quando um motorista motor-rickshaw deu-me uma grand-tour do que ele faz quando ele dá uma carona a um passageiro, ele mencionou começar um rickshaw. Quando fomos gravar a fita, eu perguntei como ele começa o rickshaw. Esta era uma míni-tour question. Ao responder, ele me disse el alguns detalhes, os passos seguidos ao começar o rickshaw. Como grand-tour questions, míni-tour questions podem ser típicas, específicas, guiadas, ou task=related. Por exemplo, eu poderia pedir que ele me lecasse ao seu rickshaw e da-me uma demonstração, com explicação, ao ligar o motor. Isto poderia ter sido uma task related míni-tour question.

Como míni-tour questions, exemplos de questões saem das respostas de outras questões. Por exemplo, ao discutir sobre roça de trigo, seu amigo pode mencionar rocas pobres e você pode perguntar por algum exemplo de roça pobre. Isto pode trazer à tona muitos motivos que podem fazer com que uma roça não dê bem. Questões experimentais? Envolvem perguntar a uma pessoa sobre uma experiência interessante. Você pode perguntar: “Você teve alguma experiência interessante na plantação de trigo.”É bom que antes disso você já tenha feito algumas grand e míni-tour questions sobre o mesmo tópico porque as respostas destas questões irão lhe dar esquemas culturais que lle fará capaz de compreender as estórias que são faladas em resposta a perguntas de experiências. Meu amigo motorista rickshaw falou-me de uma vez que uma passageira pulou do seu rickshaw sem ele esperar, porque ela tinha duvidas sobre suas intenções. Esta historia revelou um numero de valores que podem definir um rickshaw e abriu a porta para uma riqueza de temas culturais sobre relacionamento homem mulher.

Tem muito mais a ser dito do método de Spradley. Pergunta descritiva é apenas o primeiro passo. Os passos subseqüentes levarão você a compreender mais profundamente as partes que compõem as situações sociais. Spradley leva você de ver uma mera situação, isto é, atores executando atividades em um determinado lugar, para descobrir cenas culturais, isto é, à compreensão dos significados que os membros da cultura dão aos atores e às atividades e como esses atores e estas atividades são relacionadas a cada um deles. Um importante conceito é a posse cultural. Você pode misturar posse cultural com as respostas para questões descritivas quando o falante indica, explicita ou explicitamente. Aqui você pode ver que o falante esta assumindo uma categoria completa de objetos com a cultura. Por exemplo, em conexão com a plantação de trigo,seu amigo poderia mencionar que trabalhar num plantio num dia em que alguém morreu, dá azar. Isto pode sugerir dois possíveis posses culturais: o que causa azar e situações de azar.

Que outras coisa podem causar azar? Você pode aumentar a lista perguntando a muitas pessoas. Quais as coisas que acontecem para pessoas que tem má sorte? Alem de perceber possíveis posses culturais enquanto escuta a fita de respostas descritivas, você também pode ver estas coisas na observação direta. Algumas vezes simplesmente observar complexidade é suficiente para fazer você ver uma posse cultural. Se você observou as lojas de doces na Ásia, você pode perceber uma variedade de doces. Aqui há uma evidente área de conhecimento que pode ser universalmente compartilhadas pelos membros da cultura. Por que todos estes doces? Que significados estão ligados a eles? Você pode aprender que certos doces são distribuídos para vizinhos em certas ocasiões. Isto pode levá-lo a conhecer uma posse cultural. Pode começar a conhecer sabendo que: Há ocasiões quando as pessoas distribuem o doce chamado laddu para seus vizinhos. Uma vez que você tenha a lista destas ocasiões, você pode encontrar um nome melhor para a posse cultural lendo a lista de ocasiões para as pessoas e pedindo as pessoas para dizer o termo que se relaciona com tais ocasiões. As pessoas podem responder dizendo: Todos estes são exemplos de tempos de celebração. Uma vez que você já sabe o termos, tempos de celebração, pode fazer com que as pessoas tragam à tona adicionais tempos de celebração, que pode ir alem daquele nos quais o doce laddu e distribuído aos vizinhos. A distribuição do doce laddu pode então, tornar-se ela mesma um modelo de posse cultural para os meios de celebração. O rotulo para posse cultural pode ser similar ao seguinte:

  • Meios de fazer X
  • Tipos de X
  • Partes de X
  • Estágios de fazer X
  • Lugares de fazer X
  • Razões de fazer X
  • Usos do X

Um bom momento para procurar por possíveis posses culturais é quando você estiver ouvindo as fitas das gravações das suas entrevistas. Nem todas as possibilidades que você irá bater , mas alguns irão. Fora os numerosos exemplos de posse cultural que você encontra, alguns serão, particularmente frutíferos. Foi este o caso quando Spradley começou a aprender todos os meios to make a flop que eram geralmente conhecido por circdenses em Seattle. Parece que havia mais de cem modos de to make a flop, e este conhecimento era geralmente compartilhado por membros de uma comunidade de circenses. Quando você pisa em falso num domínio cultural destes, você sabe que esta lidando com uma área de principal interesse da cultura.

