YANOMAMI

WAYANA
11/03/2013
Quilombolas do Brasil
10/04/2013

YANOMAMI

 

Yanomami: O povo Yanomami é divido em quatro ou cinco grupos linguísticos: 11.700 de todos os grupos no Brasil em 228 comunidades (ISA (2000). Noroeste: Sanumá, 1.800 no Brasil (2006 D. Borgman) 500 (DAI/AMTB 2010) Roraima e Amazonas. Nordeste: Ninam, 470 em Roraima, Brasil (1976 UFM) – Yanam 600 (DAI/AMTB). Sudeste: Yanomam (Outros nomes: Waica, Ianonawá, Yanomamé, Xurima, Parahuri, Yanoam, Ianoamo, Ianomami, Xirianá). Em Roraima e no Amazonas.  15.682 no Brasil, 15.193 na Venezuela (DAI/AMTB 2010). Também há os Aica, um grupo dos Yanomam, no Rio Apiau (Peters 1998.22). Sudoeste: Yanomamö no Brasil e na Venezuela. Este texto trata desse grupo. O nome é escrito atualmente Yanoman? (Poleto 2012).

Autodenominação: Eles se identificam como Yanomami e, mais precisamente, com o nome da sua aldeia com o sufixo –teri (povo). Yanomami é derivado de yanõmami thëpë, que significa ‘seres humanos’, distinguindo de yaro (animais de caça), yai (os espíritos) e os napë (os brancos, inimigos, alheios).

Outros Nomes: Guaharibo, Guaica, Shaathari, Shamatri e Yanomami (SIL).

População: 1.940 no Amazonas, Brasil, no afluente da margem esquerda do Rio Negro (SIL). Brasil: 2.200 (DAI/AMTB 2010); Venezuela: 15.700 (2000); Total nos dois países: 17.640 (SIL). Em 1964 e 1968, havia dez mil Yanomami em 125 comunidades divididas entre 40 e 250 habitantes (Chagnon 1968.1). As fontes não distinguem bem entre os grupos. A população total não é certa, mas é contabilizada em aproximadamente 27 mil pessoas. Na Venezuela (1992) há 15.193 Yanomami em 150 comunidades. No Brasil, 11 mil. Mas transitam pela fronteira constantemente (Chernela et. al. 2002.13). No Brasil e na Venezuela eram estimados em 35 mil pessoas no ano de 2011 (ISA).

Localização: No norte da Venezuela, na cabeceira do Rio Orinoco; na bacia do Rio Siapa e, no Brasil, nos afluentes do Rio Negro: rios Cauaburi, Marauiá, Demiri, Aracá e Padauarí. No Rio Marauiá vivem cinco grupos principais em dez aldeias (MNTB). A Terra Indígena Yanomami está situada na fronteira com a Venezuela, nas cabeceiras dos rios Marauía e Cauburis a oeste, no Rio Demení a leste do Amazonas e no território a oeste em Roraima, até a Floresta Parima do norte, é calculado em 9.664.975 hectares (96.650 quilômetros quadrados). Foi homologada em maio de 1992 (Albert 1999) e se sobrepõe ao território de oito municípios: Barcelos – AM: 12.247.573 hectares, Santa Isabel do Rio Negro – AM: 6.284.624 hectares, São Gabriel da Cachoeira – AM: 10.918.490 hectares, Amajari – RR: 2.847.222 hectares, Alto Alegre – RR: 2.556.685 hectares, Caracaraí – RR: 4.741.089 hectares, Iracema – RR: 1.411.941 hectares e Mucajaí – RR 1.275.12 hectares.

Língua: Yanomamo. Na região do Alto Orinoco e Mavaca, falam o dialeto leste na Serra Parima e para o leste do Rio Batau. O dialeto oeste se fala na bacia dos rios Padamo, Ocamo, Manaviche, cabeceiras do Orinoco e no Rio Cauaburi. A análise linguística do dialeto Xamatali e Xirianá foi feita pela Missão Evangélica da Amazônia e a Missão Novas Tribos fez a análise fenomênica. Há, na língua, traduções de porções do Ensino Cronológico da Bíblia, dicionário e hinário. Cartilhas de pré-escola e alfabetização e manuais de orientação sobre a malária e a saúde também estão preparadas (MNTB).

História: Os Yanomami provavelmente são descendentes de um povo que ficou isolado nas cabeceiras do Rio Orinoco e começaram sua diferenciação interna há sete séculos. De acordo com as tradições, sua antiga terra era a terra firme da Serra Parima, entre o Orinoco, atualmente na Venezuela, e os afluentes do Rio Branco que desce para o Rio Negro no Brasil (Albert 1999). Os espanhóis penetraram a região procurando o El Dourado. Os portugueses construíram uma fortificação perto das desembocaduras dos rios Uraicuera e Tacutu no Rio Branco, tentaram atrair os índios e mais de mil foram estabelecidos em aldeias ali. Eles não conseguiram fazer com que os Waiká (Yanomami) saíssem das colinas entre os rios Branco e Orinoco, por isso, os Yanomami e a maioria dos Atorí têm sobrevivido aos perigos do contato.

