Quais são os principais passos para se plantar uma igreja em outra cultura ?

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Quais são os principais passos para se plantar uma igreja em outra cultura ?

PERGUNTA: Desejamos saber quais são os principais passos para se plantar uma igreja em outra cultura. E também que erros são mais comuns nas equipes missionárias que desejam plantar igrejas em uma cultura distinta ?

RESPOSTA: Ronaldo Lidório

Obrigado pela preciosa consulta!

Sem dúvida a vida missionária transcorre em meio a muitas demandas. Quando em contexto transcultural, por exemplo, é necessário aprender uma outra língua, compreender uma outra cultura, cuidar bem da família, coordenar projetos sociais, escrever relatórios para a organização missionária, equipe e igreja enviadora e… uma série de outras atividades.

O maior perigo, neste caso, é envolver-se com tantas demandas ao ponto de perder o foco do que é principal em relação ao seu alvo ministerial.

Se pudéssemos pensar no que é essencial para se plantar igrejas poderíamos destacar 4 passos: aprender a língua local; compreender a cultura local; criar bons relacionamentos com o povo; comunicar objetivamente o evangelho de Cristo. É bom termos em mente os essenciais.

1. Aprender a língua local.

Uma das maiores barreiras para o plantio de igrejas em contexto transcultural é a limitada aquisição da língua local. Sem uma boa comunicação na língua do coração dificilmente faremos o evangelho compreendido para o povo com o qual trabalhamos. E sem uma boa disciplina com, pelo menos, umas 3 horas de dedicação por dia no estudo da língua, dificilmente se terá a fluência necessária neste idioma em um prazo de 3 anos. Muitas missões recomendam que, na escala de 1 a 5, se tenha no mínimo 2,5 para iniciar uma evangelização mais “formal”, ou seja, com apresentação de textos bíblicos.

2. Compreender a cultura local.

Sem uma boa compreensão da maneira como o povo vê e interpreta o universo ao seu redor (cosmovisão) dificilmente iremos comunicar o evangelho de forma que ele seja inteligível e aplicável em suas vidas. É preciso termos estes dois alvos na comunicação: inteligibilidade e aplicabilidade. Caso contrário o evangelho proclamado será recebido como uma mensagem incompreensível (e como tal, convidativa ao sincretismo religioso) e alienígena, ou seja, apenas aplicável para o próprio comunicador, não para quem a ouve. A melhor forma de se compreender a cultura local é viver e desenvolver atividades com o povo local. É certo que as categorizações culturais poderão ser feitas utilizando-se métodos antropológicos técnicos (que são de boa ajuda) porém, a compreensão da cosmovisão local se dá na informalidade dos relacionamentos diários.

3. Criar bons relacionamentos com o povo local.

O apóstolo Paulo pregou para as multidões, ensinou a Palavra nas casas e também discipulou indivíduos, portanto a evangelização deve ser abundante e ampla quando desejamos plantar uma igreja em determinado local ou grupo. Nos detalhes destas estratégicas paulinas, porém, pode-se observar que um elemento fundamental na comunicação do evangelho era a construçào de bons relacionamentos. A partir de bons relacionamentos pessoas param para nos ouvir, interagem melhor, abrem as portas de suas casas e sentam-se conosco à mesa. Este bom relacionamento, entretanto, não deve ser concebido como uma mera estratégica evangelizadora, mas fruto de um verdadeiro amor ao próximo, que nos leva à desejar, de coração, com ele se envolver. Desde a sua chegada no campo missionário, invista na construção de bons relacionamentos!

4. Comunicar objetivamente o evangelho de Cristo.

Em meio a tanta demanda como mencionei no início, pode-se facilmente perder de vista a nossa principal atividade no plantio de igrejas: comunicar objetivamente o evangelho do Senhor Jesus Cristo. A questão principal aqui, portanto, não é se temos ou não muitas oportunidades para comunicar a Cristo, mas como aproveitamos as oportunidades que temos. Comunica-se o evangelho de várias formas, mas sobretudo por meio da própria vida (testemunho) e da fala (proclamação). Não devemos priorizar um meio em detrimento ao outro. Ambos são igualmente importantes. Paulo comunicava Cristo para as multidões e também de casa em casa. Ele o fazia nas sinagogas, em ambientes mais formais, e também nas ruas, na informalidade da vida. Ele usava as oportunidades nos mercados e praças, onde o povo estava, mas também se concentrava em indivíduos, discipulando-os mais prolongadamente. Após plantar igrejas continua ligado à elas por meio de cartas, encorajamento e orações. Pregar a tempo e fora de tempo é viver e falar de Cristo em todas as oportunidades que Deus nos dá.

Sobre os motivos que levam missionários a não pregarem abundantemente o evangelho, creio que cada situação em que isto acontece possui sua própria característica. Posso propor, porém, quatro erros que julgo mais comuns:

O primeir erro é investir tempo, energia, esforços e dinheiro em atividades que não são essenciais ao ministério. Elas possuem sua importância, mas não são essenciais. Isto nos leva a uma dispersão e cansaço, sem desenvolvermos o que é fundamental.

O segundo erro é gastar pouco tempo no aprendizado da lingua e da cultura. Já mencionamos acima o quanto isto é importante. Porém, para se estudar a língua e cultura local, vivendo entre o povo local, é necessário disciplina e este é um dos maiores desafios.

O terceiro erro é pensar mais na estrutura da missão do que no discipulado de pessoas. Ou seja, gastar mais tempo com construções, administração, relatórios e outras atividades organizacionais, do que com pessoas. Se o alvo é plantar uma igreja loca, creio que pelo menos 70% do seu tempo útil ministerial deve se concentrar em pessoas.

O quarto erro é imaginar a evangelização como algo por demais complexo, ou uma tarefa inalcancável. Isto faz com que criemos uma reserva mental a respeito da evangelização e sempre a deixemos para um segundo momento, após maiores reflexões e estudos. Devemos nos lembrar que evangelizar é apresentar a Cristo. E devemos fazê-lo de maneira informal com nossas vidas e relacionamentos, e de maneira também objetiva com a nossa fala. Pedro levantou-se no dia do Pentecoste e apresentou Jesus Cristo. É isto que devemos fazer.

Que o Senhor os ajude e anime neste lindo trabalho e tão grande privilégio de apresentar a Cristo.

 

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