Para maiores detalhes, e passos mais avançados de analise etnográfica, você precisara se referir a Spradley (1979, 1980). Espero ter aguçado seu apetite por usar entrevista etnográfica como um dos mais importantes meios de melhorar sua habilidade de linguagem durante o estágio III. Entrevista etnográfica alcança os objetivos relacionados aos princípios I e II. Muitas respostas para estas questões serão extensas, dando input compreensível no momento e, mais tarde, quando você ouvir as fitas. Você pode ouvir as fitas em detalhes com um falante, discutindo o que ele disse e esclarecendo quais necessidades devem ser esclarecidas. Isto estimulara uma grande quantidade de comunicação extra. Uma vez que você já esta familiarizado com uma extensa resposta para a questão, você pode tentar dizer com suas próprias palavras. Por exemplo, suponhamos que seu CA tenha lhe dado um passeio verbal sobre casamento, falando de cada evento em seqüência. Depois de ouvir toda a fita, você pode voltar e tentar você mesma descrever o evento.. Depois de descrever cada pequeno detalhe você pode ouvir um pouco mais a fita e ver quão perto sua descrição esta perto do seu CA. Você precisara fazer isto na presença do CA, então você poderá ter alguém para falar para você. Alem de satisfazer os Princípios I e II (input compreensível e comunicação extemporânea), através da entrevista etnográfica, você estará começando a conhecer as pessoas em maior escala (Principio III). À medida que você se torná a mais familiar com uma área mais vasta de conhecimento e crença, você estar aumentando o numero de tópicos que lhe são familiares. O resultado disto sera que quando você ouvir as pessoas falando em qualquer contexto ou situação você Vera que isto aumentara e muito seu input compreensível. Alem do mais isto fará com que você chegue num nível em que tudo o que você ouvir no curso da sua vida contribuirá diretamente para a sua aprendizagem de língua (estágio IV).

Há tantos meios de falar…

Eu mencionei um palestrante que era capaz de falar fluentemente em Inglês quando falava do seu campo de conhecimento, mas começou a gaguejar quando falou sobre algo que lhe tinha acontecido recentemente. Isto ilustrou a importância de aprender a falar sobre todos os tópicos normais da vida diária. Há mais coisas envolvidas do que aprender vocabulário para uma área especifica. As pessoas poderiam normalmente palestrar numa forma de linguagem que é diferente da forma na qual eles poderiam conversar sobre eventos da festa de sábado à noite. Há diferentes formas de se expressar usando apenas uma língua, que são conhecidas como variedades da linguagem. O fato de você ser bom numa variedade de coisa não significa que você é bom em tudo. É sabido que a língua escrita é diferente da língua falada. Algumas dessas diferenças são relacionadas ao fato de que leitor tem muito mais tempo se ele deseja processar o que esta na pagina, enquanto que o ouvinte deve processar tão rapidamente quanto é falado e tenta conversar com o falante. Um resultado disto é que a linguagem escrita pode usar sentenças mais complicadas. Também, um escritor pode ser mais cuidadoso que um falante, uma vez que ele pode revidar e corrigir o que ele escreve. A linguagem falada, por outro lado, contem muitos começos não muito bons, sentenças incompletas e erros de vários tipos.