Os primeiros contatos com os Yanomami aconteceram com o Cel. Manoel da Gama Lobo d’ Almada que, acompanhado por alguns Yanomami (Hemming 1995.32,36), procedeu com a expedição de Bodadilla em 1789. Eles sobreviveram às epidemias e à escravidão porque viviam em terra firme interfluvial até o século 20 (Chernela et. al. 2002.13). Os Carmelitas montaram uma Missão com outras etnias no Rio Branco em 1846, mas, perderam os índios e o frade Pereira tentou persuadir, sem sucesso, os Yanomami a tomar o lugar deles (Hemming 1995.326).

Na Venezuela, eles tiveram contato com o mundo de fora por mais de cem anos, comercializavam e receberam machados de aço e potes para cozinhar. Eles trocavam os produtos com comunidades mais remotas e a sua própria generosidade aumentou a demanda e provocou conflitos por inveja (Rabben (2004.93). A dispersão dos Yanomami para a área atual começou no século 19, devido ao crescimento da sua população, à adoção de ferramenta de aço e aos novos métodos de cultivação (Albert 1999). Eles penetravam áreas esvaziadas pelo impacto negativo do contato com os europeus quando os povos dessas áreas eram dizimados (Chernela et. al. 2002.13).

O contato constante na Venezuela começou quando James F. Barker, da Missão Novas Tribos dos EUA, morou entre eles por anos durante a década de 50, estudou a língua, produziu estudos antropológicos e traduziu a língua. Chagnon foi introduzido por Barker. Os Salesianos estabeleceram um posto no outro lado do rio em concorrência com a Missão. Entre 1940 e 1960, o SPI montou postos que funcionaram como fonte de objetos manufaturados, providenciou um pouco de assistência de saúde e tratou epidemias de sarampo, gripe e coqueluche (Albert 1999).

A tentativa de converter os índios falhou muitas vezes, mas, trouxeram tratamento médico e educação em português. Os antropologistas não identificaram os Yanomami como um só povo até a década 60, eles também complicaram a vida indígena ao distribuir presentes de produtos industriais, que, inclusive, geraram conflitos na concorrência de possuir mais bens da civilização. Depois de 1973, os brancos invadiram a região com a construção da Rodovia Perimetral Norte. O projeto chamado Calha Norte tinha o alvo de colonizar uma faixa perto da fronteira e pretendia opor a possibilidade de invasão por estrangeiros (Rabben 2004.98). Somente 250 quilômetros da estrada, dos 1.500 quilômetros projetados (200 deles no território Yanomami), foram construídos, porém o contato trouxe degradação social, doenças e conflitos. Em 1975, o governo brasileiro fez um mapeamento dos recursos de minério da região (Radam).

Os projetos de colonização, principalmente no oeste de Roraima, resultaram em: estradas, fazendas, serrarias, canteiros de obras e os primeiros garimpos (Albert 1999). Em 1976, 500 garimpeiros penetraram a terra Yanomami e só foram expelidos pelo governo depois um protesto internacional. Em 1988, 10 mil garimpeiros trabalhavam no território dos indígenas (Rabben 2004.99). Em 1989, 50 mil já estavam presentes. Mil e quinhentos Yanomami morreram sob a investida da “civilização” entre 1987 e 1990, através de água contaminada e das doenças, inclusive a malária, introduzidas pelos garimpeiros, infectaram entre 15 e 20 % da população (Rabben 2004.104). Mais de cem pistas aéreas ilegais de garimpo foram abertas, com 30 a 40 mil garimpeiros dos afluentes do Rio Branco entre 1987 e 1990. Depois disso, o número diminuiu, mas ainda havia muitos na área em 1999. 60% do território Yanomami está coberto por requerimentos e títulos de empresas de mineração (Albert 1999). Em muitos lugares, os indígenas deixaram de construir os xabono para viver em cabanas cobertas de plástico e ficaram tão doentes que não cultivam mais as roças. A Comissão pela Criação do Parque Yanomami (CCPY) de antropologistas (e outras especialidades) fez propostas para estabelecer nove milhões de hectares para os Yanomami. Anos de conflitos seguiram entre diversas instituições federais e estaduais. Em 1991, o Presidente Collor demarcou 9,4 milhões de hectares de terra Yanomami (Rabben 2004.106). A Terra Indígena Yanomami foi homologada em maio de 1992.

