WAIÃPI

TENHARIM – KAGWAHIVA
11/03/2013
TERENA
11/03/2013

WAIÃPI

 

Autodenominação: Waiãpi é reconhecido como o nome abrangente de todos oa seus grupos. Usam também iane, que significa ‘nós’ (Gallois, 1997).

Outros Nomes: Wajãpi, Wyami, Oiãoi, Oiampi, Wayãpy (DAI/AMTB 2010). Guaiapi, Guayapi, Oiampí, “Oiampipucu”, Oyampí, Oyampík, “Oyampipuku”, Oyanpík, Waiampi, Waiãpi, Wajapae, Wajapuku, Wayapae, Wayãpi (SIL).

População: Brasil: 905, Guiana Francesa: 412 (DAI/AMTB 2010). 905 (Apina/Funai, 2008) 710 (Tinoco, 2002). São dos Tupi-Guarani, relacionado aos povos do Baixo Xingu. Em todos os países 1.180, 530 no Brasil, que inclui 520 falantes de Amapari e 10 de Oiapoque (SIL). A população da Área Indígena tem crescido de 517 em 1995 a 919 em 2011 (ISA).

Localização: Na Área Indígena Waiãpi: 919. Também há dois grupos isolados de 80 pessoas fora da Área e do Parque (Gallois, 1997).

Na Guiana Francesa: 650: 120 Camopi e Masikili no Médio Rio Oyapock e 180 em três aldeias no Alto Oyapock ao redor de Trois-Sauts; os homens mudaram do Brasil (SIL, 2000).

Língua: Mesma com a Oiapoque Tupi-Guarani (Wayampi) (SIL). 530 no Brasil, que inclui 520 falantes de Amapari e 10 de Oiapoque (SIL). Dialetos: Oiyapoque Wayampi, Amapari Wayampi, Jari. É da família linguística: Tupi-Guarani, subgrupo VIII. A atitude para com a língua tem melhorada. Alfabetismo: 10-30% com a primeira língua e menos que 5% para a segunda língua. O Novo Testamento foi completo em 2003. Alguns homens em todas as aldeias falam bem o português e na Guiana o francês é falado.

Na Guiana francesa o nome da língua é Wayampi e existem 650 falantes (SIL, 2000). Usa-se também dois dialetos: Oiyapoque, Wajapuku. Vinte Waiãpi no Alto Rio Oyapock falam perfeita Wayana. Alguns falam francês ou crioula guianesa francesa (SIL). Mais uma etnia na Guiana Francesa – os Oipoque – falam uma língua desta família linguística (Gallois, 1997).

História: Os Wayãpi são descendentes dos antigos Guaiapi que viviam no Baixo Rio Xingu no século 17. Eles experimentaram grandes dificuldades naquela região, especialmente depois da derrota e supressão da Cabanagem, em 1839 (Hemming, 2003.396). Mudaram-se, então, para o norte do Rio Amazonas e permaneceram por lá por dois séculos. Durante a primeira metade do século 20, tiveram contato com alguns brancos, na maioria caçadores de peles. Escaparam do Projeto Jari do bilionário norte americano Daniel Ludwig para plantar 15 mil quilômetros quadrados de árvores na década de 60 (Hemming, 2003.735). Por isso, os Waiãpi deixaram os rios maiores, como o Jari, para viver nas cabeceiras e nos afluentes dos rios Amapari, Jari e Oiapoque. São divididos em três subgrupos: o grupo principal, na região do rio Amapari e os dois outros no Alto Ipitinga e Alto Jari. Deste último grupo, entre 1967 e 1981, a maioria foi para o Rio Oiapoque na Guiana Francesa e outros foram mudados pela Funai para o Parque Indígena do Tumucumaque.

Somente em 1973, com a penetração no seu território pela construção da rodovia BR-210, a Funai teve primeiro contato com o povo. Os construtores da estrada entraram em contato com os Amapari Waiãpi, que descobririam que os sertanistas da Funai eram amistosos e mudaram das suas aldeias para viver perto do Posto (Hemming, 2003.397). O trecho incompleto de 30 quilômetros da estrada na terra Waiãpi deu oportunidade para a invasão de caçadores de peles, garimpeiros, madeireiros e empresas de mineração. Na década 70, missionários do SIL e da MNTB chegaram às aldeias de Taitetuwa e Ytuwasu. Os índios tiveram um líder chamado Waiwai (que não tem nada a ver com a tribo daquele nome), que os representava diante dos políticos e trabalhou para a sobrevivência do seu povo. Nos anos 80, os Waiãpi começaram a expulsar os invasores e a controlar o território e a extração dos seus recursos. Eles conseguiram fazer isso sem derramar sangue e ocuparam os lugares dos garimpeiros, reconhecendo que a venda do ouro era a solução para ganhar os produtos industriais. Nos anos 90, um terço das famílias estava envolvido em peneirar para o ouro. CTI, uma ONG ajudou em treinar os índios e exportar o ouro (Hemming 2003.401). Em 1999, um tribunal rejeitou os protestos dos garimpeiros alheios e julgou a favor dos Waiãpi e a CPI para continuar a extrair o ouro (Hemming 2003.403).