Mas pode ser uma supersimplicacão contrastar linguagem falada ou escrita deste modo. Biber (1986) mostra que as diferenças mais básicas têm a ver se a linguagem usada é altamente interativa, o que é mais comum conversação ou mais cuidadosamente editada, o que tem a ver com a linguagem escrita. Mas , às vezes a linguagem falada é relativamente cuidadosa , como é o caso da fala preparada, e as vezes a linguagem escrita é de alguma forma, interativa em estilo, como é o caso de um bilhete de uma criança para seu colega de classe. Um outro fator que Biber mostra distinguir diferentes variedades da linguagem…. Linguagem abstrata ocorre, por exemplo, quando alguém esta propondo razoes para fazer uma decisão particular ou dar explicações de porque alguma coisa é deste jeito. A linguagem concreta lida com coisas especificas, situações e eventos no mundo. Um outro fator que Biber coloca como determinante da variedade geral da linguagem usada tem a ver se o falante esta discutindo alguma situação particular fora de contexto, como é o caso de uma estória sobre alguma coisa que aconteceu num outro tempo e lugar, ou esta falando sobre o imediato, o aqui e agora, ou sobre o mundo em geral.

Nota: Nota parentética: Eu tenho falado de apenas alguns poucos aspectos da variedade de linguagens. Outras questões tem a ver com mudanças geográficas (chamadas dialetos), variedades masculinas e femininas (chamadas dialetos de gênero) e variedades baseadas no status social do falante ( chamados sócio-dialetos), etc. Características de linguagem do tipo discutida por Biber mostrara diferentes graus em diferentes situações em cuja linguagem é usada. Por exemplo, noticias de radio são mais ou menos editadas e geralmente, concretas, lidando com situações especificas, mas podem conter entrevistas que são mais interativas, e pedaços da fala que são mais abstratos. Mais cuidadosamente, variedades de linguagem editadas, tais como palestras, podem parecer mais difícil que uma simples conversação. E que elas envolvem sentenças mais complicados,e um maior número de itens vocabulares mais eruditos. No entanto, linguagem menos cuidadosa variedades de linguagem não editadas podem parecer mais difícil que a linguagem preparada, no que elas envolvem fala rápida e deixa um monte de lacunas para o ouvinte ou leitor preencher. Em analise final, diferentes variedades de linguagem trazem sua própria variedade de dificuldades e a chave é aprender todas elas, expondo-se a input compreensível em todas e pratica no uso criativo e extemporâneo do que é relevante para você. Em alguns casos, como noticias de radio, você apenas precisa se preocupar com a sua habilidade de compreensão.

Você precisa olhar ao redor de você de novo e começar a fazer uma lista de tipos de linguagem de eventos que ocorrem na comunidade e o contexto em que a linguagem é usada. Deve ter algum tipo e variedade de linguagem usada para conversar com estrangeiros, conversa entre amigos, conversa em família, escola, sala de aula, preleções em universidades, sermões, estórias de acampamentos, estórias infantis, conversas ao telefone, cartas pessoais, cartas comerciais, jornais, etc Provavelmente você não vai se preocupar tanto em definir cada variedade da língua. Tem a ver com a variedade de características da língua, incluindo a escolha das palavras, o uso de frases fixas e sentenças, a complexidade das sentenças e os tipos de sentenças em construções gramaticais. Se você é um lingüista, você pode analisar um monte de detalhes, mas digo outra vez, é impossível analisá-las na mesma proporção em que você as adquire; desta forma, você pode se confiar na hipótese d

o input: expondo-se a fala compreensível e escrevendo de toda as maneiras e situações, você acabara sabendo escolher que tipo de linguagem usar para cada situação.

Algumas dessas variedades de linguagem são mais importantes que as outras. Você poderia concentrar-se naquelas que fazem parte da experiência compartilhada por todos os membros daquela sociedade, e daquelas que se relacionam para as sua área especial de interesse e trabalho. Você poderia gravar exemplos simples de diferentes variedades da linguagem falada.

Em alguns casos, como com rádios, isto é fácil. Por que não usar rádios para ilustrar a estratégia geral para aprender uma especial variedade de linguagem? (infelizmente, no cado da maioria das línguas do mundo, não há estações de radio). Se há, e se você ainda não consegue compreender, deixe que eles causem impressão sobre você como sendo uma variedade da dificuldade da linguagem. Grave alguns pedaços de noticias de radio e ouça com o CA, da maneira normal. Isto é, discuta as gravações, parte por parte, adicionando novas palavras e expressões idiomáticas para seu vocabulário quando necessário, da maneira sugerida anteriormente e discuta áreas da cultura e experiência que são novas para você. Depois de ouvir estas fitas com o CA, continue a ouvi-las sozinha. Tendo processado uns quinze minutos da fita do radio, você vai perceber que esta entendendo razoavelmente bem novas noticias e pode arriscar alguns significados para as palavras e esta variedade de linguagem se torna mais fácil do que você esperava. O mesmo será verdade para as outra variedades da linguagem.