Na Venezuela, a Reserva de Biosfera Yanomami/Parque Nacional Parima-Tapirapeco (PNPT) foi estabelecida em 1991 por decreto presidencial, N° 1635. Essa determinação inclui todas as terras usadas pelos Yanomami, dando a eles direito do usufruto em perpetuidade, porém, não têm o direito de vender o território ou os recursos de madeira e minério. O comércio com a economia de fora é limitado para os postos governamentais e missionários (Chernela et. al. 2002.14).

No Brasil, eles vivem em áreas administradas pela Funai, principalmente na T. I. Yanomami, que garante o usufruto dos Yanomami. Conforme a Constituição de 1988, revisada em 1999, os indígenas têm cidadania completa, o direito de usar sua língua na educação pública e o Estado deve proteger a expressão da sua cultura e o direito ao território com usufruto exclusivo (Chernela et. al. 2002.16). Algumas ONGs em Boa Vista sustentam projetos de saúde e educação no território Yanomami. Essas provisões são limitadas à Venezuela, por isso, muitos Yanomami atravessam a fronteira. A CCPY mantém um programa de educação bilíngue, produzindo apostilas baseadas na vida tradicional Yanomami (Chernela et. al. 2002.17).

Estilo de Vida: Os Yanomami são tradicionalmente seminômades, caçadores, coletores e praticantes da agricultura de coivara – derrubada, queima, plantio e colheita. Habitam uma região de serras ao norte da Floresta Amazônica, na fronteira do Brasil com a Venezuela. No lado brasileiro, o território Yanomami se espalha pelos estados do Amazonas e de Roraima. Eles formam a sétima maior etnia indígena do Brasil, com aproximadamente 17 mil pessoas, distribuídas em cerca de 230 aldeias (Poleto 2011).

Os Yanomami vivem em grupos de famílias em casas comunais chamados yano ou xapono. As aldeias são formadas de uma só casa, o xabono ou xapono. A casa tem formato cônico, com o centro aberto para o céu. Ao redor do círculo, cada família tem uma seção de aproximadamente dez metros quadrados cobertos pelo telhado e há um espaço de um metro entre as seções. Cada casal constrói sua seção. O xabono dura dois anos até começar a vazar água, então, ele é quebrado para matar a infestação de baratas e escorpiões (Chagnon 1968.26). As folhas que formam o telhado são apenas colocadas sobre ele sem nada que as segure. Mas, nas aldeias do Rio Marauá, o telhado tradicional é feito com uma folha chamada Ubi, a qual é trançada em linhas de cipó que são amarradas uma acima da outra em espaços de cerca de dez centímetros (Poleto, 2012). Os Yanomam ou Waica tendem a ter um telhado completo com um buraco para a fumaça. O xabono tem só uma entrada e uma cerca ou paliçada com três metros de altura ao redor. Porém, os Yanomami do norte e nordeste moram em casas retangulares.

Hoje em dia, nos rios Marauiá, Cauburis, Maturacá e Marari, os xabono são formados por casas separadas, dispostas em círculo com a frente voltada para o pátio central. Essa mudança da forma do xabono aconteceu em decorrência do contato com a sociedade envolvente e o estilo de moradia e arquitetura dos regionais (Poleto, 2012).

Cada grupo é econômica e politicamente autônomo, referem-se como kami theri yamaki (‘nós co-residentes’) e praticam a endogamia local (Albert, 1999). Uma área de floresta em um raio de cinco quilômetros é para uso da comunidade e dos seus indivíduos nas atividades de coleta e de pesca. A área mais ampla em um raio de até dez quilômetros é para caça individual ou coleta da família. O espaço maior, em um raio de 20 quilômetros, é para expedições de caça coletiva, especialmente na preparação de festas funerárias e as caças de três semanas ou mais durante a fase de maturação das novas roças estabelecidas nesse espaço. Assim, os Yanomami passam um terço do tempo acampados em tapari fora da aldeia ou yano, mas sua dependência de remédios e artigos dos brancos tem diminuído com o decorrer do tempo (Albert, 1999). Hoje em dia, o estilo de vida mudou e no Rio Marauiá, os Yanomami são mais sedentários. Dois dos fatores influenciadores desse processo são o advento da escola e do atendimento de saúde que são baseados em estruturas fixas. Os Yanomami relutam com a ideia de se mudar de aldeia e manter esta dinâmica de mobilidade tradicional, porque perdem o ano letivo e ficam sem atendimento à saúde (Poleto, 2012).

Os Yanomami caçam macacos, queixada, capivara, tatu, anta, veado, jacaré, mutum e diversos roedores. Usam arco e flechas com quatro tipos de pontas. Usam fumaça para tirar o tatu de suas tocas, escutando com o ouvido no chão e descobrir aonde o animal está cavando para escapar da fumaça. Os Yanomami caçam muito e por isso sempre mudam suas aldeias para partes da floresta menos afetadas pela caça (Chagnon, 1968.32). São coletores de vários frutos, mel e insetos da floresta. Enquanto estão nas expedições de caça, eles avaliam as áreas da floresta para fazer novas roças. Pescam usando timbó.

