TINGUI BOTÓ – KARIRI XOCÓ

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11/03/2013
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11/03/2013

TINGUI BOTÓ – KARIRI XOCÓ

 

Autodenominação: Este povo se identifica por dois nomes: Xocó e Kariri.

Outros nomes: O nome Tingui-botó foi dado por João Botó, pajé, que se instalou em Olho d’Água, no meio na década de 40. O Tingui (magonia pubescens) é uma árvore cujas folhas eram usadas no acampamento (Mata 1999). Um tipo de timbó é extraído na pesca (Ferreira et. al. 2009.298).

População: 328 (FUNASA 2010); 350 (DAI/AMTB 2010).

Locação: Os Tingui-Botó vivem na comunidade Olho d’Água do Meio, no município de Feira Grande, Alagoas, a três quilômetros da cidade e a 155 quilômetros de Maceió. A Terra Indígena Tingui-Botó tem 326 pessoas e abrange 535 hectares. Homologada em 1993, há mais 46 Tingui-Botó vivendo na Reserva Indígena Aconã (268 hectares), no município de São Brás.

Língua: Português. A comunidade diz que sua língua antiga é o dialeto dzubukuá da língua Cariri (Mata 1999). Karirí-Xocó é uma língua extinta com quatro dialetos: Kipeá (Quipea), Kamurú (Camuru), Dzubukuá (Dzubucua) e Sabujá (Pedra Branca). Outros nomes: Karirí, Kariri Xucó, Kipeá, Xocó, Xokó, Xokó-Karirí, Xukurú, Xukuru Kariri. (SIL). Também conhecida como Carapató.

História: Os Kiriri se espelhavam no avanço da colonização, a maior parte ficou na Bahia. Uma missão jesuíta demarcou uma légua quadrada (12.320 hectares) no ano de 1700 para que fosse uma reserva e Dom Pedro II aprovou essa delimitação. Mas, o povo se aliou à rebelião de Canudos e, com a derrota, os Kiriri foram dispersos ou mortos. Em 1951, os Kiriri-Xokó viviam em um pequeno território de 50 hectares em Porto Real do Colégio (Hemming 2003.590). Muitos viviam em dois hectares de mato e trabalhavam nas fazendas vizinhas. Eram tratados como ‘caboclos’ até serem reconhecidos como indígenas pela Funai, em 1980. Em 1983, a Funai instalou um posto e comprou três fazendas para que hoje a comunidade disponha de uma área de 121,1 hectares (Mata 1999). Atualmente, existe uma escola estadual na aldeia (Sec. da Educação e Esporte, AL). Foi pedida, em 2003, a ampliação da área da Terra para 4.419 hectares, porque os índios veem-na como seu território imemorial.

Estilo de Vida: Eles plantam batata e a terra está sendo reflorestada. Cultivam também milho, feijão e mandioca. A área tem poucos animais para a prática das atividades de pesca e caça.

Artesanato: Produzem artesanato de palha, além de cocares, colares e bordunas.

Sociedade: Este povo está no processo de re-etnogênese e recebe reconhecimento como parte dos Kariri Xocó (Ferreira et. al. 2009.298). Para provar sua identidade indígena, eles levaram as vestes do ritual da dança toré, proferiram palavras em sua língua e tiveram de encenar parte do ritual do ouricouri, que é vedado aos não-indígenas. Eles consideram isso uma humilhação (Reesink 2004.5).

Religião: Em comum com os outros povos indígenas em Alagoas – os Kariri-Xocó, os Xucuru-Kariri, os Aconã e os Karapotó – os Tingui-Botó praticam o culto às entidades espirituais nos rituais do Ouricuri. Os rituais são secretos e parte importante na manutenção da identidade indígena, pois eles dizem que “o Ouricuri é como uma volta ao nosso passado”. Os Kariri-Xocó são considerados a matriz dessas práticas (Ferreira et. al. 2009.299). O Ouricuri é um pátio ou terreiro sagrado, cercado por mata, e reservado nas áreas onde os rituais se realizam. Eles costumam reflorestar o terreiro para evitar os olhares dos não-indígenas, pois esses cerimoniais estão fora da autoridade do Estado e da sociedade dominante, são exclusivamente indígenas. Usam o lugar sem luz eléctrica, casas de palha e potes cerâmicas, que representam um retorno do mundo comprometido com os brancos. Ali eles caçam, cantam e dançam. Antes de ir ao Ouricuri, deve-se estar “limpo”: evitar as relações sexuais e as bebidas alcoólicas. Só nesse lugar o povo pode ser conhecido verdadeiramente e restaurar a sua identidade (Ferreira et. al. 2009.300).