Algumas variedades de linguagem serão menos fáceis de gravar do que noticias de radio, mas vale a pena se esforçar para isto. Por exemplo, você pode pedir a permissão ao pregador pra gravar o sermão. Sua habilidade de compreensão chegou no ponto em que você pode trabalhar facilmente com relativa pobreza na qualidade da gravações. Não é que você não se importe com a qualidade das gravações, m as se não for possível uma gravação melhor, hiato não vai afetar sua compreensão. Pode ser que a mais difícil de gravar seja a mais importante para você aprender. É o que Burling (1982) chama de estilo coloquial rápido. Ele testemunha eloqüentemente a dificuldade que aprendizes de língua podem ter, com a “linguagem de rua”.

Era relativamente fácil para mim ter acesso a variedades do sueco formal. Eu aprendi a ler, a compreender as noticias no radio e mesmo a compreender a linguagem relativamente formas das salas de aula, mas eu sempre me frustrava com a linguagem falada nos

Burling acha que a linguagem coloquial é mais difícil que as outras variedades da linguagem. Precisa lidar com esta variedade da linguagem em particular. Os métodos que proponho também ajudarão. Passe toda a fit com seu Ca até que você posa entende-la facilmente. Colecione varias gravações com esta variedade linguagem e escute co o seu CA quando cada modelo estiver sendo gravado. Uma vez que você tenha passado ouvido um modelo e já se torne familiar com ele ouça repetida ente a fita. Alem disto, com este tipo de linguagem e co qualquer outro, você precisa continuar experimentando com novos modelos em reais situações da vida.. Em alguns casos, a variedade de linguagem informal pode ser, na essência, uma linguagem diferente da formal. Talvez seja o caso do alemão na Suíça, por exemplo. Para a maioria das linguagens do mundo a diferença pode não ser tão grande.

Não é fácil gravar fita da mais coloquial fala de conversas informais sobre assuntos banais. E pode na ser necessário. Mas se você acha que tem o problema que Burling fala acima, pode ser digno o esforço. Você pode pedir para que seus amigos conversem uns com os outros sobre assuntos tais como “meu momento mais embaraçante” ou “ aquela vez que eu quase morri”. Tendo os assuntos adequados, as pessoas se envolverão no que estão dizendo e esquecerão dos microfones em suas lapelas. Você também pode pedir para que duas pessoas boas de discussão interajam com um tópico em que eles tenham pontos de vista opostos. Para trabalhar a sua habilidade na fala, você pode participar ativamente nesta discussão e mais tarde, com a ajuda do seu CA, analisar a sua performance como se tivesse sido grava da uma fita e perceber as ocasiões em que você poderia ter sido mais coloquial. Você pode fazer a mesma coisa com outras formas de variedade da linguagem que você usa, como preleções, sermões, conversas ao telefone, cartas pessoais, estórias contadas ao redor de fogueiras, ou o que quer que seja.

Ao decidir com que variedade de linguagem trabalhar especificamente. Você pode usar sua lista de necessidades ou sua lista da linguagem dos eventos que ocorrem na cultura, ou que simplesmente refletem a sua vida. Há alguma particular variedade de linguagem que é difícil e da qual você sente uma forte necessidade de aprender? Talvez sejam estórias ao redor da fogueira. Eu usarei isto como exem0plo e você pode fazer os ajustamentos necessários para suas necessidades. Por exemplo, talvez a sua necessidade seja compreender sermões ou novelas. Mas vamos pensar que a gora você esta envolto em conversas de acampamentos ao redor da fogueira Você se sai bem nas rápidas conversas coloquiais, mas você sente que falta alguma coisa quando se começam a contar as estórias. Então trabalhe com estas estórias. Algumas vezes elas podem ser grandes, mas você pode procurar estórias menores. Grave-as da forma mais natural possível e depois ouça a fita com seu CA. Ca da vez que você não compreender alguma coisa, fale com o seu CA para saber por que. Pode ser que lhe falte conhecimento de esquemas culturais. Quando for este o caso, pare e faca uma grand tour questions ou míni-tour question para ajudá-lo nesta sua falta de conhecimento da cultura. Explore quaisquer áreas da cultura que você precise compreender para poder compreender as estórias. Trabalhe com novos vocabulários oi sentenças da maneira usual. Uma vez que você pode compreendera maioria do que esta na fita, escute-as quando estiver sozinha muitas vezes.