É calculado por Chagnon que 85% da dieta dos Yanomami provêm das suas plantações (hikari täka). Eles limpam o chão primeiro para depois derrubar as árvores maiores que formam o dossel florestal e fazer a coivara. Antes de ganhar machados de aço, eles tiravam a casca do caule para deixar a árvore morrer e permitir que a luz penetrasse no chão. A banana-da-terra é a fruta mais importante e os Yanomami cultivam quatro variedades dela. Depois de alguns anos, devido à diminuição das colheitas, um lado da roça (o ‘reto’) é abandonado e uma área é aberta no outro lado (o ‘nariz’) (Chagnon, 1968.33, 35). São cultivados, banana-da-terra (e outras variedades, como banana-maçã e roxa), mandioca, milho, batata-doce, algodão, tabaco, cana, manga e papaia.

A estação seca é o tempo de visitar outras aldeias. Trilhos entre aldeias seguem a direção mais direta e são marcados por hastes dos arbustos quebrados e tapiris. Os caminhos são impedidos por lagos e riachos cheios na época das chuvas. Pinguelas são construídas para atravessar as correntes maiores (Chagnon, 1968.20).

Os homens e as mulheres se pintam de urucum (Bixa orellana annato) que é vermelha para proteger-se de insetos e dos raios do sol. Os guerreiros se pintam de preto para a guerra, as festas e os ritos.

Os homens tecem as redes, mas as mulheres fazem a fiação do algodão. Na aldeia, os homens gastam tempo contando proezas da caça e pesca, enquanto as mulheres cuidam dos filhos, do fogo, preparam os alimentos, limpam o pátio e fazem muito do trabalho da roça. Criam animais da mata como animais de estimação, que se tornam parte da família e não são comidos: papagaios, tucano, agouti, cuxíu. Criam cachorros para a caça e não criam galinhas, porcos e gatos (Laudato, 2006.21). Hoje, no Rio Marauiá, os Yanomami criam galinhas, mas a maioria ainda não as come, porém trocam com os brancos (Poleto, 2012).

Artesanato: Na década de 60, os Yanomami fizeram potes simples, de barro, que os homens utilizavam para cozinhar. Arcos são feitos a partir da madeira raspada por dentes de capivara. Uma aljava, feita de uma seção de bambu, é usada para carregar pontos de flechas, dardos, facas de dentes de cutia e um parafuso para acender fogo são prendidos no lado de fora (Chagnon, 1968.22). Os Yanomami sabem contar apenas “um, dois e mais de dois” (Chagnon, 1968.15), então, o treinamento de contabilidade básica é necessário para o comércio de artesanato. O projeto envolve 230 mulheres que fazem artigos para vender nas lojas em Manaus (Pró-Arte Yanomami).

Sociedade: Os Yanomami se identificam entre eles conforme o nome da aldeia. No Rio Marauiá, por exemplo, existem cinco grupos que deram origem às dez aldeias atuais. Por exemplo, os Xamatauteri pertencem ao grupo que se originou da aldeia Xamatá (-teri é um sufixo para povo). Pohoroábieteri da aldeia Pohoroá (Poleto 2012). O mundo fora da aldeia e da comunidade íntima é visto como perigoso e é dos alheios (yaiyo thëpë). Até visitantes das alianças e cerimônias são considerados capazes de lançar doenças sobre a comunidade por feitiçaria, motivados por vingança ou ciúme. Pessoas mais distantes podem enviar espíritos predadores ou matar o animal duplo (rixi) de um membro da comunidade. Também os brancos podem afligi-los com epidemias pelas fumaças das suas máquinas e motores (Alberto, 1999).

Os Yanomami formam alianças com seus vizinhos para trocar esposas e se defender dos inimigos. Essas alianças formam uma rede complexa de relacionamentos que abarca todo o território Yanomami (Alberto, 1999). Quando há ataques, eles relutam em mudar a aldeia de lugar, por causa da dificuldade de começar e de transplantar as mudas das bananas-da-terra. Chagnon escreveu que o tamanho das comunidades é determinado pela necessidade de ter guerreiros e defensores. Famílias saem ou entram em uma comunidade por causa de brigas, especialmente por mulheres e facções (Chagnon, 1968.40). Chagnon descreve o valor do guerreiro e da agressão na vida dos Yanomami. Em dois anos, uma aldeia foi atacada 25 vezes; rapto de mulheres, duelos e as competições de soco no peito foram constantes entre amigos (Chagnon, 1973.2). Entretanto, Peters, que morou em uma aldeia no Rio Mucajai entre 1958 a 1967, afirma que a comunidade participou apenas de quatro ataques em 50 anos, por motivos de acusações de feitiçaria e de doenças (como pensavam), não para raptar mulheres (Tierney, 2000).