A dança do Toré faz parte da cultura indígena do Nordeste e é realizada com homens andando ou correndo em um círculo, cantando e batendo o ritmo com seus pés no chão. Usam fumaça da resina da planta jurema (Mimosa tenuiflora) como alucinógeno.

Comentário: A Bíblia é a história da compaixão de um Criador interativo para com a humanidade, que dá segurança da identidade étnica aos povos. Começa com as promessas dadas a Abraão, envolvendo a nação modelo de Israel e a bênção semelhante através de Abraão, destinada a todos os povos da terra (Gn 12.2,3b; Gl 3.8). Essas etnias são descritas como clãs ou famílias estendidas (mishpachahim Gn 12.3; 28.14) ou nações (goyim Gn 22.28). A bênção é oferecida tanto às sociedades com instituições políticas desenvolvidas quanto às sociedades pequenas formadas por tradições mais interpessoais. Deus ensinou sobre a justiça nos princípios morais e sobre a fé que Ele exige das etnias, mas não nas formas contemporâneas da situação de Israel. Isso demonstra que cada sociedade deve ter sua própria aplicação dos princípios, de acordo com a sua cultura. Mas, a reconciliação com o Criador não está nas tentativas falhas de cumprir a justiça e sim na justificação pela graça que Abraão mesmo recebeu de Deus (Gn 15.6; Gl 3.6s). Atos e Gálatas demonstram que os gentios não devem se submeter ao Judaísmo sob a Lei, mas desenvolver sua própria cultura cristã. O Evangelho não veio apenas para os indivíduos, mas providencia uma bênção para a etnia que reconhece o Criador.

Infelizmente, a sociedade nacional chamada Cristã tem demonstrado, na maior parte do tempo, um comportamento diabólico que não recomenda a identidade e a civilização cristã aos indígenas. Uma etnia deve reconstruir sua identidade baseada na reconciliação com o Criador pela fé no Filho e desenvolver uma cultura étnica conforme os princípios bíblicos, integrada com o meio ambiente, independente da “bagagem” de dois mil anos da chamada “civilização cristã”, que, na verdade, não tem nada a ver com o Evangelho. Os mensageiros devem ser criativos para separar sua formação dessa “civilização” e encorajar uma cultura cristã indígena.

 

 

 

Bibliografia:

DAI/AMTB 2010, Relatório 2010 – Etnia Indígenas do Brasil, Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos – http://instituto.antropos.com.br/

FERREIRA, Ana Laura Loureiro, BARETTO, Juliana, MARTINS, Silva A. C., 2009, Realizando etnografia visual entre grupos indígenas em Alagoas, Revista ANTHROPOLÓGICAS, ano 13, vol 20 (1+2), 2009.

HEMMING, John, 2003, Die if You Must: Brazilian Indians in the Twentieth Century, London: Panmacmillan.

MATA, Vera Lúcia Calheiros, 1999, “Tingui-Botó”. Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo, SP.  http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tingui-boto/.

REESINK, Edwin B. 2004, “A felicidade do povo brasileiro: notas sobre a visão do mundo construído no discurso oficial a respeito de etnicidade e nações indígenas no Brasil e os embates de disputa simbólica”, Mneme-Revista Virtual de Humanidades, n. 11, v. 5, jul./set.2004.

SIL 2009, Lewis, M. Paul (ed.),. Ethnologue: Languages of the World, Sixteenth edition. Dallas, Tex.: SIL International. Online version: www.ethnologue.com.

 

 

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