À medida quem você trabalha as fitas com seu CA, e se torna familiar com o que esta nelas, você pode adicionar novos exemplos gravados junto com as estórias, para poder aumentar seu corpus compreensível.. No fim do estágio III você poderá ter cinqüenta horas de fitas gravadas nestes corpus. Você poderá rodar qualquer parte da fita e ouvir com compreensão. Em Thomson (1992) eu sugeri que seu corpus compreensível pode conter uma hora de material compreensível, contanto que abranja tudo que você aprendeu a compreender no estágio I. Durante o estágio II você pode adicionar 4 horas de tipos de tipos de fala que foram típicas do estágio II: estórias familiares, narrativas de acentos recentes conhecidos para você e seu CA. Materiais do Método Serial, etc. Durante o estágio III você pode adicionar quarenta horas de material. Parece muito, cinqüenta minutos de material três vezes por semana por 10 meses equivale a quarenta horas. Cinqüenta minutos de material de pesquisa etnográfica ou outros recursos, tais como estórias de acampamento poderiam manter você ocupada durante uma ou duas horas. Se a linguagem tem um sistema ortográfico e contratar alguém para escrever não é tão caro, você poderia ter bastante deste material transcrito, uma vez que a variedade escrita pode lhe da um poderoso reforço no input falado. Se você é um lingüista ou um antropólogo, desejara ter uma boa quantidade de material transcrito, então você poderá arquivar de várias maneiras e processá-los. Como um lingüista com interesse na estrutura do discurso você vai querer coletar cinco ou dez horas de fala de pessoas são consideradas bons oradores, falando para pelo menos o um outro falante nativo, dizendo coisas que são importantes para eles e que eles deseja dizer para a particular audiência (veja a sugestão de Austin Hale descrita em Thomson, 1992).

Meus amigos tem adquirido muito do seu corpus compreensível, através de pessoas lendo para eles material escrito e gravando numa fita. Deste modo eles podiam praticar a leitura e discutir sessões que ele achava incompreensível e adicionar ao seu vocabulário, etc, quando apropriado enquanto trabalha suas habilidades de leitura.

Eu dei muita ênfase no trabalho com fitas. Obviamente, a maioria dos aprendizes de língua, no passado, aprendeu sem a ajuda das fitas. E a despeito da minha constante referencia a elas, você não pode esquecer que são apenas suplementos a sua exposição a conversação na vida real. A maioria do sua massiva compreensão, virão destas experiências. O valor das suas sessões de língua e o uso de fitas é que eles aceleram a quantidade de dados que se tornam compreensíveis para você. E você tem que continuar adquirindo input ds experiências do dia a dia. Se você é um aprendiz de tempo integral, você gasta duas ou mais horas por dia para visitas sociais e outros envolvimentos em eventos de comunicação. De varias formas, suas sessões de linguagem e fitas incrementam sua exposição a língua nas situações da vida real. Por exemplo, se parte da suas experiências do dia a dia envolve ouvir sermões, você usa a linguagem dos sermões como um meio de melhorar sua capacidade de ouvir sermões. E enquanto você visita alguém socialmente ou é visitado, se você tem feito pesquisa etnográfica relacionada a “como se pega um coelho” ou “o que acontece numa cerimônia para dar um nome”, então você tenta se engajar numa conversação sobre isto. Mas as suas sessões de linguagem não são limitadas para assuntos que tem a ver apenas com suas necessidades imediatas. Lembra do umbigo? Você precisa estar familiarizado com a linguagem para ser capaz de lidar com as mais variadas situações, onde a fala não é previsível , em situações do cotidiano. Suas sessões de linguagem alem de te ajudarem nas necessidades, cm as quais você se defronta no mundo de fora. Em todo caso, no meio de toda a minha ênfase em fitas e sessões de aprendizagem de língua, não esqueça do fato de que você tem que se preocupar com o mundo de fora, se encontrar com pessoas que se comuniquem nesta língua em todas as suas variedades.


E sobre o estágio IV?