Cada aldeia ou yano se considera autônoma e os membros preferem se casar dentro da comunidade. O casamento preferido é entre primos cruzados (Alberto, 1999). Infidelidade e lesbianismo são proibidos e castigados com violência. O casamento pode ser polígamo. O incesto acontece com uma irmã, filha, mãe ou filho do mesmo pai, mas com mães diferentes é punido como imoral, exposto ao desprezo pela comunidade e o culpado tem que fugir da aldeia (Laudato, 2009.108). As esposas podem ser dadas a outros homens e um bebê pode ser morto se competir pelo leite de outras crianças (Chagnon, 1968.14).

As mulheres são responsáveis pelos jardins familiares nas roças e na época da colheita carregam até 30 quilos nas costas. Enquanto os homens caçam, as mulheres coletam a larva do cupim, sapos, caranguejos e lagartos para assar ou pescam. Com o começo da menstruação, por volta dos 10 ou 12 anos, a moça é escondida em um compartimento de pari, pois o sangue menstrual é considerado venenoso; o sangue é enterrado no chão e não se permite que ela toque nas comidas, sendo servida com a comida em uma vara. Logo depois ela é casada. Na maioria das cerimônias é proibida a participação das mulheres, mas são elas quem fazem os preparativos.

Religião: A cosmovisão é muito forte e a pajelança controla o ambiente, todos os homens sendo pajés. Confrontar um pajé é coisa séria, especialmente os mais poderosos que predominam na comunidade.

A alma Yanomami tem três partes: noreshi, no uhudi ou bore, e no borebö. O noreshi permanece na terra depois da morte e tem o gemido de um animal que vive distante do seu semelhante humano. A éspecie do animal é herdada do pai ou da mãe. O animal, que é o noreshi do indivíduo, experimenta os mesmos problemas do humano. Quando a pessoa está doente, seu noreshi pode ter se perdido na mata e precisa ser atraído de volta (Chagnon, 1968.47). Esse conceito é semelhante à ideia dos Sanumá.

A segunda parte da alma, no uhudi, é solta quando o morto é cremado para perambular no mato para sempre. Todas as crianças que morrem têm somente essa parte, porque a terceira parte se desenvolve com as experiências da vida. A terceira parte, no borebö, vai para o céu e encontra uma forquilha, onde o filho do Trovão a interroga para descobrir se ela foi generosa ou mesquinha. As últimas são mandadas para o caminho de um inferno. A maioria dos Yanomami pensa que é possível mentir e ir para o paraíso, onde terão uma vida semelhante à vida terrena (Chagnon, 1968.48).

Os cadáveres são deitados em um jirau na mata para se decompor por alguns meses. Os Yanomami temem que a fumaça se contamine ao queimar a carne. Os ossos são queimados na aldeia e as crianças e mulheres saem para evitar a contaminação. Todos os fragmentos dos ossos são colhidos das cinzas, colocados no tronco de um metro e meio, cavado na forma de um cocho, e quebrados em pó, misturados com um mingau de banana-da-terra para incorporar as virtudes dos entes queridos e perpetuá-los na vida deles (Laudato, 2009.18). Há outras interpretações dadas a essa prática (Poleto, 2012). Parte do mingau é guardada para ser comida no primeiro aniversário da morte, o resto é bebido na cerimônia (Chagnon, 1968.50).

Falar os nomes dos homens ou dos mortos é em acordo de regulamentos rigorosos. Em público, em conflito com a cultura ocidental, é um insulto para uma pessoa chamá-la por seu nome ou referir a um falecido pelo nome na presença de parentela. Em particular, é permitido, se os ouvintes não são parentes da pessoa nomeada. Na comunidade do falecido, o nome dele é evitado, mesmo que seja o nome de um animal (por exemplo, anta), um substituto é usado. Os Yanomami acreditam que toda menção ou pertence do morto deve ser eliminado (Charnela et. al., 2002.82). Não aceitam a reencarnação e o nome do morto não pode ser usado de novo. O nome de uma criança é dado quando é certo que a criança vai sobreviver; o nome é sussurrado e não pode ser repetido por outra mãe. Os Yanomami temem que um inimigo possa usar o nome para lançar um feitiço (Laudato, 2009.59).

Creem que o demiurgo Omama (Omawá – Poleto, 2012) deu a floresta aos Yanomami. Urihi (que significa mata, floresta) é considerado uma entidade viva como os animais e aves cheias dos recursos para a vida Yanomami. Os animais são encarados como as aparências de antepassados humanos ou animais que não conseguiram ir ao céu por causa do seu comportamento mau. Nas profundezas do mato há espíritos maus que tentam caçar os Yanomami (Alberto, 1999).