Nessa época, o antropólogo Alan Campbell da Universidade de Edimburgo vivia com os índios, compartilhando todas suas experiências e escreveu sobre a habilidade do povo de se adaptar aos desafios de contato. Ele achou a atuação da Funai inadequada e feita por pessoas não qualificadas. Ele lamentou a eficiência do curso de alfabetização do SIL na outra aldeia, localizada a três dias de viagem, envolvendo os índios em uma cosmovisão alheia através da Bíblia. Mas a ironia é que os Waiãpi desejaram a educação para que eles pudessem ser seus próprios enfermeiros, professores e administradores. Também os missionários do SIL e da MNTB estavam dispostos a viver com os índios, estavam sempre presentes nas aldeias e tinham os recursos de assistência médica que a Funai não dava quando a sobrevivência do povo era ameaçada por epidemias (Hemming, 2003.398-400). A CTI persuadiu a Funai a expulsar as missões em 1996 e tentou substituir o programa escolar.

Os missionários do SIL e da MNTB atuaram na área durante os anos 80. A Missão Novas Tribos trabalhou entre os Waiãpi e um antropologista francês queixou-se de que os missionários eram determinados a eliminar os aspectos negativos da cultura e substituí-los com práticas cristãs (Hemming, 2003.265). Como sempre, o preconceito secular é que os indígenas são incapazes de escolher por si mesmos, mas a pressão das invasões forçou-os a se espalharem para os pontos mais distantes das terras, uns 5 a 20 quilômetros dessas agências. Em 1997, havia 13 aldeias permanentes e mais assentamentos dispersos (Gallois, 1997). Gallios mostrou um vídeo dos Zo’é, recentemente descobertos e os Waiãpi os visitaram falando da sua adaptação ao mundo dos brancos (Hemming 2003.407).

O líder Waiwai, com o apoio da Funai e de outros neobrasileiros, conseguiu um território para o povo. O povo amontoou aldeias nas fronteiras do território para segurá-lo. Em 1990, a Funai interditou uma Área Indígena Wajãpi, com 543 mil habitantes, e a demarcação foi feita com o apoio do governo alemão. A associação APINA ou Conselho das Aldeias Waiãpi foi fundado em 1994.

Estilo da Vida: A área indígena é entre o Rio Inipiku ou Mapari a oeste, o Rio Karapanaty (Aroã), afluente do Inipuku, ao sul, e a leste os dois igarapés Onça e Kumakary, afluentes do Rio Felício. É formada por muitas colinas cobertas de floresta densa com muitos cursos d’água com cachoeiras. O solo é ácido e subjeito a erosão. As roças são preparadas por um multirão da comunidade que ajuda um chefe de família. O alimento principal é a mandioca brava em 15 espécies e transformada em farinha, beiju, caxiri e tapioca. Cultivam também milho, cará, batata-doce, cana-de-açúcar, banana, caju, mamão, abacaxi, amendoim e feijão. Os índios dividem seu tempo entre as aldeias e tapiris aos lados das roças.

Sociedade: As aldeias não seguem uma forma definida e as casas estão espalhadas pelo Igarapé ou pelas roças. Uma família nuclear de quatro a sete pessoas mora em casa. Há construções com jiraus que servem de cozinhas da comunidade.

Religião: Três festas marcam as estações: a do milho, a do mel e a do peixe. Para elas, são convidados os membros de outras aldeias (Hemming, 2003.396). Nas festas, eles cantam juntos, tocam flautas compridas e pequenas e consumem o caxiri, preparado pelas mulheres do dono da festa. Somente em tempos de crise essas festas tomam um caráter religioso para aplacar o criador herói Ianejar (Gallois, 1997).

Cosmovisão: O criador Ianejar, que significa ‘nosso dono’, dividiu a humanidade, que vivia junta, em diversos povos: os Waiãpi dos outros indígenas, dos neobrasileiros e dos franceses. Depois os Waiãpi se dividiram em grupos, vivendo no centro do mundo (Gallois, 1997). Os Waiãpi classificam das árvores e as aves conforme uma espécie modelo para outras espécies semelhantes e são também indicações da qualidade do solo para fazer uma plantação (Jensen, 1988).

Comentário: A Missão Novas Tribos do Brasil trabalha com este povo.

 

 

 

Bibliografia:

GALLOIS, Dominique T., 1997, “Wajãpi”, Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wajapi/

DAI/AMTB 2010, Relatório 2010 – Etnia Indígenas do Brasil, Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos – http://instituto.antropos.com.br/

HEMMING, John, 1987, Amazon Frontier-The Defeat of the Brazilian Indians, London: Pan Macmillan.

HEMMING, John, 2003, Die If You Must – Brazilian Indians in the Twentieth Century, London; Pan Macmillan.

SIL 2009, Lewis, M. Paul (ed), Ethnologue: Languages of the World, Sixteenth Edition. Dallas, Tex: SIL International. Versão on-line: http://www.ethnologue.com/

 

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