Isto naturalmente no traz para o estágio IV. Neste estágio, você não é mais um aprendiz de língua tempo integral. Agora, tudo que você escuta é compreensível, então você tem que se certificar de que esta escutando o máximo possível. Tem muito a ver com o estilo de vida que você escolheu. Suponhamos que você esteja indo trabalhar num escritório quarenta horas por semana e você tem duas escolhas. Pode alugar um apartamento espaçoso, bem mobiliado, com ar condicionado. Ou então você pode alugar um escritório compartilhado por um numero de pessoas no escritório que interagem em sua nova língua durante todo o dia. Talvez você precise de uma secretaria. Você pode contratar uma com um excelente inglês ou uma que ache melhor usar a sua nova língua do que usar o inglês com você. Pode escolher uma casa para morar que isole você das outras pessoas ou uma na qual você é obrigado a interagir com as outras pessoas. Quando as pessoas vão lhe visitar, você pode deixar o que quer que esteja fazendo, mostrando que ela é mais importante do que qualquer outra coisa ou também pode mostrar, de forma implícita que ela esta atrapalhando um momento importante. Tais reações vão determinar se você vai receber freqüentes visitas ou se elas serão poucas e espaçadas. Pode ser que você não trabalhe num escritório, mas o que quer que você faça, sempre se depara com escolhas. Se você escolheu uma situação no trabalho, colegas, uma situação residencial e ou lazer, mas que mantenha você em contato com a língua, você continuara a progredir, uma vez que estará exposto a massiva compreensão (Principio I), engajamento em fala extemporânea (principio II) e conhecer as pessoas que falam a sua nova língua (Principio III). Você não precisa gastar todo o seu tempo nisto. Alem do mais, por causa do seu estilo de vida altamente ativo, você precisa tirar umas férias, descansar um pouco. Tenha um lugar para onde você possa ir quando achar que precisa de um lugar para descansar. Tenha um lugar privado para onde você possa ir quando precisar de alguns dias de trabalho ininterrupto. Tenha também alguns amigos de sua cultura de origem ou similar. Não gaste a maior parte do seu tempo com eles, mas tenha um tempo de qualidade com eles, mais ou menos freqüente. Quando estiver com eles não caia naquela de falar mal da sua cultura hospedeira. Isto pode fazer você se sentir mal. Verdade, você pode falar abertamente para seus amigos de suas frustrações, sabendo que eles não lhe condenam por isto. Algumas pessoas adquirem o habito de desrespeitosamente denegrir a imagem da sociedade hospedeira, fazendo disto, a parte mais importante da conversa, sempre que eles estão com seus amigos. Se você tem levado a serio o principio de conhecer as pessoas cuja língua você esta aprendendo (Principio III), você vai se sentir desconfortável.

Eu não quero dar a impressão de que você não precise ajuda de alguém como o CA durante o estágio IV, mas serão apenas ocasiões, não tempo integrais. Deseja aperfeiçoar sua fala? Você pode continuar gravando sua fala, sempre que você estiver usando a sua nova língua, e depois ouvi-la com o CA. Qualquer pessoa pode ser um CA, nesta fase da sua aprendizagem. Se você acha que está tendo problemas com um aspecto da linguagem em particular, você deve tentar uma atividade de comunicação que lhe permita usar a construção problemática ou itens vocabulares repetidamente. Finalmente, você pode treinar composição escrita. Quando se esta escrevendo e mais fácil ver os detalhes gramaticais do que quando esta falando, uma vez que você tem todo o tempo que precisa para pensar quando está escrevendo, podendo voltar e fazer correções. Então você precisa fazer redações de vários tipos e ouvi-las com o CA para descobrir os erros que você cometeu sem nem mesmo perceber. E bom treinar a composição escrita, mesmo nos estágios iniciais, especialmente estágio III. Da mesma forma, você pode ser grandemente beneficiada pela leitura, especialmente se tem bastante material escrito na língua. Quando você tiver dificuldade com o material escrito que você sta lendo, pode lhe dar a base pra as discussões com o CA.


Conclusão


Como disse antes, você realmente precisa lembrar dos três princípios:

Tudo o que escrevi foi com a intenção de fazer estes três princípios significativos. Primeiro, eu expliquei um pouco sobre a idéia principal por trás deles e mostrei meios concretos para coloca-los em pratica. É muito importante um principio adicional: o melhor meio de colocar estes três princípios em prática, dependerá do seu estágio na aprendizagem da língua. No estágio IV, simplesmente ouvir uma das historias lhe da input. No estágio II, a mesma estória poderia ser imensamente incompreensível, uma mistura de sons e não poderia ser qualificada como input compreensível.

Você pode inventar muitas atividades que colocarão os três princípio em pratica. Ninguém vai fazer todas as coisas exatamente do jeito que sugeri e muita gente vai usar técnicas bem diferentes. O importante é que os três princípios seja colocados em pratica, quaisquer que sejam as atividades levadas a cabo. Você vai se dar bem Prometo.

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