Os pajés (shabori) têm contato com os demônios (hekura) e cantam para motivá-los a atacar outros ou defender a sua aldeia. Durante sua iniciação, o novato inala por muitos dias o alucinógeno yãkõana (pó da resina da virola sebifera), conhecendo os espíritos xapiripë, que são enxergados como pequenos humanóides, enfeitados com ornamentos e que dançam alegremente. Os xapiripë foram deixados por Omama para cuidar dos homens. Representavam diversos animais, árvores e aspectos da floresta e, no tempo em que havia uma hierarquia, moravam nas serras e brincavam na floresta. Há também os espíritos dos brancos que são usados para combater as epidemias. Os pajés têm a facilidade de mobilizar os espíritos em defesa da comunidade, controlar o tempo, a fertilidade e muitos aspectos da vida, e por isso têm autoridade na sociedade e organizam as atividades de cada dia.

Eben ou Epna (paicá) – o alucinógeno – é feito com sementes de paricá torradas e socadas, misturada às cinzas da casca de uma árvore (Paricarana), depois de misturado e peneirado em pó fino, é consumido por aspiração (Chagnano, 1968.24 e Poleto, 2012). Quando o vento levanta, os pajés correm para o meio do pátio e cantam ao espírito do vento, Wadriwã, para que não tire as folhas do telhado do xabono (Chagnon, 1968.19).

O uso da farmacopéia nativa é comum a todos nas comunidades, não é considerado um conhecimento especializado. São os casos mais graves que são tratados pelo xamanismo (Silveira, 2003).

A noção da pessoa é complexa. O corpo é a parte material que contém três componentes não materiais: os uhutipë, norexi e noram. O uhutipë é a imagem vital que anima o sujeito. A mãe da criança doente esconde as folhas que representam o uhutipë no mato. Quando as folhas são trazidas de volta, volta também o princípio vital da criança. O noram é como a sombra da pessoa à contraluz, uma imagem fantasmática enxergada sob ataque de espíritos. O norexi é um duplo animal, um pássaro para os homens, muitas vezes o gavião real, e um animal terrestre ou aquático, como a ariranha, para as mulheres. O animal segue paralelo aos estágios da vida da pessoa. Por exemplo, é filhote quando a pessoa é criança. O destino do animal está ligado ao destino da pessoa, nascem e morrem no mesmo instante (Silveira, 2003).

Cosmovisão: Os Yanomami acreditam que são filhos do demiurgo Omama e da filha do monstro aquático Tëpërësiki, dono das plantas cultivadas. Os Yanomami são descendentes de gotas de sangue da Lua e o sangue os faz guerrear. Os Yanomami, que eram de sangue mais grosso, mataram-se até sua extinção. Os Yanomami de hoje são do sangue menos grosso e por isso não são tão agressivos (Chagnon, 1968.47). No Rio Marauiá Omawá, o primeiro dos Hekura, junto ao seu irmão, deu origem aos demais Hekuras.  Omama deu as regras da sociedade Yanomami e o território da floresta como toda sua fauna e flora, bem como os xapiripë, os espíritos auxiliares dos pajés. A origem do bem e do mal é o conflito entre o filho de Omama que era o primeiro xamã e o irmão malvado de Omama, Yoasi, que criou a morte e os males (Albert, 1999).

Os pajés têm a responsabilidade de manter o cosmo. Pela ajuda de espíritos auxiliares, eles não deixam o céu cair, como aconteceu no princípio do mundo. O criador Omama enterrou um veneno na terra e, enquanto o ouro permanece dentro da terra, os vapores venenosos não podem sair para matar os Yanomami (Rabben, 2004.90-133).

O cosmo é formado por quatro camadas (Chagnon, 1968.44). A camada de cima é como uma “velha”, é vazia. A segunda camada é o céu que é feita de terra, é o lar dos mortos e sua vida é semelhante à vida terrestre. O fundo é o céu da terra com o sol, a lua e as estrelas. Esta camada, a terra, originou-se quando um pedaço do céu se quebrou e caiu; aqui vivem os Yanomami e os outros povos que se degeneraram dos primeiros. A quarta camada, debaixo da terra, é um deserto onde moram os Amahiti-teri. Eles eram meio espírito e meio humanos. O xabono deles caiu da terra sem levar o mato com caça e terra para roçar. Então, os espíritos dos Amahiti-teri sobem para a terra para raptar e comer crianças. Há guerra constante entre os pajés da terra e os pajés do Amahiti-teri (Chagnon, 1968.45).

Os Yanomami encaram outros povos, especialmente os brancos, como sub-humanos, e até antropofagísticos, porque matam as crianças Yanomami com suas doenças e até com suas armas (Rabben, 2004.128). São encarados como os mortos tentando voltar do céu para viver na terra e essa é uma temática repetida nos rituais. Os estrangeiros foram criados por Omama através de uma espuma do sangue de ancestrais Yanomami, devorados por jacarés e ariranhas. Sua língua “emaranhada” foi dada pelo zumbido de um antepassado mítico dos marimbondos (Albert, 1999).

Mitos: Os Yanomami possuem uma rica literatura oral e gostam de contar histórias da retórica política (Rabben, 2004.92). Eles também possuem diversos mitos etiológicos. Os primeiros seres comeram sujeira e animais, porque não sabiam cultivar. O cacique deles, Bore, teve uma roça de bananas-da-terra e outras plantas domésticas, mas guardou tudo para si mesmo. Outro ser, perdido na floresta, descobriu a plantação de Bore e, por isso, os outros aprenderam cultivar as plantas (Chagnon, 1968.46). O jacaré guardou o segredo do fogo na sua boca. Quando os outros seres o fizeram rir, o fogo caiu da boca e assim os outros utilizam o fogo (Chagnon, 1968.46).

Conforme um dos seus mitos, é natureza do homem guerrear; o sangue da Lua foi derramado nesta camada do cosmo, fazendo os homens bravos. Chagnon foi impressionado como a agressão é a caraterística predominante nas histórias (Chagnon 1968.1).  Alguns não aceitam os mitos e até acham graça das suas explicações (Chagnon, 1968.17).

Um mito conta sobre um dilúvio que matou muitos dos primeiros seres, porém os primeiros Yanomami escaparam porque subiram as montanhas. As águas recuram quando uma mulher mergulhou pintada com pontos vermelhos e se tornou uma grande serpente que mora nos rios grandes. Os estrangeiros sobreviveram ao dilúvio boiando em troncos, hoje são inimigos dos Yanomami e andam em canoas grandes (Chagnon, 1968.47).

Comentário: O primeiro contato dos Yanomami com o mundo exterior foi na década de 50, com James P. Barker da Missão Novas Tribos dos Estados Unidos, que viveu entre os índios por anos em diversos lugares como Ocamo, Platanal e Mavaca no Alto Rio Orinoco. Foi ele quem levou Chagnon (então com 26 anos) no seu primeiro encontro com os Yanomami, que o antropólogo descreve com detalhes (Chagnon, 1973.5). Barker já tinha vivido na mesma aldeia por cinco anos sem encontrar problemas. Apesar de Chagnon ficar conhecido por seu livro The Fierce People (O Povo Bravo), Barker já tinha aprendido a língua e publicado muitos artigos etnográficos nos jornais antropológicos da Venezuela antes dos breves estágios do antropólogo (Chernela, 2002.13). Chagnon tentou se contextualizar e andou como se fosse um pajé branco, mas não se sabe o que os Yanomami pensaram disso. Os Yanomami temeram-no, pois tomou alucinógenos demais, atacou outros antropólogos e fez os Yanomami chorar, revelando-lhes seus nomes.

Os Yanomami pensaram que Chagnon tivesse levado doenças consigo e, anos depois, os pajés tentaram combater a influência das visitas que ele fez por helicóptero (Tierney, 2000). Seu livro The Fierce People deu uma impressão errada, mas estabeleceu o autor no mundo antropológico. Ele revisou sua posição sobre a violência nas últimas edições do seu livro, mas suas primeiras ideias já prejudicaram os Yanomami. Em 1997, disse que The Fierce People foi escrito para contrariar a opinião comum da época sobre o “selvagem nobre” (Tierney, 2000).

John F. Peters trabalhou entre um grupo do Ninan Yanomami com a UFM International na Roraima e continuou a estudar antropologia na aldeia, tornando-se, posteriormente, professor de sociologia no Canadá. A maioria dos missionários da MEVA e Crossworld atua entre os Yanomami em Roraima. A MEVA conta hoje com 34 igrejas indígenas, as quais possuem estrutura, liderança e programa próprios, sendo: 6 na área Macuxi, 4 na área Uapixana, 5 na área Yanomami e 19 na área Wai-Wai. A Missão Novas Tribos do Brasil atua nas comunidades de Mararí (668 pessoas), no município de Barcelos (AM) e a 436 quilômetros da cidade e Novo Demini (216 pessoas), no município de Boa Vista (RR). O trabalho começou com Jaime Macnait subindo o Rio Denini e construindo uma casa no Posto do SPI e, em 1957, Keith Wardlaw e Paulo Ziberman estabeleceram contato com os Yanomami de Aracá. Mais quatro obreiros se juntaram à equipe em 1960. O atual Posto Marari foi aberto em 1968 (10 obreiros). Pelo convite da Funai e dos próprios indígenas, o Posto Novo Demini foi estabelecido para dar ensino e atendimento médico (oito obreiros). Os crentes estão recebendo o Ensino Cronológico. O treinamento de agentes de saúde e professores está em andamento (MNTB 2010). O Projeto Amanajé tem uma equipe trabalhando com este povo em Santa Isabel do Rio Negro.

O evangelismo não é apenas sobre salvar almas, é também participar na mudança da cosmovisão. Davi Kopenawa Yanomami se tornou um embaixador para o povo Yanomami no estrangeiro e no Brasil. Quando ainda era uma criança, ele aprendeu ler a Bíblia em português, ensinado pelos missionários da Missão Novas Tribos. Com 12 anos, saiu da aldeia e, logo depois que sua mãe morreu de sarampo, foi trazido à comunidade por um filho dos missionários, e os índios o admitiram depois (Rabben, 2004. 125,134). A filha dos missionários pegou sarampo em Manaus, mas eles não reconheceram os sintomas até chegar à aldeia. Os pais mandaram os índios para fora da sua casa, mas um abraçou a criança, pegou a doença e a transmitiu aos outros, conforme Davi (Chernela et al. 2002.37). Esse acontecimento abalou a fé em Deus e Davi creditou sua sobrevivência do sarampo a Omam.

Os missionários queriam fazer dele um pastor, mas ele sofreu de tuberculose, foi a Manaus e depois trabalhou para a Funai. Observando o sofrimento do seu povo, decidiu ser porta-voz dos Yanomami, ajudado-os através de sua experiência do evangelicalismo. Aprendendo a religião tradicional do sogro, ele fundou sua advocacia da mitologia Yanomami. Percebendo um pouco a motivação para o evangelismo da cosmovisão bíblica, ele adotou elementos da cosmovisão do seu povo como motivação para enfrentar os inimigos dos indígenas e ganhar o apoio de outros. O principal espírito mau, Xawara, é branco e é a fumaça que mata as crianças Yanomami. O vapor do mercúrio usado pelos garimpeiros é uma manifestação dele. Os pajés protegem o mato dos espíritos maus e seu conhecimento é a salvação até dos brancos; assim, sem os Yanomami, a terra é condenada. Eles acreditam que um dia o céu vai rachar e ele e o sol vão cair. Rabben liga essa visão a Apocalipse 8.12 (Rabben, 149).

A cosmovisão é muito forte no pensamento Yanomami. Precisamos de uma cosmovisão bíblica que tenha pontes para relacioná-la com a cosmovisão indígena. É irônico que o método cronológico não consiga isso. A maior parte da Bíblia não trata da salvação do indivíduo e o programa messiânico é envolvido em Deus cumprindo as promessas para o bem-estar na presença do Criador de uma etnia, Israel, como eles vivem, se comportam e sobrevivem no mundo de forças e impérios maiores.

As crianças aprendem observando os pais e a conversão deve ser por exemplos concretos e histórias. A Bíblia é história, o plano de Deus se cumprindo em indivíduos e povos. O Ensino Cronológico é um passo certo. Nossas vidas são a continuação da mesma história embutida nas circunstâncias históricas da providência de Deus e partes corporativas de outras gerações e de nossos contemporâneos. A realidade de Deus e seus atributos devem ser demonstrados em exemplos bíblicos e contemporâneos. A conversão deve ser coletiva e a ênfase evangélica de examinar e insistir em convicções individuais deve ser reexaminada.

 

 

 

Bibliografia:

ALBERT, Bruce 1999, “Yanomami”, Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo, http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami.

CHAGNON, Napoleon A., 1968, Yanonmamö – The Fierce People, Case Studies in Cultural Anthropology, Stanford University,  New York: Holt, Rinehart and Winston.

CHERNELA, Judith et. al. 2002, El Dorado Task Force Papers Vol II, American Anthropolical Association, Arlington VA, USA.

DAI/AMTB 2010, Relatório 2010 – Etnia Indígenas do Brasil, Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos – http://instituto.antropos.com.br/

HEMMING, John, 1995, Amazon Frontier; The Defeat of the Brazilian Indians, London: Pan Macmillan.

HEMMING, John, 2003, Die if You Must: Brazilian Indians in the Twentieth Century, London: Panmacmillan.

LAUDATO, Luís, 2009, Ritmos e rituais yanomami, Manaus: Faculdade Salesiana Dom Bosco – FSDB, 1ª edição.

MNTB, 2010, Missão Novas Tribos do Brasil, relatórios da equipe.

PETERS, John F. 1998, Life among the Yanomami, Ontario: Broadview Press.

POLETO, Gabriel C., 2012, Comunicação particular.

RABBEN, Linda 2004, Brazil’s Indians and the Onslaught of Civilzation, Seattle, WA, University of Washington Press.

SIL 2009, Lewis, M. Paul (ed.), 2009. Ethnologue: Languages of the World, Sixteenth edition. Dallas, Tex.: SIL International. Online version: www.ethnologue.com.

SILVEIRA, Nádia Heusi, 2003, O Conceito de Atenção Diferenciada e Sua Aplicação, Universidade Federal de Santa Catarina (www:antropologia.com..br/arti/colab/vram2003/a13-nheusi.pdf)

TIERNEY, Patrick, 2000, “The Fierce Anthropologist”, New Yorker November 6.

 

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